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    Dólar comercial fecha em R$ 3,859, maior valor desde outubro de 2002

    DE SÃO PAULO

    04/09/2015 17h56

    Narong Sangnak/Efe
    Dólar volta a subir com preocupações econômicas e de olho em taxa de juros americana
    Dólar volta a subir com preocupações econômicas e de olho em taxa de juros americana

    Preocupações com as contas públicas brasileiras voltaram a influenciar nesta sexta-feira (4) a alta do dólar, que fechou no maior valor em quase 13 anos. O movimento foi intensificado por dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos que podem motivar um aumento de juros naquele país, o que retiraria investimentos do Brasil e demais emergentes, encarecendo a moeda americana.

    O dólar comercial, utilizado em transações do comércio exterior, subiu 2,63% no dia e 7,58% na semana, para R$ 3,859 na venda –maior valor desde 23 de outubro de 2002, quando fechou cotado em R$ 3,910 (ou R$ 6,62 hoje, após correção inflacionária). A cotação atingiu máxima de R$ 3,862 na sessão.

    Dólar Comercial

    Já o dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 1,40% sobre o real, cotado em R$ 3,836 na venda. É o maior preço desde 24 de outubro de 2002, quando valia R$ 3,838 (ou R$ 6,50 hoje, após correção). Na máxima, a moeda chegou aos R$ 3,838.

    Com este desempenho, houve alta acumulada de 7,02% na semana –maior apreciação semanal desde o período entre 19 e 23 de setembro de 2011, quando subiu 8,77%.

    Foram divulgados pela manhã dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos que mostraram a desaceleração do crescimento do emprego naquele país em agosto, embora números de junho e julho tenham sido revisados para cima.

    Para Eduardo Velho, economista-chefe da gestora Invx Global Partners, os dados de emprego nos EUA corroboram a ideia de um aumento nos juros neste ano, mas não necessariamente na reunião que o Federal Reserve (banco central americano) fará neste mês.

    "Acredito que o Fed vai sinalizar na próxima reunião quando elevará os juros, o que deve ocorrer mais para dezembro", disse. Uma elevação da taxa de juros tende a pressionar o dólar no Brasil, à medida que os investidores optam por tirar seus recursos de países emergentes e aplicar em títulos americanos, mais seguros.

    No geral, a avaliação de analistas é que o cenário interno segue sendo o principal fator que pressiona a cotação do dólar para cima. "Impacta [o câmbio] a sinalização do vice-presidente, Michel Temer, de que a presidente Dilma Rousseff não conseguiria completar o mandato com o nível de popularidade baixo que possui atualmente", afirmou Velho.

    Segundo o economista, "o governo não tem capacidade de aprovar as medidas necessárias para alcançar o ajuste fiscal". Nesta semana, especulações em torno de uma possível saída do ministro Joaquim Levy da Fazenda aumentou o nível de cautela dos investidores.

    Na quarta-feira (2), após falar com Levy por telefone, Dilma fez uma defesa pública do ministro, dizendo que ele "não está desgastado" nem "isolado" no governo. Na véspera, Levy foi a uma reunião convocada pela presidente com os ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Aloizio Mercadante (Casa Civil). O objetivo do encontro foi dar unidade interna em torno do titular da equipe econômica e evitar que ele deixe o cargo por falta de apoio.

    BOLSA RECUA

    No mercado de ações, o principal índice da Bolsa brasileira seguiu o mau humor visto nos mercados internacionais e fechou no vermelho. O Ibovespa perdeu 1,83%, aos 46.497 pontos. O volume financeiro foi de R$ 8,973 bilhões. Na semana, houve baixa de 1,39%.

    No exterior, as Bolsas de Nova York tiveram quedas de mais de 1%, enquanto os mercados acionários europeus amargaram perdas superiores a 2%. Na Ásia, os principais índices de ações fecharam a sexta-feira em baixa.

    Segundo analistas, além da influência externa após dados de emprego nos EUA, o desempenho negativo do Ibovespa também refletiu a piora no quadro macroeconômico e político no Brasil.

    Para o gestor Marcello Paixão, sócio da gestora Constancia NP, será difícil o mercado acionário brasileiro apresentar uma melhora consistente com a economia em forte retração, o dólar e a inflação em alta e a desaceleração global em commodities. "Esse cenário indica queda contínua no resultado das empresas, com raras exceções", avaliou.

    As baixas das ações com maior peso dentro do índice ajudaram a empurrar o Ibovespa para baixo. Fecharam no vermelho os papéis preferenciais (sem direito a voto) de Petrobras (-3,46%), Vale (-3,09%), Itaú (-4,07%) e Bradesco (-4,24%).

    Em sentido oposto, as ações da empresa de energia Eletrobras estiveram entre as principais altas do mercado. Os papéis preferenciais da companhia subiram 6,16%, a R$ 8,44 cada um, enquanto os ordinários (com direito a voto) tiveram valorização de 1,19%, para R$ 5,09.

    A empresa informou na véspera que reapresentou à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) um pedido de indenização de rede de transmissão da Eletronorte no valor de R$ 2,926 bilhões. O valor é menor que os R$ 3,547 bilhões solicitados em 2014.

    O setor siderúrgico deu continuidade aos ganhos registrados desde o início da semana, com o papel preferencial da Usiminas liderando as valorizações do Ibovespa no dia, em alta de 8,12%, para R$ 3,46. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) subiu 4,68%, enquanto a Gerdau teve avanço de 2,36%.

    Com Reuters

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