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    'Loki?', de Arnaldo Baptista, é relembrado por quem estava lá

    MARCO AURÉLIO CANÔNICO

    12/05/2017 12h00

    RESUMO Um ano depois de deixar Os Mutantes, Arnaldo Baptista entrou em estúdio para gravar "Loki?" (1974). O disco pouco repercutiu à época, mas virou cult com o passar dos anos. Em depoimentos, personagens ligados ao álbum relembram receio com temperamento do músico e busca de sonoridade espontânea, não ensaiada. A pedido da Folha, Baptista comentou o álbum faixa a faixa.

    Arnaldo Dias Baptista tinha suas razões para se sentir "meio abandonado" em 1974, quando mal completara 26 anos.

    Seu casamento com Rita Lee havia acabado cerca de um ano antes. A essa separação seguiu-se seu desligamento da banda Os Mutantes, que fundara com a ex-companheira e com seu irmão Sérgio Dias.

    Em poucos meses, ele deixara a liderança do grupo que fora um dos motores da tropicália e passara a ser considerado um "lóki" -gíria que se aplicava aos bobos e ingênuos, mas também àqueles que, como Arnaldo, haviam se perdido pelo caminho das drogas lisérgicas.

    Isolado numa casa na serra da Cantareira, perto de São Paulo, compunha algumas de suas canções mais íntimas e reveladoras. Pensava no passado e nos erros que cometera, pensava na morte, pensava em Rita, temia "virar bolor" antes de reencontrar o sucesso.

    O resultado dessa angústia foi traduzido em "Loki?", um LP de dez faixas (cinco de cada lado) cuja audição dura menos de 35 minutos e deve ser feita "em alto volume", como recomenda aviso publicado na capa. Isso apesar de a gravação não conter guitarras, contrariando o receituário do rock progressivo que imperava à época.

    Inovador em sua fusão de rock com jazz, samba e orquestra, o álbum teve recepção popular gélida, mas agradou aos críticos.

    "É um importante acontecimento dentro do rock nacional [...], um trabalho suave e interessante", registrou a crítica publicada na Folha à época.
    Hoje considerado um dos principais discos da música nacional, após ser descoberto e valorizado no exterior por figuras como Sean Lennon e Kurt Cobain, "Loki?" acaba de ser relançado em formato vinil, com uma tiragem de 700 cópias.

    A espontaneidade que exala das canções é reflexo da exposição do íntimo de um jovem triste e talentoso, que abria seu peito e declarava sua independência artística e pessoal.

    Para reconstituir a criação do disco, a reportagem ouviu personagens centrais ligados a ele -dos músicos aos executivos da gravadora, a extinta Polygram (que lançou o LP por seu selo Philips), passando pelo próprio Baptista.

    O entrelaçamento das lembranças dessas figuras sobre as diferentes etapas do processo (pré-produção, gravação, lançamento e repercussão) tece uma grande narrativa, oral e coletiva, sobre a largada da carreira solo de um nome maiúsculo da música brasileira.

    *

    ROBERTO MENESCAL (ex-diretor artístico da gravadora Polygram) - A ideia de fazer o disco surgiu naqueles papos da gravadora, numa reunião de produção. "Vamos gravar um disco do Arnaldo, ele é muito criativo." Alguém ia produzir, não me lembro se era o Nelsinho [Motta], talvez o Paulinho Tapajós, o Sérgio Carvalho.

    Mas o produtor desistiu, porque aquela turma era muito "lóki" mesmo. E eu pensei, "pô, mas também não podemos pular fora e acabou; falamos com o cara e tudo".

    Aí eu decidi pegar essa. Na verdade, foi como se eu tirasse umas férias para fazer uma viagem louca, apesar de eu não usar droga nenhuma. Na Polygram, eu era aquele cara com a sala organizada, orçamentos. De repente, sumi, e o pessoal não acreditava que eu ia conseguir fazer esse disco.

    O Arnaldo era um cara muito criativo, muito ligado na estética do som, achei que podia fazer uma carreira solo bacana. O pessoal falou "vê lá, hein?". Fui para São Paulo e me levaram pro sítio [na Cantareira]. Ele [Arnaldo] era o próprio cowboy, sabe? Se vestia de country, bota e aquelas coisas.

