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    Entenda a Operação Zelotes da Polícia Federal

    DE SÃO PAULO

    01/04/2015 17h32 - Atualizado às 21h07

    Sérgio Lima/Folhapress
    BRASILIA, DF, BRASIL, 26-03-2015: A Policia Federal deflagrou nesta quinta-feira (26-03) a Operação Zelotes, com o objetivo de desarticular organizações que atuavam junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Conselho de Contribuintes da Receita (Carf), manipulando o trâmite de processos e o resultado de julgamentos. Mesa: esquerda para direita, Delegado Marlon Cajado dos Santos - PF (coordenador op. Zelotes ), Delegado Oslaim Campos Santana (diretor de combate ao crime organizado da PF), Luiz fernando Teixeira Nunes (secretario adjunto da Receita Federal), Fabiana Vieira Lima (corregedora geral do Ministério da Fazenda) e Frederico Paiva (procurador da Republica, na sede da Policia Federal, em Brasilia. (Foto: Sergio Lima Folhapress - PODER)
    Polícia Federal deflagrou em março operação para desarticular organizações que atuavam junto ao Carf

    Deflagrada no fim de março de 2015 com origem em uma carta anônima entregue num envelope pardo, a Operação Zelotes da Polícia Federal investiga um dos maiores esquemas de sonegação fiscal já descobertos no país.

    Suspeita-se que quadrilhas atuavam junto ao Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão ligado ao Ministério da Fazenda, revertendo ou anulando multas. A operação também foca lobbies envolvendo grandes empresas do país.

    Dois meses após o início da operação, o Senado instalou uma CPI. O relatório final foi apresentado em dezembro e ignorou o possível envolvimento de políticos na venda de medidas provisórias.

    Em outubro de 2015, a Polícia Federal realizou um mandado de busca e apreensão na empresa LFT Marketing Esportivo, que pertence a Luís Claudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, nos Jardins, bairro nobre de São Paulo.

    A companhia é suspeita de ter recebido repasses da Marcondes & Mautoni, empresa de lobistas que atuaram na aprovação de medida provisória que prorrogou a isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a indústria automobilística.

    Outro investigado de peso da Zelotes é o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Augusto Nardes, relator da reprovação das contas da presidente Dilma Rousseff.

    De acordo com a investigação, ele teria recebido, através de uma empresa da qual foi sócio até 2005 —atualmente em nome de seu sobrinho— pagamentos da SGR Consultoria, que teria corrompido conselheiros do Carf para favorecer clientes que recorreram ao Carf para discutir multas.

    Em fevereiro deste ano, outra CPI foi instalada para investigar o esquema de pagamento de propina no Carf, dessa vez pela Câmara.

    PAPEL DO CARF

    O órgão é um tribunal administrativo formado por representantes da Fazenda e dos contribuintes (empresas) que julga hoje processos que correspondem a R$ 580 bilhões.

    O nome Zelotes vem do adjetivo zelote, referente àquele que finge ter zelo. Ele faz alusão ao contraste entre a função dos conselheiros do Carf de resguardar os cofres públicos e os possíveis desvios que efetuaram.

    Em geral, é julgada pelo órgão (Carf) uma empresa autuada por escolher determinada estratégia tributária que, segundo a fiscalização, estava em desacordo com a lei.

    Estão sob suspeita 74 processos que somam R$ 19 bilhões em valores devidos ao fisco.

    A Polícia já confirmou prejuízo de R$ 6 bilhões aos cofres públicos. O valor equivale a cerca de três vezes o dinheiro desviado da Petrobras por meio do esquema desarticulado pela Operação Lava Jato, se considerada a cifra levantada em janeiro pelo Ministério Público Federal (R$ 2,1 bilhões).

    Com a paralisação do Carf devido à investigação, a Unafisco (associação dos auditores) calcula em R$ 30 bilhões a queda de arrecadação para o ano.

    Editoria de arte/Folhapress

    SOB SUSPEITA

    As investigações começaram em 2013 e alcançam processos que vêm desde 2005.

    Entre 74 empresários, companhias e entidades investigadas estão nomes como Petrobras, Embraer, TIM e o Partido Progressista (PP). Cada um é acusado de ter diferentes níveis de envolvimento no esquema.

