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    Dólar bate R$ 3,12 e Bolsa cai com lista de Janot e panelaço contra Dilma

    DE SÃO PAULO

    09/03/2015 11h03

    O dólar começou esta segunda-feira (9) em alta e bateu R$ 3,12 nesta tarde com preocupações com o cenário político do país. A Bolsa cai.

    Pesam no mercado a divulgação, na última sexta (6), de nomes de investigados na Operação Lava Jato da Polícia Federal, que figuram na "lista de Janot", e o panelaço registrado durante pronunciamento da presidente Dilma Rousseff (PT) neste domingo (8) em várias cidades do país.

    A lista traz, entre outros 48 nomes, os do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

    Às 15h32, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, subia 2,17%, a R$ 3,12, maior valor desde 28 de junho de 2004. O dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, avançava 2,22%, a R$ 3,125, no mesmo horário. É a maior cotação desde 28 de junho de 2004.

    Às 15h33, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caía 1,75%, a 49.106 pontos. Das 68 ações negociadas, 54 caíam, nove subiam e cinco operavam inalteradas.

    LISTA DE JANOT

    Dos políticos com foro privilegiado mencionados, 22 são deputados –18 do PP, dois do PMDB e dois do PT– e 12 são senadores –quatro do PMDB, três do PT, três do PP, um do PSDB e um do PTB.

    "Os desdobramentos da 'lista de Janot' estão incendiando as relações no Congresso e, aparentemente, jogando o comando do PMDB para a oposição, algo bastante inoportuno para o Executivo", afirma Marco Aurélio Barbosa, analista da CM Capital Markets, em relatório.

    Com o relacionamento tenso, fica mais difícil para o governo conseguir a aprovação das medidas de ajuste fiscal.

    PANELAÇO

    O panelaço registrado durante o discurso da presidente Dilma no domingo (8) também contribui para a tensão política. Dilma defendeu os ajustes fiscais e culpou a crise internacional pela situação econômica ruim do país.

    Durante a fala, houve buzinaço, panelaço e vaias em ao menos 12 capitais -São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Vitória, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia, Belém, Recife, Maceió e Fortaleza. Nas janelas dos prédios, moradores batiam panelas, xingavam a presidente, enquanto piscavam as luzes dos apartamentos.

    "Um ambiente ruim como esse traz mais insegurança ao mercado financeiro. É preciso lembrar que a eleição foi 51% [para Dilma] a 49% [para Aécio Neves, candidato do PSDB], o que mostra um país bastante dividido. Com os ajustes fiscais, a inflação em um patamar elevado, os juros subindo, o desemprego aumentando, a conjuntura se deteriora nos últimos meses", afirma Roberto Indech, analista da corretora Rico.

    PROJEÇÕES ECONÔMICAS

    Nesta manhã, o Banco Central deu sequência ao seu programa de intervenções no mercado de câmbio, negociando contratos de swap cambial (equivalentes a uma venda futura de dólares).

    O mau humor dos investidores era agravado pela pesquisa semanal do Banco Central com economistas, o chamado boletim Focus, divulgado nesta segunda (9). As projeções apontam para uma inflação maior neste ano, a mais alta desde 2003, e retração do PIB em 2015, a mais intensa desde 1990.

    "O mercado enxerga um IPCA [índice oficial de inflação] na casa de 8% em 2015 em função do aumento dos preços administrados", diz Roberto Indech, da Rico.

    Folhainvest

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