    ARNALDO BAPTISTA (cantor e compositor) - Eu tava meio abandonado quando o Menescal chegou lá em casa e me convidou para gravar. Estava com as músicas prontas, mas não tinha onde gravar. Ele apoiou, produziu, arregimentou os músicos.

    Foi uma época da minha vida em que eu fiquei muito voltado para o meu íntimo, no sentido de [tentar] encontrar uma motivação que levasse meu universo para o mundo em volta de mim. Então fiquei compondo em casa, no piano.

    Componho tudo no teclado, depois vejo o resto. Quase sempre escrevo a letra primeiro, aí coloco as cifras da música e toco para ver. Fui fazendo esse LP aos poucos, num sentido de acumular músicas. Sou muito perfeccionista, é uma palavra importante para mim.

    MARCO MAZZOLA (produtor) - Esse disco foi bastante conturbado, foi concebido de uma forma bastante difícil. Os Mutantes tinham acabado, a Rita Lee seguiu carreira, tinha feito o [grupo] Tutti Frutti, e todo mundo na gravadora achava que o gênio ali era o Arnaldo, que ele deveria continuar.

    O Menescal chegou com essa ideia e disse: "Mazzola, toca isso aí, vê o que você consegue". Eu era o produtor oficial, tinha acabado de fazer um disco da Rita Lee, o "Atrás do Porto Tem uma Cidade" [1974], que também foi conturbado, aquela coisa de droga, de ver disco voador.

    Quando o Menescal falou comigo, eu disse que nem conhecia o cara, que achava melhor alguém que o conhecesse. Acabei conhecendo o Arnaldo, gostando muito dele. Não é um disco em que eu cheguei e fiz tudo. Pediram que eu acompanhasse no estúdio, porque tinha um grande conhecimento técnico e o Arnaldo gostava disso. Fui numa de ajudar o Menescal.

    ARNALDO BAPTISTA - O LP foi bem no improviso. Eu gravei com dois dos Mutantes, o Dinho na bateria e o Liminha no baixo. Para mim, foi uma aventura: era uma carreira solo, mas com os Mutantes ainda. Eles estavam à mão, não me lembro exatamente como, mas convidei os dois para participar. Praticamente não tinha relação com eles.

    LIMINHA (baixista) - Foi um convite que partiu do Arnaldo mesmo. Ele já sabia como eu e o Dinho tocávamos. Gostava de tocar com a gente, e nós com ele. Ele me dava liberdade para tocar do meu jeito.

    O Arnaldo é tecladista, tocava bem. Queria uma sonoridade diferente e acabou tendo o piano como espinha dorsal do trabalho. Se tivesse chamado o Sérgio, seriam Os Mutantes.

    DINHO LEME (baterista) - Eu e o Liminha estávamos ainda ligados, mas o Arnaldo andava bem distante. E de repente aconteceu essa história de que ele e o Menescal iam fazer um disco.

    Entramos sem saber o que ia rolar. A gente já conhecia algumas músicas, eram coisas que a gente tinha tocado um pouco juntos, sons que a gente fazia. Brincando em ensaios, a gente tocava esse tipo de coisa. Eu sou um cara um pouco ligado em bossa nova também. De vez em quando, eu e o Arnaldo ficávamos fazendo uma bossa.

    Ele já tinha na cabeça que não queria guitarra. Acho que não é porque não queria ter o Sérgio [Dias, seu irmão e parceiro de Mutantes], mas ia ficar igual, né? Ia ficar o mesmo som que a gente fazia na Cantareira. Ele preferiu tirar a guitarra da história.

    ARNALDO BAPTISTA - Quando eu pensei em gravar "Loki?", quis mostrar que estava vivo. E que tocava sem guitarra. Fiz o LP sem guitarra. Só na última faixa eu toco violão, para mostrar que sabia tocar. E chamei de "É Fácil" porque, se quisesse, eu teria gravado [com guitarra].

