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    Governo registra aumento na adesão à greve dos caminhoneiros

    MARINA DIAS
    DE BRASÍLIA

    09/11/2015 19h36

    O governo da presidente Dilma Rousseff registrou um aumento na adesão à greve dos caminhoneiros que atingiu pelo menos 14 Estados do país e, apesar de o número não ter sido considerado "preocupante", a ordem no Palácio do Planalto é "não menosprezar" a mobilização que teve início nesta segunda-feira (9).

    Oficialmente, os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Edinho Silva (Comunicação Social), integrantes do gabinete de crise montado pelo Planalto para acompanhar a greve, foram para o embate com os manifestantes.

    Para eles, a paralisação tem "viés político" e "nenhuma reivindicação oficial", pois o movimento é liderado por entidades autônomas, sem vinculação a sindicatos do setor.

    Greve dos caminhoneiros
    Protestos bloqueiam rodovias do país
    Caminhoneiros entram em greve e bloqueiam rodovias

    Segundo Cardozo, o governo vai determinar a aplicação de multa no valor de R$ 1.915 aos caminhoneiros que estão obstruindo as vias, medida que já está prevista em lei. "Autorizamos a aplicação de multa e determinamos que estradas que foram obstruídas sejam liberadas para que os caminhoneiros que quiserem seguir o seu caminho tenham segurança para fazer isso", disse o ministro.

    "Não há uma pauta de reivindicações. Não temos uma possibilidade de negociar em cima de questões que não são apresentadas. É uma pauta política, alimentada por aqueles que querem fazer uma ação política, e lamentamos que seja assim", completou.

    Segundo monitoramento da Polícia Rodoviária Federal, a paralisação começou com sete rodovias federais parcialmente interditadas e nenhum bloqueio total.

    Boletim da Polícia Rodoviária Federal, com informações das 18h (de Brasília), informava a ocorrência manifestações em 11 Estados: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins.

    Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte também registraram protestos ao longo do dia. Em São Paulo, caminhoneiros protestaram na rodovia Raposo Tavares e na capital.

    Locais bloqueados por caminhoneiros

    No fim da tarde, havia 47 pontos de protesto, sendo quatro de interdição total, 22 com bloqueio parcial e 21 sem interdição (apenas aglomeração de caminhoneiros).

    Diante dos números, a ordem no governo é continuar o monitoramento nas estradas pelas próximas horas e, caso cresça a adesão, avaliar se as lideranças serão chamadas para negociação com o governo federal.

    Interlocutores da presidente Dilma Rousseff avaliam que, em relação à última greve do setor, em abril deste ano, o movimento desta segunda foi "bem abaixo do esperado", porém, "um pouco maior" do que aguardava o Planalto.

    Ainda assim, os auxiliares da presidente afirmam que a greve é de movimentos "autônomos", ou seja, sem nenhuma ligação com sindicatos ou representantes oficiais da categoria.

    Segundo o ministro Edinho Silva (Comunicação Social), a paralisação "tem único objetivo de desgastar o governo federal".

    "No nosso entender, essa greve é pontual, que atinge algumas regiões do país e, infelizmente, é uma greve que tem se caracterizado com uma aspiração única de desgaste político do governo", afirmou o ministro após participar da reunião de coordenação política do governo.

    "Nenhuma entidade representativa apresentou pauta de reivindicação ao governo. Você não pode apresentar uma pauta onde o centro seja o desgaste do governo [...] Esperamos que os envolvidos possam colocar acima de qualquer questão o interesse da sociedade", completou Edinho.

    Desde o fim da semana passada, como mostrou a Folha, o Palácio do Planalto montou um gabinete de crise para acompanhar a greve marcada para esta segunda.

    A paralisação é apoiada pelos principais grupos que pedem o impeachment de Dilma, como Revoltados Online, MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem Pra Rua, o que despertou a atenção dos ministros e da própria presidente.

    Dilma estava preocupada com uma possível crise de abastecimento decorrente da paralisação mas foi alertada por auxiliares que a adesão deveria ser baixa, segundo monitoramento de redes sociais feito pelo Planalto e lideranças do setor que dizem ser "de grupos independentes" a iniciativa da greve.

    Mesmo assim, a presidente destacou os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), além do secretário especial do Trabalho, José Lopez Feijóo, para conversar com representantes do setor. Cardozo, a quem é subordinada a Polícia Rodoviária Federal, também está cuidando do movimento nas estradas, enquanto Edinho acompanha a adesão à greve nas redes.

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