    Todos negam envolvimento em crimes, ou afirmam que ainda não conhecem o teor das investigações.

    Em 12 dos processos, a polícia encontrou "elementos consideráveis de irregularidades".

    Estão nesse grupo Gerdau e RBS; as companhias Cimento Penha, J.G. Rodrigues, Café Irmãos Julio, Mundial-Eberle; as empresas do setor automotivo Ford e Mitsubishi, além de instituições financeiras Santander, Safra, Bradesco e Boston Negócios.

    Segundo investigadores, muitos dos atores subornaram integrantes do Carf.

    Outros, porém, foram procurados por facilitadores que intermediavam o suborno a conselheiros do órgão, mas ainda não há contra eles elementos que comprovem o pagamento de propina.

    Em meio ao escândalo, o Carf suspendeu todas as sessões de 2015, sem adiantar prazo para que as datas sejam revistas.

    ATUAÇÃO DAS QUADRILHAS

    A Operação Zelotes aponta que as quadrilhas, formadas por conselheiros, ex-conselheiros e servidores públicos, usavam o acesso privilegiado a informações para identificar "clientes", contatados por meio de "captadores", que poderiam ser empresas de lobby, consultorias ou escritórios de advocacia.

    Segundo Marlon Cajado, delegado da Polícia Federal que comandou a operação, as empresas pagavam propina de até 10% para que os grupos "manipulassem" vereditos do Carf em processos de casos que envolvem dívidas tributárias de R$ 1 bilhão a R$ 3 bilhões, anulando ou atenuando cobranças da Receita.

    Cada turma do Carf possui seis conselheiros: três indicados pelos contribuintes (empresas), e três indicados pela Fazenda Nacional. No geral, os três conselheiros indicados pelos contribuintes tendem a votar a favor das empresas. Por isso, para que o esquema funcionasse, era necessário corromper ao menos um conselheiro indicado pela Fazenda.

    O pagamento era feito pelas empresas aos "captadores". Após ficar com sua fatia, eles repassavam o resto para as quadrilhas, que por sua vez sacavam os valores e os distribuíam aos envolvidos.

    Entre os conselheiros citados está Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, pai de Eduardo da Fonte (PE), líder do PP na Câmara. A Folha não conseguiu localizar Albuquerque Silva.

    "CARREIRA" NO CARF

    Um aspecto do funcionamento do Carf chamou a atenção do Ministério Público. "Havia uma série de advogados pleiteando uma cadeira no conselho, embora a função não seja remunerada", diz o procurador federal Frederico Paiva, responsável pelo caso.

    A investigação aponta indícios de que ex-conselheiros, mesmo após deixarem o colegiado, mantiveram pessoas de sua confiança no órgão.

    Esses "herdeiros" teriam como função dar continuidade ao esquema de corrupção, repartindo os recursos recebidos ilegalmente.

    Os investigados poderão responder pelos crimes de advocacia administrativa fazendária, tráfico de influência, corrupção passiva, corrupção ativa, associação criminosa, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

    Após a operação ser deflagrada, o Ministério da Fazenda informou que abrirá processos administrativos contra os servidores e conselheiros suspeitos.

    Além disso, anunciou que vai processar as empresas envolvidas, mas não respondeu quando questionado sobre como a fraude ocorreu por tanto tempo sem ser percebida por mecanismos de controle.

    -

    CRONOLOGIA

    2015

    26.mar
    Polícia Federal realiza operação contra três quadrilhas suspeitas de operar de causar prejuízo de pelo menos R$ 6 bilhões aos cofres públicos.

    28.mar
    Mais de R$ 2 milhões são apreendidos em Brasília e São Paulo pela Polícia Federal durante a Zelotes, segundo balanço da polícia.

    31.mar
    Em meio às suspeitas de pagamento de propina aos seus conselheiros, o Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) suspende todas as sessões previstas para este ano.

    O ministro Joaquim Levy (Fazenda) defende mudanças no para dar mais transparência aos processos analisados pelo Carf, que é subordinado à Fazenda.

