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    Ajuste será maior sem redução da desoneração da folha, afirma Dilma

    CATIA SEABRA
    DE SÃO PAULO

    29/05/2015 23h47

    A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (29) que o ajuste fiscal pode ser ainda mais rigoroso caso o Congresso Nacional modifique o projeto que reduz a desoneração da folha de pagamentos.

    A proposta do governo prevê uma economia de R$ 12 bilhões anuais para a União com a redução do benefício concedido a alguns setores da economia.

    Segundo Dilma, atualmente, o governo deixa de arrecadar R$ 25 bilhões anuais com a desoneração da folha de pagamentos. Pela proposta do governo, essa perda de receita cairia para R$ 12 bilhões.

    "Por isso, é um projeto crucial. Dá a maior parcela do ajuste fiscal. As MPs são correções."

    Ainda de acordo com Dilma, os investimentos sociais ficarão retraídos enquanto o Congresso Nacional não aprovar o projeto.

    "Há uma agenda de futuro [de projetos sociais], em andamento simultaneamente com o ajuste fiscal. Ela é bastante cuidadosa porque não temos noção do quanto teremos [para implementá-la]. Esse é o nosso problema.
    Não sabemos o quanto precisamos fazer de esforço. Porque não temos todas as medidas aprovadas", disse a presidente, ao participar do 10º Congresso do PCdoB, em São Paulo.

    Ao discursar para militantes de esquerda, a presidente justificou a necessidade do ajuste e afirmou que a "hesitação torna o ambiente nebuloso".

    "Chegamos ao limite do Orçamento, não podemos continuar com os mesmos padrões [de despesas]."

    CRÍTICAS

    Dilma arrancou aplausos dos militantes ao afirmar criticar o governo FHC. "Os ajustes que queremos fazer não têm o mesmo padrão dos realizados antes do governo Lula, não temos como voltar atrás, não fazemos ajuste gastando mais, mas não vamos interromper os programas sociais e de infraestrutura. Esse é o desafio do governo e, por isso, é preciso rapidez na implantação dos ajustes para conquistar o reequilíbrio fiscal."

    Num momento em que o PT, seu partido expõe críticas ao ajuste, a presidente elogiou o PCdoB pela lealdade.

    "Os verdadeiros parceiros ficam conosco em momentos de desafios e estamos vivendo momentos difíceis. Tenho certeza de que posso contar com o PCdoB em todos os momentos, pois nas horas difíceis é que sabemos com quem contar."

    Na sua avaliação, a tarefa de sua gestão é encurtar as restrições mais pesadas e dividir sacrifícios.

    "Dividir os sacrifícios da forma mais justa possível é o que o meu governo procura fazer de forma obstinada, mas não podemos nos iludir, a retomada do crescimento exige esforço de todos."

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