    Nesse sentido, busquei uma certa independência de Mutantes etc. e tal, né? Também adorava muito pianistas, tipo [o canadense] Oscar Peterson, Zimbo Trio, César [Camargo] Mariano. Eu era pianista, então foi interessante isso.

    ROBERTO MENESCAL - Fizemos o disco sem muito planejamento. Fui lá sem nada: "Vamos lá, Arnaldo, quais são as ideias?".

    "Tem isso, talvez isso, talvez isso." Dentro daquelas 30, 40 ideias, fomos cortando. "Como é que é isso?" "Ah, não sabemos ainda, mas vai ser uma homenagem à Rita Lee", porque eles estavam meio separados.

    Foi um disco muito "fosseado", tinha hora que a gente parava a gravação para ele chorar, deixava ele num canto.

    Era um clima de não se sabe o que vai sair. O pessoal da Polygram falava: "Você é louco de se meter nessa". Mas tinha de me meter. O que a gente poderia perder? Algum dinheiro, mas podia também ficar algo para a história, como ficou.

    LIMINHA - Lembro que a gente gravou no estúdio da Eldorado, em São Paulo, em 16 canais. Era o estúdio mais moderno que tinha.

    A gente gravava tudo tão rápido, cara, era uma loucura. Não me lembro se o disco do Arnaldo a gente ensaiou previamente. Talvez tenha acontecido direto no estúdio; ele passou as músicas e a gente saiu tocando. A gente não ficava perdendo tempo, não teve nenhum embaraço. E um trio é fácil de resolver.

    Com Os Mutantes, a gente gravou "O A e o Z" [1973] também nesse estúdio, e aí, cara, a mixagem foi feita a dez mãos, o técnico mais nós quatro [Liminha, Arnaldo, Sérgio e Dinho; foi o primeiro disco após a saída de Rita Lee], cada um querendo aumentar seu próprio instrumento.

    Nesse disco do Arnaldo, não tinha o embate entre ele e o Sérgio, que sempre houve. O Sérgio sempre reivindicou a liderança da banda. Na verdade, o Arnaldo era o nosso líder nos Mutantes, era o cara que tomava mais decisão, dirigia um pouco o Sérgio.

    DINHO LEME - O curioso desse disco é que estávamos muito afiados, tocando legal, quando começamos a ensaiar algumas músicas.

    Lembro que em duas delas nós demos uma passada, eu experimentando algumas coisas, o Liminha também, e quando nós subimos na mesa de som do estúdio, o Arnaldo já estava ouvindo com algumas pessoas e disse "tá ótimo, já ficou". Eu e o Liminha falamos "não, vamos gravar uma boa, né?". E ele "não, é desse jeito mesmo, está muito bom, gostei muito".

    Eu e o Liminha descemos, era naquele estúdio Eldorado, perto do antigo Estadão, fomos comer um sanduíche, tomar um negócio e ficamos conversando: "Puta merda, será que vai ser assim? A gente tinha que passar outra vez, gravar de novo. Não é a boa, a gente pode fazer muito melhor".

    E ficamos chateados com isso. Quando subimos, ele já estava mixando com o produtor. O som era aquele mesmo, a música já estava pronta.

    ARNALDO BAPTISTA - Quando eu estava compondo, sentia às vezes que "um metal aqui entraria bem, um coro aqui entraria bem". Então, quando eu necessitava de uma orquestração, ia até a casa do [maestro e arranjador] Rogério Duprat [1932-2006], tocava piano, e ele entendia, me atendia. Fazia pedidos como "quero os teclados como os de 'El Cid', com bastante peso, com trombones". Ele entendia isso e colocava o teclado em quinta, trompas em quinta.

    Inclusive botou invenções, como aquele quarteto de metal, tipo banda do interior, que ele colocou no fim de "Cê Tá Pensando que Eu Sou Loki?".
    Era alguém interessantíssimo. O violoncelo que eu toco nos Mutantes era ele que me havia emprestado.

    MARCO MAZZOLA - O que me chamava muito a atenção era a estrutura melódica que o Arnaldo criava. Por exemplo, na música "Cê Tá Pensando que Eu Sou Loki?", ele misturava jazz com rock'n' roll, fazia experiências. Toca tudo: piano, órgão, clavinete, violão de 12 cordas. E canta.

