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    Exposição em Paris promove viagem pela obra de Van Gogh sob acordes de Mozart e Bach

    AUGUSTO PINHEIRO
    DA RFI

    04/07/2017 17h54

    Augusto Pinheiro/RFI
    "Os Girassóis" aparece simultaneamente nos telões
    "Os Girassóis" aparece simultaneamente nos telões

    Sob os acordes do concerto n° 5 para piano do compositor francês Camille Saint-Saëns, vários autorretratos do pintor holandês Vincent Van Gogh (1853-1890) vão aparecendo em gigantescas telas montadas dentro da Grande Halle de La Villette, um amplo espaço no antigo mercado de ferro do local. Os visitantes estão sentados, deitados ou circulando, e as pinturas do artista vão se sucedendo nos 2.000 m² de projeções.

    Trata-se da exposição "Imagine Van Gogh", projeto idealizado pelos curadores franceses Julien Baron e Annabelle Mauger, que propõe uma imersão no universo do artista. São 20 telões espalhados pela sala, por todos os lados, também no meio do espaço, em formatos horizontal e vertical. Eles reproduzem, em alta definição, mais de 200 obras do período entre 1888 e 1890, os últimos anos de vida do artista, que ele passou nas cidades francesas de Arles, Saint Rémy de Provence e Auvers-sur-Oise, onde se suicidou com um tiro no peito em julho de 1890.

    "Foi uma fase na qual Van Gogh experimentou muito. Ele buscava novas técnicas e, principalmente, novas expressões, influenciado por sua passagem por Paris, quando entrou em contato com o japonismo. Isso o impactou enormemente e o orientou na sua escolha estética e na sua maneira de trabalhar nos dois últimos anos da sua vida", disse à RFI Brasil o curador Julien Baron, justificando a escolha do período.

    Sua companheira de projeto, Annabelle Mauger, completa: "É na Provence (região do sudeste da França) que ele pinta finalmente a luz do sol e exalta a natureza, o retrato e a natureza morta. Sua paleta de cores explode, o traço se torna vigoroso, e a composição, impertinente. E Auvers-sur-Oise (a 30 km de Paris) aparece como uma continuidade que abre a porta para a modernidade, para o princípio da abstração contemporânea".

    Detalhes das obras

    Os telões mostram simultaneamente diferentes detalhes dos quadros, que muitas vezes passam despercebidos na obra em seu tamanho original. Um charuto sobre a cadeira, um livro em uma mesa de bar e até mesmo as pinceladas grossas e frenéticas ganham grandes dimensões.

    "Nosso objetivo é que o espectador possa descobrir Van Gogh de uma nova maneira, com um panorama mais completo do que aqueles que as pessoas estão acostumadas a ver. Nosso projeto não pretende concorrer com os museus, mas oferecer um novo ângulo, que permita às pessoas descobrir as telas sob uma outra luz. Nós mostramos os detalhes que dão uma nova ideia das pinturas que elas já conheciam", diz Baron

    A música é um elemento fundamental durante as projeções de 30 minutos, que seguem em loop das 10h às 19h (22h no sábado), com trechos de peças de Mozart, Bach, Delibes, Erik Satie e do já citado Saint-Saëns. "A música é muito importante porque é ela que leva o visitante a circular pela cenografia e se apropriar dessa viagem ao coração das obras de Van Gogh. Queríamos uma música que fosse, em primeiro lugar, universal, como Mozart, e, na medida do possível, contemporânea a Van Gogh, como Saint-Saëns", explica Baron.

    Subindo as escadas nas laterais do espaço, há painéis com informações sobre o período das obras e a biografia do artista, além de detalhes do projeto. De cima, a vista é ampla sobre todo o espaço, e o mezzanino dispõe de sofás circulares para que as pessoas possam embarcar na viagem confortavelmente. Entre as obras apresentadas estão clássicos como "Os Girassóis", "O Retrato do Dr. Gachet", "O Jardim de Daubigny", "A Igreja de Notre-Dame de Auvers" e "Campo de Trigo com Corvos".

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