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    crítica

    Sonoridade das cordas é o ponto alto da Osesp em Mahler

    SIDNEY MOLINA
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    09/12/2017 02h00

    Fábio Furtado/Divulgação
    Marin Alsop rege a Osesp na temporada 2017
    Marin Alsop rege a Osesp na temporada 2017

    OSESP TOCA 'NONA' DE MAHLER (muito bom)
    QUANDO sáb. (9), às 16h30
    ONDE Sala São Paulo (pça. Júlio Prestes, 16, tel. 3367-9500)
    QUANTO de R$ 46 a R$ 213
    CLASSIFICAÇÃO livre

    *

    A Fundação Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) anunciou nesta semana que, ao terminar o seu contrato, no final da temporada 2019, Marin Alsop receberá o título de "regente honorária" da orquestra.

    Reconhecimento pelo trabalho e transições planejadas são procedimentos comuns entre as melhores orquestras internacionais, mas, infelizmente, ainda raros no Brasil –onde muitas vezes a escolha de regentes segue a sazonalidade dos pacotes políticos.

    Alguns dos melhores concertos deste ano foram dirigidos por Alsop, como "War Requiem", de Britten, "Rapsódia para Contralto", de Brahms (com solo de Nathalie Sutzmann) e a "Sinfonia n.9" de Mahler, que fecha a temporada de assinaturas.

    A Osesp também tocou em alto nível com Arvo Volmer (obras Sibelius, Tüür, Brahms), Fabio Mechetti (orquestração de Francisco Mignone para "Quadros de uma Exposição"), Richard Armstrong (segundo ato de "Tristão e Isolda"), Valentina Peleggi (Haydn, Rimsky-Korsakov), Roberto Tibiriçá (Tchaikovsky) e Krzysztof Penderecki (obras autorais).

    Em sua "Nona Sinfonia", Mahler (1860-1911) testa as fronteiras da tonalidade. Seus desenvolvimentos chegam a ultrapassá-la, mas o apelo das figuras motívicas o chama de volta; a obra permanece enredada em uma suspensão perene, inescapável.

    Na quinta-feira (7) o "Andante" começou um pouco indeciso, mas foi esquentando até se tornar memorável. O segundo movimento tem a cara de Alsop: foi o ponto alto da noite. O "Rondó-Burlesco", por outro lado, tem solicitações que só se conquistam integralmente ao longo de repetidas performances.

    Alsop rege o "Adagio" final com certa "urgência" dramática, favorecida pelo som extremamente doce e encorpado das cordas da Osesp. Nos últimos compassos, entretanto, poderia haver mais calma e dor, a preparar o silêncio que segue a última aparição do motivo de cinco notas nas violas.

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