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    Com endividamento e queda do preço do petróleo, agência rebaixa Petrobras

    TONI SCIARRETTA
    DE SÃO PAULO
    SAMANTHA LIMA
    DO RIO

    22/10/2014 02h00

    A cinco dias da eleição presidencial, a agência de classificação de risco Moody's decidiu reduzir a avaliação da Petrobras, a maior estatal brasileira. A nota mede a capacidade de uma empresa pagar suas dívidas e serve de baliza para os investidores.

    Embora as agências de classificação tenham cometido erros de avaliação na crise global de 2008, notas menores atribuídas por elas tendem a afastar investidores e a derrubar o preço das ações.

    Em nota, a Petrobras ressaltou que foi mantido o grau de investimento -espécie de selo de bom pagador- da estatal. A Moodys rebaixou a nota da Petrobras de Baa1 para Baa2, considerada mediana, e colocou a avaliação em perspectiva negativa (pode ocorrer novo rebaixamento).

    Para perder o grau de investimento, a avaliação precisa cair ainda mais dois degraus: Baa2 e Baa3.

    O motivo para o rebaixamento foi o alto endividamento da estatal, que se torna mais difícil de administrar com a queda nos preços do petróleo. Para a agência, a capacidade da Petrobras de honrar sua dívida piorou nas últimas semanas, após o petróleo descer ao menor valor em quatro anos.

    O rebaixamento da Petrobras foi comunicado após o fechamento da Bolsa, e só deve ter impacto nesta quarta (22) nos mercados.

    Editoria de Arte/Folhapress

    Na terça (21), as ações preferenciais (sem voto) já tinham recuado 6,92% para R$ 16,68. Os papéis ordinários (com voto) caíram 5,43% para R$ 16,19. A baixa foi atribuída à vantagem numérica da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas (leia ao lado).

    A Moody´s afirmou que só "bem depois" de 2016 a Petrobras conseguirá reduzir seu endividamento, o que contraria as expectativas originais da agência.

    "Enquanto a Petrobras tem sido relativamente bem-sucedida na execução do seu programa de capitais ambicioso e cumpriu metas de produção agressivas, a alavancagem continuou a crescer em 2014, dada principalmente a sua incapacidade de repassar os custos relacionados com derivados de petróleo importados, além da desvalorização da moeda local", disse Nymia Almeida, responsável pela avaliação na Moody´s.

    A dívida líquida da Petrobras está em R$ 241,3 bilhões -cresceu R$ 20 bilhões em três meses. A empresa tem uma alavancagem estimada em 40% -ou seja, utiliza 40% de capital de terceiros para o seu total de ativos (patrimônio líquido mais de sua dívida)-, enquanto o recomendável para grau de investimento é de 35%.

    A relação entre dívida e Ebitda, importante medida de dívida (demonstra quantos anos a empresa precisa trabalhar para gerar caixa para cobrir sua dívida), aumentou de 3,52 para 3,94 em apenas seis meses. A meta era baixar para 2,5 até 2015.

    A maior dificuldade para reduzir a dívida é o enorme plano de investimento (US$ 44 bilhões por ano) e a defasagem no repasse de preços, que agora não existe mais. A defasagem custou R$ 59,3 bilhões nos últimos três anos, segundo a corretora Gradual.

    Nesta terça (21), o petróleo do tipo Brent fechou a US$ 86,23 o barril, com alta de 0,97% no dia; no ano, porém, a queda é de 22,5%. O real também se desvalorizou 4,7% no ano, até agora.

    No Brasil, diz-se que a exploração de petróleo no pré-sal se torna inviável com a commodity abaixo de US$ 80.

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