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    Sob gritos de 'Fora, Temer', filme 'Aquarius' é ovacionado em Gramado

    GUILHERME GENESTRETI
    ENVIADO ESPECIAL A GRAMADO (RS)

    26/08/2016 20h58 - Atualizado às 00h47

    O filme "Aquarius", de Kleber Mendonça Filho, estreou no Festival de Gramado na noite desta sexta (26) sob estrondosos gritos de "Fora, Temer" vindos do público, e terminou ovacionado.

    O ministro da Cultura do governo interino, Marcelo Calero se derramou em elogios ao filme.

    "Gostei muito", disse à Folha. "Para começar, porque a Sonia Braga fez um excelente trabalho. E Kleber Mendonça Filho demonstrou grande sensibilidade. O filme é um grande exemplo da qualidade do cinema brasileiro."

    Calero, que estava presente no começo da sessão, foi vaiado e ouviu do público gritos de "golpista" assim que as luzes se apagaram para o começo da cerimônia. Também ouviu: "Calero pelego" e "manda nudes".

    O ministro não quis comentar nem as vaias nem a classificação indicativa de impróprio para menores de 18 anos que "Aquarius" recebeu do Ministério da Justiça;

    Estiveram na sessão Alfredo Bertini, secretário do Audiovisual, órgão, ligado ao ministério, e Marcos Petrucelli, crítico que integra a comissão criada pela pasta para definir qual filme irá representar o Brasil no Oscar.

    O comitê é alvo de polêmicas no meio cinematográfico porque Petrucelli já usou suas redes sociais para depreciar o diretor Kleber Mendonça Filho, que tem em "Aquarius" um dos mais fortes concorrentes a levar a vaga do Brasil.

    Petrucelli afirma que sua contrariedade a Mendonça Filho é estritamente política e não afeta seu trabalho na comissão que escolherá o representante brasileiro.

    A comissão brasileira do Oscar negou partidarização na escolha da indicação do crítico. Alfredo Bertini, secretário do Audiovisual, disse que a polêmica é infundada e que a escolha de Petrucelli seguiu procedimento normal. "O processo de escolha teve transparência absoluta", afirmou.

    'FILME CARREGADO DE ENERGIA'

    "Aquarius" abriu a 44ª edição do Festival de Gramado. No filme, Sonia Braga interpreta uma viúva sexagenária às turras com uma construtora.

    O filme fez sua estreia mundial em maio, na competição principal do Festival de Cannes. E ganhou repercussão pelo protesto anti-impeachment realizado pela equipe do longa.

    Quando a equipe do filme entrou na sala, em Gramado, o público se levantou e aplaudiu de pé. Petrucelli ficou sentado e só levantou quando entrou Sonia Braga, protagonista do filme e homenageada da edição.

    A atriz recebeu da mostra gaúcha o prêmio honorário Oscarito. Ao subir ao palco, antes do longa começar, ouviu homenagens gravadas em vídeo pelo diretor Cacá Diegues, a atriz Renata Sorrah e o cantor Caetano Veloso.

    O troféu foi entregue por Bruno Barreto, que a dirigiu em seu maior sucesso comercial, o filme "Dona Flor e seus Dois Maridos" (1976).

    Barreto brincou: "Sonia, se eu e Kleber fôssemos seus dois maridos, quem seria o Vadinho?", indagou, referindo-se ao personagem malandro da trama criada por Jorge Amado. A atriz respondeu que os dois são um pouco Vadinho.

    Em seguida, subiu ao palco parte da equipe de "Aquarius", para apresentar o longa.

    "É um filme sobre ter uma opinião e defendê-la, dentro de uma democracia", disse Kleber. "O filme vem carregado de muita energia, inclusive política."

    Assim que a sala voltou a ficar no escuro para que o filme iniciasse, os gritos de "Fora, Temer" recomeçaram.

    O jornalista viajou a convite do Festival de Gramado

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