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    Balança comercial registra melhor mês de maio da série histórica

    MACHADO DA COSTA
    DE BRASÍLIA

    01/06/2016 15h07

    O dólar em alta e a atividade econômica em baixa continuam a ajudar no saldo da balança comercial. Em maio deste ano, a diferença entre exportações e importações apontou superavit de US$ 6,4 bilhões, o mais alto para o período desde o início da série histórica, em 1989.

    O recorde anterior para este mês foi registrado em 2008, quando o superavit alcançou R$ 4,6 bilhões.

    Nos cinco primeiros meses do ano, o saldo está positivo em US$ 19,7 bilhões, outro recorde para o comércio exterior brasileiro.

    Apesar de ajudar no superavit, o câmbio ainda não foi capaz de aumentar as receitas das exportações. Na comparação entre maio de 2016 e igual período de 2015, a balança registra queda de 0,2%. No ano, a queda das importações é de 2,6%.

    Por outro lado, o perfil da balança mostra que empresariado brasileiro está exportando com preços mais baixos em dólar. Quando observada sob a ótica do volume exportado, há um crescimento de 15,8% no ano.

    A Secex (Secretaria de Comércio Exterior) destaca também o crescimento no número de empresas exportadoras. Há registro de que 1.703 companhias passaram a vender seus produtos ao exterior esse ano, o que representa um crescimento de 11,5% na base exportadora.

    "Esperamos que até o final do ano as exportações voltem a crescer, puxadas principalmente pelos manufaturados", afirma Daniel Godinho, secretário de Comércio Exterior do Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços).

    Com a pequena queda das exportações, o recorde do saldo é explicado pela queda acentuada das importações –resultado da atividade econômica. Na mesma base de comparação, as importações caíram 24,3%.

    Nesses cinco primeiros meses do ano, o tombo das importações é de 30,8%.

    "O câmbio apoia o movimento exportador", diz Godinho. "A queda das importações acontece em um grau bastante maior, fruto da atividade econômica", complementa.

    O tombo nas importações vem da retração dos preços dos produtos, de 11% no ano, e também no volume de compras feitas pelas empresas brasileiras, de 22%.

    Apesar do motivo não ser animador, a projeção para o saldo do ano é. O governo espera fechar 2016 com um superavit recorde, o que acontecerá se o saldo for superior a US$ 46 bilhões –valor alcançado em 2006.

    "O superavit do comércio exterior é o principal motivo da melhoria das contas externas no país. A balança comercial foi responsável por três quartos da redução do deficit em transações correntes", diz Godinho.

    Entre janeiro a abril deste ano, o deficit das contas externas soma US$ 7,16 bilhões, enquanto que no mesmo período de 2015 o rombo era de US$ 31,9 bilhões.

    PAUTA EXPORTADORA

    A expectativa do governo é que os produtos manufaturados puxem o crescimento das exportações este ano.

    Segundo Godinho, segmentos tradicionais da indústria como o calçadista, têxtil e de máquinas e equipamentos já apresentam melhora no volume de vendas ao exterior com a ajuda do câmbio.

    Além disso, os acordos automotivos, que têm ajudado o Brasil a vender mais carros para Argentina e México, e as vendas de aviões da Embraer para os Estados Unidos estão contribuindo para manter a projeção otimista.

    No ano, as exportações de automóveis cresceram 54,8% e as de aviões, 27,3%.

    "Há um dinamismo nas exportações, com o crescimento firme da venda de automóveis e a recuperação de segmentos tradicionais", afirma Godinho.

    Por outro lado, estrelas da exportação, como minério de ferro e soja podem já ter vivido seus melhores momentos este ano.

    Em maio, o minério de ferro foi vendido a um preço médio 17,4% mais caro, o que fez com que o valor exportado no mês crescesse 37,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Porém, o governo avalia que os preços não devem se sustentar. No acumulado do ano, o minério de ferro apresenta queda 26,4% nas exportações.

    No caso da soja, a antecipação de embarques para aproveitar a alta do dólar fez com que grande parte da safra já tenha sido exportada. Isso ajudou a construir saldos comerciais robustos nos quatro meses do ano. Porém, em maio, com a redução dos embarques, o produto já não contribui tanto para o superavit.

    Enquanto que no ano a soja apresenta um crescimento das exportações de 23,7%, em maio, quando comparado com igual período do ano passado, registrou queda de 5,1%.

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