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    Crise leva formalidade a escritórios coletivos

    FILIPE OLIVEIRA
    DE SÃO PAULO

    15/11/2015 02h00 - Atualizado às 13h17 Erramos: esse conteúdo foi alterado

    Adriano Vizoni/Folhapress
    A acupunturista Flavia Parente, que trocou a ideia de ter um espaço próprio por uma sala em ambiente coletivo
    Flavia Parente, que trocou a ideia de ter um espaço próprio por uma sala em ambiente coletivo

    Os escritórios compartilhados, conhecidos como coworkings, que costumam abrigar em ambiente descontraído novos empreendedores e profissionais autônomos de áreas ligadas à comunicação, estão se tornando lugar para trabalhar de jaleco ou terno e gravata também.

    Novos escritórios compartilhados estão se especializando em atender advogados, profissionais de saúde, chefs de cozinha, arquitetos e artistas.

    No modelo, a empresa responsável pelo imóvel aluga horas de trabalho em espaços divididos entre vários profissionais.

    Em geral, os coworkings oferecem uma mesa de trabalho em sala dividida entre vários profissionais e estrutura básica, que inclui itens como acesso à internet, recepção, água, luz e limpeza.

    Já nos coworkings especializados, além do design pensado para atender profissionais de uma mesma área, também é possível encontrar itens úteis para seu público, como serviço de correspondentes jurídicos para buscar e levar processos ao fórum —no caso do coworking para advogados— ou ferramentas para confecção de maquetes, no dos arquitetos.

    Os coworkings são opções para profissionais que querem reduzir suas despesas, o que tem se tornado mais necessário na crise, diz Daniel Palácio, gerente do Sebrae-SP.

    A redução de custos ocorre devido à divisão do aluguel e das despesas do escritório entre vários profissionais.

    Um desses espaços especializados, o Legal Space, em Belo Horizonte, tornou-se, em março, o escritório da advogada Aline Barbosa Pinto, 36.

    Ela diz que, após ser desligada do escritório de advocacia em que trabalhou por oito anos, decidiu atuar por conta própria. O menor custo a fez se interessar pelo modelo compartilhado.

    Hoje ela paga R$ 790 mensais em pacote de 12 horas por dia no coworking, que tem 28 estações de trabalho. Se fosse montar seu próprio escritório, gastaria R$ 5.000, estima.

    Segundo a advogada, seu plano inicial era deixar o coworking para se instalar em um espaço próprio em 2016, mas a ideia deve ser adiada:

    "Contratar um espaço significa pagar aluguel, pagar por serviço de secretaria, limpeza, ter problema com cabeamento, com ar-condicionado. São questões que tomam tempo do autônomo".

    Gustavo Miranda, sócio da empresa BuscaSala, que tem um site buscador de espaços de coworking pela internet, diz que a diversificação trará mais adeptos ao modelo compartilhado, especialmente em áreas que exigem mais formalidade:

    "Algumas pessoas ficam receosas de o cliente olhá-las com outros olhos se souber que elas trabalham em um coworking. Esses espaços especializados dão uma cara mais séria, um ar mais formal, em vez de ter um pessoal trabalhando de bermuda."

    O escritório compartilhado costuma ser boa opção para quem está começando e ainda precisa formar sua clientela, diz Palácio, do Sebrae-SP.

    AGULHA

    Mas não é apenas de iniciantes que a ideia pode chamar a atenção.

    A acupunturista Flavia Parente, 43, com 15 anos de atuação na área, também fez contas para se decidir por um espaço compartilhado especializado em profissionais de saúde, no caso o Medical Place, em São Paulo.

    O espaço permite locar salas com maca por horas avulsas, dias ou períodos maiores.

    Parente diz que, antes de se decidir pelo coworking, havia feito pesquisas para alugar uma sala e viu que gastaria R$ 3.000 mensais. No coworking, onde está há um mês, gasta R$ 1.800.

    "Para muitos, esse tipo de sala é uma forma de começar a trabalhar. Para mim, não, tenho bastante cliente, então vim por ter encontrado uma boa oportunidade aqui."

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    • ESCRITÓRIOS COLETIVOS ESPECIALIZADOS

    Advogados

    O Legal Space, de Belo Horizonte, aproveitou a proximidade com o fórum para se especializar no atendimento a advogados; oferece 28 vagas e serviço de correspondente jurídico

    Arquitetos

    A Incubadora de Arquitetura, iniciada em março em Porto Alegre, tem seis espaços para profissionais alugar; oferece material específico para trabalho, como amostra de tintas e materiais como granito

    Artistas

    Criada por proprietário de oficina de mosaicos em março, o General Jardim, em São Paulo, possui oficina em seu subsolo com ferramentas para artistas plásticos, designers e arquitetos

    Chefs

    A House of Food, em SP, permite locar cozinha industrial por a partir de R$ 500 por dia

    Dentistas

    A clínica Querido Odontologia disponibiliza seus espaços ociosos no modelo de coworking, em que é possível alugar salas pelo período da manhã ou da tarde

    Médicos

    A Medical Place, de São Paulo, permite a médicos e demais profissionais da área de saúde alugar salas por a partir de R$ 30

    Pais e mães

    A Casa de Viver, em São Paulo, oferece sala de brinquedos e serviço de cuidador para que crianças possam acompanhar os pais nos dias de trabalho

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