    Marlene Bergamo/Folhapress
    MERCADO - Sao Paulo - SP - O Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, participa de Seminario Internacional Sistema Financeiro, Economia Verde e Mudanças Climaticas- 16/09/2015 - Foto - Marlene Bergamo/ Folhapress - 0717.
    O ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy

    A PF inclui Petrobras e partido PP em lista de investigados por suposta fraude fiscal.

    2.abr
    Em e-mail apreendido pela Polícia Federal, ex-presidente do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) Edison Pereira Rodrigues afirma que garantiria à Ford "95% de chances" de a montadora sair vitoriosa em um processo para reduzir ou anular multas da Receita.

    Alan Marques/Folhapress
    Edison Pereira Rodrigues, ex-presidente do Carf, é ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito que estuda desvios no órgão, em Brasília
    Edison Pereira Rodrigues, ex-presidente do Carf, é ouvido na CPI que estuda desvios no órgão

    O e-mail, obtido pela reportagem, é de 2011 e não identifica quem é o seu destinatário. Rodrigues, na mensagem, cita ter "trabalhado para a Mitsubishi", com sucesso.

    3.abr
    Escutas telefônicas feitas pelos investigadores do esquema de compra de decisões do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) revelam a existência de uma tabela de preços para grandes empresas interessadas em decisões favoráveis.

    4.abr
    Ex-secretário da Receita Federal Otacílio Cartaxo, que foi presidente do Carf, se torna um dos principais alvos da Operação Zelotes.

    7.abr
    Procuradoria-geral da República (PGR) confirma a criação de uma força-tarefa para aprofundar as investigações da Operação Zelotes.

    14.abr
    Paulo Roberto Cortez, um dos conselheiros do Carf suspeitos de fraudar decisões do órgão em troca de propina, tem R$ 300 mil apreendidos em sua casa pela PF.

    25.abr
    Governo diz que reformulará regras do Carf. Uma das mudanças seria adotar modelo impedindo que conselheiros advoguem contra a União.

    13.mai
    Ministério Público Federal afirma que não conseguirá reunir provas suficientes para anular 90% das 74 decisões supostamente irregulares do Carf.

    19.mai
    Senado instala CPI para investigar o esquema de pagamento de propina a integrantes do Carf.

    10.jun
    Ministério da Fazenda divulga novo regimento do Carf. Os novos conselheiros do órgão que analisa recursos contra decisões do Fisco não podem ser parentes de pessoas que atuam ou atuaram no Carf nos últimos três anos.

    Também não podem ter vínculo profissional com outros conselheiros da mesma seção de julgamento.

    18.jun
    Auditor aposentado Nelson Mallman afirma ter sido um dos responsáveis pela elaboração de documento que apontava em 2013 problemas no julgamento de grandes causas contra a Fazenda Nacional, junto com seu atual sócio Paulo Roberto Cortez.

    Posteriormente, em fevereiro de 2014, a Polícia Federal recebeu uma carta anônima, com denúncias semelhantes, que deu início à Operação Zelotes.

    Marcelo Camargo/Agência Brasil
    O advogado Nelson Mallman, investigado pela Operação Zelotes da Polícia Federal, depõe na CPI do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), no Senado (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
    O advogado Nelson Mallman depõe na CPI do Carf no Senado

    20.jun
    Ministério Público Federal pede afastamento do juiz Ricardo Augusto Soares Leite da 10ª Vara Federal de Brasília, então juiz da Operação Zelotes.

    Leite havia negado todos os pedidos de prisão dos investigados, suspendeu escuta telefônica e não autorizou buscas e apreensões.

    23.jun
    CPI convoca 13 pessoas, entre eles executivos da Ford, Mitsubishi Motors, Santander, Grupo RBS, CNC (Confederação Nacional do Comércio) e Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes e Veículos Automotores).

    Foram chamados ainda ex-conselheiros do órgão, o ex-presidente do Carf, Edison Pereira Rodrigues, e Lutero Fernandes do Nascimento, assessor de Otacílio Dantas Cartaxo, ex-presidente do conselho.

    Convocado a depor na CPI do Carf, o presidente da Anfavea (Associação das Montadoras de Veículos), Luiz Moan, diz que atende com "tranquilidade" o chamado.

