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    Envolvida na Lava Jato, Galvão Engenharia pede recuperação judicial

    RAQUEL LANDIM
    DE SÃO PAULO

    25/03/2015 20h07

    Investigada na Operação Lava Jato, a Galvão Engenharia pediu recuperação judicial nesta quarta-feira (25) na Justiça do Rio de Janeiro. As dívidas envolvidas no processo chegam a R$ 1,84 bilhão.

    A recuperação judicial é uma espécie de "trégua" que a empresa solicita ao juiz para deixar de pagar fornecedores e credores. O objetivo é evitar a falência.

    Em comunicado à imprensa, a empresa alega que está numa situação financeira complicada, que foi agravada pela "inadimplência de alguns de seus principais clientes, entre eles a Petrobras".

    A Galvão Engenharia é uma das empresas acusadas de pagar propina para ex-funcionários da Petrobras a fim de obter contratos e aprovar aditivos. O diretor da empresa, Erton Medeiros Fonseca, está preso. A companhia nega as acusações.

    Com uma receita líquida de R$ 3,6 bilhões no ano passado, a construtora faz parte dos consórcios responsáveis por obras como a hidrelétrica de Belo Monte, a ampliação das linhas 5 (lilás) e 2 (verde) do metrô de São Paulo e a Ferrovia Leste Oeste.

    A situação financeira das empresas investigadas na Lava Jato é bastante complicada. O crédito bancário secou e as companhias enfrentam atraso no pagamento por obras já feitas para a Petrobras e o governo federal.

    Nas últimas semanas, a Alumini também pediu recuperação judicial e é bem provável que outras empresas sigam pelo menos caminho.

    Os casos mais prováveis são OAS e Engevix.

    Os advogados da Galvão Engenharia optaram por incluir no processo de recuperação judicial a Galvão Engenharia e a holding Galvão Participações.

    Outras companhias do grupo -CAB Ambiental, Galvão Óleo e Gás, Concessionária de Rodovias Galvão BR 153 e Galvão Finanças- ficaram de fora. O caso está a cargo do escritório Galdino, Coelho, Mendes e Carneiro.

    De acordo com a petição entregue à Justiça, a qual a Folha teve acesso, a Galvão Engenharia tem dívidas de R$ 410 milhões com fornecedores, R$ 700 milhões com bancos e R$ 30 milhões com ex-empregados.

    A empresa demitiu 1.700 pessoas nos últimos dias.

    A holding Galvão Participações está devendo mais R$ 700 milhões por causa de uma emissão de debêntures (títulos de dívida).

    Na petição,o grupo Galvão sustenta que seu negócio é viável, apesar do tamanho do endividamento. Segundo o documento, a empresa tem a receber cerca de R$ 2 bilhões por obras já executadas e não pagas, e sua carteira de contratos chega a R$ 6,7 bilhões.

    A companhia afirma ainda que, se for obrigada a pedir falência, mais de 200 mil pessoas serão afetadas, incluindo 12 mil funcionários diretos, 50 mil funcionários indiretos e suas famílias.

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