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    Crítica

    Contra preconceito, filme retrata cotidiano de LGBTs da periferia

    ALEXANDRE AGABITI FERNANDEZ
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    30/11/2017 01h00

    Divulgação
    Cena do documentário 'Meu Corpo É Político', que estreia nesta quinta-feira (30)
    Cena do documentário 'Meu Corpo É Político', que estreia nesta quinta-feira (30)

    MEU CORPO É POLÍTICO (bom)
    DIREÇÃO Alice Riff
    ELENCO Fernando Ribeiro, Giu Nonato, Linn da Quebrada e Paula Beatriz
    PRODUÇÃO Brasil, 2017; 12 anos
    QUANDO estreia nesta quinta (30)
    Veja salas e horários de exibição

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    Ao colocar em cena quatro pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) da periferia de São Paulo, que vivem em uma sociedade que as rejeita, "Meu Corpo é Político" se coloca como um gesto de resistência e como tal é eminentemente político.

    Feito com a declarada intenção de aproximar as pessoas trans dos cisgêneros (aqueles que se identificam com o gênero de nascença), o documentário busca a identificação ao mostrá-las no banal cotidiano: no banho, comendo, andando de ônibus, na faculdade, no trabalho, se divertindo com amigos. O longa estreia nesta quinta (30).

    Os quatro personagens apresentam um importante ponto em comum: refletem constantemente sobre si mesmos, sobre sua condição. Resolutamente afirmativos, eles se inserem, cada um a seu modo, na luta por direitos da comunidade LGBT.

    Além da condição socioeconômica, das diferentes identidades de gênero e orientações sexuais, o filme inclui de passagem outra discriminação, a racial —pois três dos quatro personagens são negros.

    Transgênero, o operador de telemarketing Fernando Ribeiro quer poder usar seu nome masculino nos documentos. Giu Nonato é uma mulher trans que escreve e fotografa. Paula Beatriz fez mestrado na Unicamp e é pioneira como primeira mulher trans diretora de escola pública em SP.

    O quarto personagem é a funkeira e professora de teatro Linn da Quebrada, que foi testemunha de Jeová e hoje é uma das figuras carismáticas da cena artística LGBT. Suas músicas falam com bom humor sobre o direito de ser afeminada.

    Todos eles agem e discorrem sobre suas experiências e dificuldades com naturalidade. O aspecto reivindicativo —em relação a direitos e à própria diversidade sexual— nunca surge associado à aspereza. O tom do filme é engajado sem ser agressivo, dentro da proposta de respeito às diferenças que norteia o filme.

    A estratégia adotada pela diretora e roteirista Alice Riff é sintoma da intensidade do preconceito social contra as pessoas LGBT. A extrema preocupação em mostrar que são pessoas normais limita a profundidade do enfoque.

    A naturalidade é perturbada em cenas nas quais personagens parecem atuar mecanicamente, como se houvesse ensaio. A espontaneidade e o frescor se rompem, mas isso não diminui a substância desse corajoso documentário.

    Assista ao trailer de 'Meu Corpo É Político'

    Assista ao trailer de 'Meu Corpo É Político'

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