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    CRÍTICA

    'O Jantar' garante bons momentos, mas alegorias atrapalham

    CÁSSIO STARLING CARLOS
    CRÍTICO DA FOLHA

    07/09/2017 01h00

    Reprodução
    Cena do filme 'O Jantar', de Oren Moverman
    Cena do filme 'O Jantar', de Oren Moverman

    O JANTAR (regular)
    (The Dinner)
    DIREÇÃO Oren Moverman
    ELENCO Richard Gere, Steve Coogan, Laura Linney, Rebecca Hall
    PRODUÇÃO EUA, 2017, 16 anos
    QUANDO estreia nesta quinta (7)
    Veja salas e horários de exibição

    *

    A escolha de títulos minimalistas costuma servir para destacar o contrário, a complexidade de uma trama ou da maneira de contá-las. "O Jantar" usa o artifício nesse sentido, convocando o espectador a sair do habitual torpor.

    O contraste visa provocar surpresas e transmitir a sensação de que estamos diante de um produto elaborado, o contrário de um filme-pipoca.

    O primeiro sinal dessa ambição aparece na maneira como se apresenta o grupo de personagens por meio de situações sem conexão aparente.

    Numa festa adolescente vemos três garotos saírem dos limites e um deles começa a passar mal. Em seguida, um casal discute a necessidade de ir a um restaurante sofisticado e afetado. Outro par, em contraste com o anterior, dirige-se a um compromisso social, mas a comunicação entre eles parece quase rompida.

    Aos poucos, conectam-se como partículas da mesma família, ligadas afetivamente, mas também afastadas por diferenças e ressentimentos.

    O reencontro dos irmãos Paul (Steve Coogan) e Stan (Richard Gere) com as respectivas esposas, Claire (Laura Linney) e Katelyn (Rebecca Hall), em um jantar é estruturado conforme a ordem da refeição.

    A relação truncada entre eles é reiterada pela intromissão do maître, que a todo momento interrompe a conversa para apresentar os pratos.

    A situação é marcada pela teatralidade, aspecto que reforça a impressão de convivência forçada, de que algo está oculto por máscaras prestes a cair e revelar algo grave.

    O filme, porém, não demora a se tornar refém de seus artifícios. A concentração em um espaço único alcança bons momentos graças às qualidades do elenco, mas a tendência ao blá-blá-blá dramático também provoca cansaço.

    Quando escapa do enclausuramento por meio de recuos temporais e da invasão de um grave impasse moral, "O Jantar" ainda acumula outras camadas, ameaçando-nos com uma perigosa indigestão.

    A ressurgência de fantasmas da Guerra Civil americana como alegoria de fraturas históricas não curadas traz outras complicações que o filme apenas amontoa.

    O trabalho do diretor Oren Moverman se aproxima do molde do cinema engajado praticado por realizadores como Martin Ritt e Alan J. Pakulla nos anos 1970 e 1980.

    Lá e cá, registramos a mensagem, mas pouco do filme é digno de memória.

    Assista ao trailer de "O Jantar"

    Assista ao trailer de "O Jantar"

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