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    CRÍTICA

    Se não chama novos fãs, 'Will & Grace' mantém charme

    TONY GOES
    COLUNISTA DO F5

    30/09/2017 01h00

    WILL & GRACE (muito bom)

    *

    "Acho que 'Will & Grace' fez mais para educar o público americano do que quase qualquer outra coisa feita por qualquer pessoa até hoje."

    Foi assim que o vice-presidente Joe Biden (2009-2016) se referiu à contribuição que a série sobre um quarteto de amigos –dois homens gays e duas mulheres hétero– teria feito para que o casamento entre pessoas do mesmo sexo fosse aprovado nos EUA.

    Ao longo de oito temporadas, entre 1998 e 2006, o programa mostrou o primeiro beijo entre dois homens no horário nobre e fez com que a "América profunda" percebesse que os gays não mordem –só quando lhes pedem.

    Mas faz sentido ressuscitar a atração 11 anos após ter sido cancelada, em um mundo que, em muitos sentidos, parece ter andado para trás?

    A rede NBC aposta que sim.

    A ideia surgiu há cerca de um ano, quando a emissora reuniu os quatro protagonistas –Eric McCormack (Will), Debra Messing (Grace), Sean Hayes (Jack) e Megan Mullally (Karen)– para gravar um "promo" incentivando o espectador a votar.

    A repercussão foi tão grande que logo circularam rumores de que a série ressurgiria. Não só o foi como tem duas temporadas garantidas.

    O primeiro episódio da nova fase foi ao ar nesta quinta (28) nos EUA. O elenco continua afiado, no mesmo cenário de antes. Mas há novidades: Jack agora "caça" com a ajuda de um aplicativo, e Karen está radiante por ter um amigo na Presidência.

    Também há uma mudança maior. A série original terminava com Will e Grace rompidos, cada um casado com seu respectivo namorado. Vinte anos depois, seus filhos se conhecem e se apaixonam, finalmente consumando o amor platônico de seus pais.

    Na nova versão, tudo não passou de um sonho de Karen. Os dois se casaram, mas não tiveram filhos, logo se divorciaram e agora moram juntos.

    Não demora e vão todos para a Casa Branca. Karen consegue, com sua chapa Melania, que Grace fosse contratada para redecorar o Salão Oval. Claro que não dá certo: ela e Will deflagram uma guerra de almofadas em pleno escritório do presidente.

    "Will & Grace" 2.0 não vai conquistar novos fãs. Quem não gostava antes não vai mudar de opinião. O ritmo incessante, as piadas físicas, os enquadramentos –tudo parece antediluviano perto de comédias modernas como "Girls" ou "Transparent".

    Mas quem gostava vai ter a sensação de reencontrar velhos amigos, exatamente como eles eram. Pena que ainda não tenha sido anunciado onde e quando a série será exibida no Brasil.

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