    Ele era aquele cara que se achava um ídolo mundial. Não era [só] no Brasil: ele achava que ninguém no mundo chegava perto do que ele fazia.

    Aí é um problema sério, você tem de usar psicologia para poder fazer isso acontecer. Eu achei uma vitória ter conseguido [fazer o disco], porque era uma tremenda confusão dentro do estúdio, e eu sou uma pessoa muito organizada.

    LIMINHA - Acho que nem tinha droga. O Arnaldo já tinha tomado todas, não precisava mais. Talvez fumo, mas não me lembro de a gente se drogar para gravar.

    Eu tava lendo um livro do Noel Redding, que era baixista do [Jimi] Hendrix, cara, não sei como é que eles conseguiam. A quantidade de drogas que eles tomavam era um negócio absurdo, só podiam morrer mesmo.

    A gente não tomava droga assim, não, era uma coisa muito mais controlada. A gente era meio macrobiótico, não bebia. Bebida pra gente era uma coisa muito careta, coisa de mauricinho. Era uma outra história, tinha uma coisa meio esotérica, disco voador, mas não era tanta droga assim.

    ROBERTO MENESCAL - Sempre fui supercareta. Eu era muito esportista, fazia caça submarina na época. Não fumava nem cigarro normal.

    Tava com a cabeça tão no disco que o pessoal meio que escondia [drogas] de mim. Sabia que pintava; eles pediam um repouso, eu deixava uns 15 minutos, não me metia na coisa.

    Mas tinha o seguinte: o estúdio está alugado, tem que gravar. Meu papel também era esse. E nisso eles foram bem legais. A gente entrava no estúdio e passava o dia inteiro, a noite, tudo. Não me lembro em quanto tempo gravamos, mas diria que não deve ter levado mais de uma semana.

    ARNALDO BAPTISTA - A gente não ensaiou, não ficou horas repetindo. O disco foi gravado numa de "chegamos lá e tocamos, todo mundo junto". Não teve playback, foi praticamente o disco inteiro gravado junto com o Liminha e o Dinho.

    Só "Desculpe" que foi depois, com o Sérgio Kaffa no baixo, meio de improviso.

    Foi feito assim. Inclusive a Rita Lee faz backing vocal numa música, "Não Estou nem Aí" [Rita também participa de "Vou me Afundar na Lingerie"]. Não consigo lembrar totalmente bem, mas ela estava no meio da minha vida. Não sei como aconteceu, mas ela estava lá no estúdio e gravou. Então foi tudo assim: eu convidava e, aos poucos, fui selecionando o resultado total do trabalho.

    O Liminha, depois que a gente gravou, falou "ficou muito Sérgio Mendes, vamos fazer de novo". Eu disse "não, não, não, é original". Ele queria uma coisa mais Yes, sei lá, mas eu não quis. Queria como fiz.

    LIMINHA - É curioso porque hoje eu sou superamigo do Sérgio Mendes, estou inclusive produzindo faixas do disco novo dele. É curioso também porque os Mutantes eram meio radicais com tudo e eu tinha uma curiosidade muito grande com vários estilos de música, assistia ao "Fino da Bossa" quando era moleque, já ouvia jazz também nessa época, ouvia Dave Brubeck, Jimmy Smith, um monte de coisa. O baixo é um instrumento que está presente tanto num trio de jazz, de bossa nova, quanto num trio de rock.

    DINHO LEME - Hoje, depois de passados alguns anos, vejo que a espontaneidade, esse "parecer Sérgio Mendes", era exatamente o que ele estava buscando.

    Gravamos a maior parte das músicas meio aborrecidos com essa situação, por ele não deixar a gente gravar uma [versão] melhor. Mas ele tinha razão, porque a espontaneidade do que fizemos ali foi o que valeu.

    Ele deve ter sentido isso. Se a gente tava espiritualmente ligado no som e tocando legal e sentindo peça por peça, prato por prato, tambor por tambor, corda por corda, acho que ele estava com o sentimento cem vezes mais aguçado.

