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    Produtor Harvey Weinstein é acusado de vários assédios sexuais

    DE SÃO PAULO

    05/10/2017 15h28

    Remy de la Mauviniere/Associated Press
    O produtor cinematográfico Harvey Weinstein
    O produtor cinematográfico Harvey Weinstein

    Um dos nomes mais poderosos de Hollywood, o produtor de cinema americano Harvey Weinstein está sendo acusado de ter cometido abuso sexual contra diversas mulheres, incluindo as atrizes Ashley Judd e Rose McGowan. As acusações foram veiculadas no jornal "The New York Times".

    Segundo a publicação americana, que conduziu uma investigação sobre o assunto, as acusações contra Weinstein existem há quase três décadas e ocorreram em vários locais, incluindo os escritórios de sua produtora nos Estados Unidos e na Inglaterra, além de episódios durante os festivais de Cannes e Sundance.

    Nas páginas do jornal, elas são corroboradas por meio de entrevistas com funcionários antigos e atuais e por membros da indústria, além de e-mails, memorandos internos e outros documentos da Miramax e da Weinstein Company, geridas por ele.

    Segundo o "New York Times", o produtor chegou a fechar pelo menos oito acordos com mulheres, incluindo aí uma assistente em 1990, um atriz em 1997 e uma modelo italiana em 2015.

    Executiva na Weinstein Company, Lauren O'Connor enviou um comunicado que circulou entre a alta cúpula da empresa afirmando que "há um ambiente tóxico para as mulheres ali".

    O'Connor acrescenta que Weinstein a solicitava para que ela fizesse reuniões de "casting" com atrizes com quem o produtor já havia tido encontros. Ela suspeita que estava sendo usada para facilitar esses tipos de contato entre ele e aspirantes a atriz.

    ASHLEY JUDD

    A reportagem abre com um depoimento da atriz Ashley Judd ("Risco Duplo", "Divergente") narrando como ela foi chamada para falar com o produtor, num hotel em Beverly Hills, e o encontrou apenas de roupão e pedindo que ela fizesse uma massagem ou assistisse a ele tomando banho.

    A também atriz Rose McGowan, da série "Charmed" e do filme "À Prova de Morte", é outra das mulheres que acusam o produtor.

    Segundo McGowan afirmou ao jornal americano, ela tinha 23 anos e havia acabado de lançar "Pânico" (1996), quando ele a assediou num hotel durante o Festival Sundance. Ela e Weinstein entraram num acordo no valor de US$ 100 mil para "evitar um litígio judicial".

    Harvey Weinstein se tornou um nome central em Hollywood nas últimas décadas, produzindo filmes de diretores autorais como Quentin Tarantino, Tony Scott e Robert Altman.

    Entre os mais de 300 títulos que ele produziu, os mais conhecidos estão "Pulp Fiction", de Tarantino, "Gangues de Nova York", de Martin Scorsese, e "O Paciente Inglês", de Anthony Minghella.

    Ele ganhou um Oscar, como produtor, por "Shakespeare Apaixonado" (1998), de John Madden, que foi o vencedor do prêmio de melhor filme em 1999.

    Weinstein é uma figura controversa em Hollywood. Ele era conhecido por bancar almoços na sede da Associação da Imprensa Estrangeira em Los Angeles que supostamente serviriam para beneficiar suas produções na premiação do Globo de Ouro.

    O produtor é um conhecido entusiasta do Partido Democrata nos Estados Unidos. Ele empregou Malia Obama, filha do ex-presidente americano, como uma estagiária.

    Seu nome é o mais novo a aparecer numa longa lista de celebridades que também são acusadas do mesmo crime, como Casey Affleck, Bill Cosby e Mel Gibson.

    OUTRO LADO

    Ao jornal americano, o produtor afirmou o seguinte:

    "Eu reconheço que a forma como me comportei com colegas no passado causou muita dor, e eu sinceramente peço desculpas por isso. Embora eu esteja tentando melhorar, sei que tenho um longo caminho."

    Weinstein também informou que estava tendo acompanhamento de terapeutas e que tinha planos de tirar uma licença para tratar do assunto.

    Advogada do produtor, Lisa Bloom, enviou um comunicado afirmando que ele nega todas as acusações.

    Nem o produtor nem a advogada comentam os acordos.

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