    9.jul
    CPI convoca nove pessoas para depor, entre elas Antônio Maciel Neto, presidente da Caoa Motor do Brasil, Cristiano Kok, presidente do Conselho de Administração da Engevix Engenharia, Jason Zhao, CEO da Huawei do Brasil, e Alexandre Paes dos Santos, sócio da empresa Davos Energia.

    Ernesto Rodrigues/Folhapress
    Entrevista com o empresário Cristiano Kok, presidente do conselho de administração da empreiteira Engevix, investigada na Lava Jato
    O empresário Cristiano Kok, presidente do conselho de administração da Engevix, investigada na Lava Jato

    Também foram chamados o ex-presidente do Carf Otacílio Cartaxo, ex-secretário da Receita, e os ex-conselheiros José Ricardo da Silva e Leonardo Manzan.

    16.jul
    CPI aprova a quebra de sigilo de sete pessoas e duas empresas ligadas à suposta participação da MMC Automotores do Brasil LTDA. - Mitsubishi Motors no esquema.

    15.set
    Ex-vice-presidente jurídico e institucional do grupo RBS, de onde se desligou em 2009, o deputado federal Afonso Motta (PDT-RS) é citado nas investigações da Polícia Federal sobre o esquema de corrupção no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).

    O nome do parlamentar surgiu no inquérito aberto para apurar as suspeitas de participação do grupo de comunicação.

    2.out
    E-mail anônimo obtido pelo jornal "O Estado de S. Paulo" sugere que escritórios de advocacia citados na Zelotes foram contratados por lobistas para atuarem pela MP 471, que prorrogava incentivos fiscais de R$ 1,3 bilhão por ano para montadoras. Segundo o jornal, empresas do setor negociaram pagar até R$ 36 milhões, incluindo propina a agentes públicos, para conseguir a extensão do benefício.

    Ainda de acordo com o jornal, o filho do ex-presidente Lula teria recebido R$ 2,4 milhões da Marcondes & Mautoni, um dos escritórios citados nas duas investigações (o outro é a SGR Consultoria). Ao jornal, ele disse que prestou serviços na área de marketing esportivo.

    6.out
    Polícia Federal e Ministério Público Federal encontraram indícios de que o ministro do Tribunal de Contas da União Augusto Nardes, relator das contas da presidente Dilma Rousseff, pode ter recebido R$ 1,65 milhão de uma empresa investigada sob suspeita de envolvimento com fraudes fiscais.

    Editoria de Arte/Folhapress

    Nardes foi sócio até 2005 da empresa Planalto Soluções e Negócios, registrada em nome de seu sobrinho, Carlos Juliano.

    Segundo investigadores, a companhia recebeu pagamentos da SGR Consultoria, que teria corrompido conselheiros do Carf para favorecer empresas que recorreram ao órgão para discutir multas.

    9.out
    A Polícia Fiscal cumpre sete mandados de busca e apreensão, sendo cinco em Brasília e dois no Rio de Janeiro. No Rio, policiais estiveram no escritório de advocacia e na residência de Valmir Sandri, conselheiro do colegiado entre 1998 e abril deste ano.

    Editoria de Arte/Folhapress

    O advogado de Sandri, Pedro Ivo, diz que seu cliente se colocou à disposição das autoridades e que a busca foi desnecessária.

    10.out
    Documentos apreendidos pela Operação Zelotes revelam que o ministro do TCU Augusto Nardes era um dos donos da empresa Planalto Soluções quando essa fechou parceria com uma das principais firmas de consultoria envolvidas no escândalo.

    13.out
    Publicada informação de que Petrobras, BNDES, Caixa Econômica e Banco do Brasil pagaram, com dispensa de licitação, um total de R$ 2,9 milhões para o Instituto Pela Produção, Emprego e Desenvolvimento promover eventos culturais na cidade natal do ministro, Santo Angelo (RS), que tem 79 mil habitantes, e em um município vizinho.

    O instituto tem entre seus responsáveis Carlos Juliano Nardes sobrinho do ministro do TCU Augusto Nardes.