    ROBERTO MENESCAL - Tudo que aconteceu foi uma criação em grupo, posso te garantir isso. Foi acontecendo. Eu estava ali para ver se conseguia que aquilo andasse pra frente, virasse um produto, apesar das dúvidas todas da gravadora.

    E nisso tem uma pessoa que é muito importante, que é o André Midani, que era presidente da gravadora. Ele tinha essa cabeça de "vai lá, tenta; vamos gastar um dinheiro, mas vamos lá". É difícil um presidente de gravadora, hoje ou naquela época, topar fazer essas coisas.

    ANDRÉ MIDANI (ex-presidente da gravadora Polygram) - Esperávamos sucesso de muitas formas [não necessariamente comercial]. No início, Arnaldo podia sim ser sucesso, como Caetano, Gil e Mutantes nos seus inícios. A cena musical era muito generosa. Era, para todos nós, uma época muito louca. Muito bonita para alguns, difícil para outros. Gostava muito do talento do Arnaldo, do Sérgio também.

    ARNALDO BAPTISTA - Eu gravei esse LP, e o Midani não quis fazer promoção. Então não teve shows na Globo, essas coisas, né? Eu fiquei atirado às traças com esse LP.

    Tinha feito um contrato com ele muitos anos antes, com os Mutantes. Era uma porcaria, muito pouco dinheiro, naquela época não tinha nenhum contrato, então assinei qualquer coisa. E vale até hoje. É uma porcaria de dinheiro.

    ANDRÉ MIDANI - Não tenho recordações. Porém, me parece que, frente às dificuldades pelas quais Arnaldo estava passando, eu possa ter considerado prudente não tomar muito risco na promoção do disco. Artista sempre se queixa quando o sucesso tarda a vir ou não vem.

    DINHO LEME - Acho que não tinha clima para o disco acontecer na época. A própria Polygram, o próprio André Midani já estavam achando que não ia rolar muito. A gente [Mutantes] sempre foi considerado [pela crítica], mas não era comercial.

    Fazíamos poucos shows no Brasil. Éramos reconhecidos quando íamos para a Europa, mas também não era assim [um sucesso de público]. Então não tinha expectativa nenhuma.

    LIMINHA - É um disco importante. Essa fase dessa gravação do Arnaldo foi uma em que a gente estava meio mal de cabeça, todo mundo. A Rita tinha saído, o Arnaldo tinha saído, não foi uma fase brilhante, uma coisa solar, festiva. A gente estava meio descendo a ladeira.

    MARCO MAZZOLA - Sempre achei [o disco] algo diferenciado, mas não teve grande sucesso. Lembro que as pessoas contestaram. A expectativa era grande, todo mundo enchia a bola dele, mas não foi nada disso. Ele [Arnaldo] entrou em depressão. Depois de anos, as pessoas começaram a dar atenção, a dizer "ah é, que disco lindo".

    ROBERTO MENESCAL - Não vendeu nada na época.Ficou aquele disco cult, de que até hoje todo mundo fala. A gravadora não esperava mais do que isso, não.

    A gente fazia as coisas que vendem, que são comerciais, para poder bancar as diferentes. O bacana foi ter a possibilidade de tentar coisas. Muitas não aconteceram.

    O resultado foi legal, não foi comercialmente importante, mas para a história da música, para mostrar o que acontecia naquela época, tá aí o disco.

    ARNALDO BAPTISTA - Às vezes ouço esse disco. Inclusive o tenho estudado, porque vou tocar esse LP em três shows, em comemoração ao relançamento.

    Foi recentemente que ele ganhou esse status. Isso tem a ver com a profundidade que ele possui em todos os sentidos, seja musical, seja poético.

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    Eu me identifico tanto com ele hoje quanto naquela época. Sou como o jovem de 25 anos que está aí, podes crer. Naquela época, pensei: "Será que vou conseguir me expor o suficiente para as pessoas me entenderem?". Hoje estou na mesma situação, no sentido de carreira.

    Mas acho que o "Singin' Alone" [1982] é mais importante, porque toco todos os instrumentos, sou eu sozinho. Musicalmente, prefiro ele.

    MARCO AURÉLIO CANÔNICO, 39, é colunista e repórter associado da Folha.

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