    15.out
    Em depoimento na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre vendas de sentenças no Carf, a ex-funcionária do escritório J.R. Silva Advogados e Associados, Gegliane Bessa, disse que repassou quantias em espécie ao sócio Juliano Nardes, sobrinho do ministro do TCU Augusto Nardes.

    Alan Marques/Folhapress
    BRASÍLIA, DF, BRASIL, 15.10.2015. A CPI da Carf faz acareação entre Hugo Rodrigues Borges, funcionário do escritório J.R. Silva advogados, e a contadora Gegliane Maria Bessa Pinto (foto).(FOTO Alan Marques/ Folhapress) PODER
    A ex-funcionária do escritório J.R. Silva Advogados Associados Gegliane Bessa

    19.out
    Justiça Federal envia ao STF petição do Ministério Público Federal que aponta indícios de que o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Augusto Nardes recebeu recursos de uma das principais empresas investigadas na Operação Zelotes.

    Alan Marques - 7.out.2015/Folhapress
    BRASÍLIA, DF, BRASIL, 07.10.2015. O ministro do TCU Augusto Nardes lê o relatório que reprova as contas da presidência da República e aponta que o governo da Dilma cometeu irregularidades fiscais, conhecidas como "pedaladas fiscais". (FOTO Alan Marques/ Folhapress) PODER
    O ministro do TCU Augusto Nardes lê o relatório que reprova as contas da Presidência da República

    A RBS, que no Carf discutia uma multa aplicada pela Receita, contratou por R$ 11,9 milhões a firma SGR Consultoria, pertencente a um ex-conselheiro do Carf, José Ricardo da Silva.

    Ele, por sua vez pagou, entre dezembro de 2011 e janeiro de 2012, R$ 2,55 milhões à firma Planalto, pertencente ao sobrinho de Nardes, Carlos Juliano. A empresa também teve como sócio, até 2005, o próprio ministro do TCU.

    21.out
    A ministra Cármen Lúcia, vice-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), é apontada como responsável por decidir sobre a investigação do ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Augusto Nardes e do deputado federal Afonso Motta (PDT-RS).

    Pedro Ladeira - 10.jun.2015/Folhapress
    A ministra Cármem Lúcia participa de sessão do Supremo Tribunal Federal
    A ministra Cármem Lúcia participa de sessão do Supremo Tribunal Federal

    22.out
    A Corregedoria-Geral do Ministério da Fazenda informa ter instaurado o primeiro processo disciplinar no âmbito da Zelotes.

    Sem divulgar o nome dos investigados, a Corregedoria da Fazenda se limitou a dizer que o caso trata de negociações para realização de pedido de vista por conselheiro do Carf com promessa de vantagem econômica indevida, em processo envolvendo aproximadamente R$ 113 milhões.

    26.out
    Em nova fase da operação, a PF cumpre mandado de busca e apreensão na empresa LFT Marketing Esportivo, que pertence a Luís Claudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, nos Jardins, bairro nobre de São Paulo.

    João Sal - 5.mai.08/Folhapress
    Luís Cláudio Lula da Silva, filho do presidente da República e assistente de preparação do Palmeiras, na festa de premiação dos melhores do Campeonato Paulista, no HSBC Brasil, em São Paulo (SP). (São Paulo (SP), 05.05.2008. Foto de João Sal/Folhapress)
    Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, em foto de 2008

    A empresa é suspeita de ter recebido repasses da empresa Marcondes & Mautoni, empresa de lobistas que atuaram na aprovação da MP-471, medida provisória que prorrogou a isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a indústria automobilística.

    O advogado de Luís Claudio, Cristiano Zanin Martins, criticou a ação e a classificou como "despropositada".

    Sete meses após o início da Zelotes ter interrompido os julgamentos do Carf, a Unafisco (associação dos auditores) projetava em R$ 30 bilhões as perdas em arrecadação para o ano.

    17.nov
    Operação Zelotes é fatiada em até 19 inquéritos. Cada um deles trata de um episódio que envolve uma empresa supostamente beneficiada.
    A Folha apurou que o Ministério Público trabalha prioritariamente com nove inquéritos específicos para cada suspeita envolvendo uma empresa. A PF contabiliza um número maior de inquéritos por empresas, 16.

    11.dez
    Dois ex-conselheiros do Carf se tornam réus em ação penal por irregularidades no órgão. É a primeira vez que isso ocorre desde o início da Zelotes.

    2016

    4.fev
    O então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje fastado do cargo, cria a CPI do Carf.

    Pedro Ladeira/Folhapress
    BRASILIA, DF, BRASIL, 03-02-2016, 19h00: O presidente da câmara dos deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) preside sessão no plenário da câmara. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    O presidente afastado da câmara dos deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

    11.mar
    Justiça Federal condena o primeiro réu da Zelotes. A decisão estabeleceu pena de 4 anos e três meses em regime semi-aberto para Halysson Carvalho da Silva, acusado de extorquir um lobista e empresários do setor automotivo.

    22.mar
    Procuradoria do Distrito Federal pede o compartilhamento da delação premiada de Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), que teve seu mandato se senador cassado, para ser usada nas investigações da Operação Zelotes.

    Pedro Franca - 26.fev.2014/Associated Press
    O senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS)
    O ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS)

    5.abr
    Procuradoria faz quarta denúncia de corrupção na Operação Zelotes. Foram denunciados dois advogados que representavam dono o do grupo Petrópolis Walter Faria.

    21.abr
    Justiça aceita denúncia contra dono do Banco Safra, Joseph Safra, e outros cinco acusados de envolvimento no pagamento de propina para influenciar julgamentos no Carf.

    Mastrangelo Reino - 4.mai.2011/Folhapress
    SÃO PAULO, SP, BRASIL, 04-05-2011: O banqueiro Joseph Safra na abertura da exposição "Os Anos Grace Kelly", em São Paulo (SP). (Foto:Mastrangelo Reino/Folhapress, ILUSTRADA)
    O banqueiro Joseph Safra

    22.abr
    Justiça aceita denúncia contra suspeitos ligados ao Grupo Petrópolis Walter Faria.

    Luiz Carlos Murauskas - 24.mai.2005/Folhapress
    CERVEJARIA PETROPOLIS. SAO PAULO - MAIO 24: O presidente Walter Faria, da Cervejaria Petropolis, na fabrica em Boituva _ SP em 24 maio 2005, a empresa cresce e toma mercado da AmBev (Foto: Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem - 0614 - SP04923-2005,Snapfoto02;13, Dinheiro) ***Especial***
    O dono do grupo Petrópolis, Walter Faria

    30.abr
    STF abre novo inquérito para investigar a eventual participação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do senador Romero Jucá (PMDB-RR) no suposto esquema de compra de medidas provisórias que está na mira da Operação Zelotes.

    Pedro Ladeira - 17.mar.15/Folhapress
    Os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá, do PMDB, alvos de novo inquérito do STF relacionado à Operação Zelotes
    Renan Calheiros e Romero Jucá, do PMDB, alvos de novo inquérito do STF ligado à Operação Zelotes

    4.mai
    Presidente da MMC Automotores, representantes da Mitsubishi no Brasil, e seis lobistas são condenados na Zelotes.

    6.mai
    Ministério Público denuncia Santander e duas empresas na Zelotes. O MPF pediu a condenação de 23 pessoas por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. Ao todo, nos três casos houve pagamento de R$ 4,5 milhões em suborno.

    16.mai
    PF indicia presidente do Grupo Gerdau e outras 18 pessoas. Eles deverão responder pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, entre outros.
    Com o pedido, a PF finaliza o inquérito aberto para apurar a atuação do grupo junto ao Carf.

    Jorge Araújo/Folhapress 25.fev.2016
    O empresário André Gerdau deixa à sede da Polícia Federal em São Paulo após prestar depoimento, na tarde desta quinta-feira
    André Gerdau, presidente da Gerdau, após deixar a sede da PF em São Paulo

    31.mai
    PF indicia presidente do Bradesco na Operação Zelotes. O indiciamento aponta os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, tráfico de influência, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

    Karime Xavier - 6.ago.2015/Folhapress
    Presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, foi indiciado dentro da Operação Zelotes
    Presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, foi indiciado dentro da Operação Zelotes

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