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    MARCAS DA CRISE

    Na crise, fundos de apoio a empresas inovadoras perdem fôlego

    FILIPE OLIVEIRA
    DE SÃO PAULO

    14/08/2016 02h00

    Luiz Carlos Murauskas/Folhapress
    Luca Cafici e Diego Fischer (a esq.), sócios da empresa InstaCarro
    Luca Cafici e Diego Fischer (a dir.), sócios da empresa InstaCarro

    O incipiente mercado brasileiro de investimentos em start-ups (companhias iniciantes de tecnologia) teve seu crescimento interrompido pela crise política e econômica pela qual passa o país.

    Após quase dobrar de 2012 para 2013, com 150 operações envolvendo fundos de capital de risco, esse mercado perdeu fôlego e somou 135 transações em 2014 e 141 em 2015, segundo a consultoria Transactional Track Record, em parceria com a Merrill Corporation.

    No primeiro semestre deste, foram 78 aportes.

    E, apesar de sinais de melhora da economia, indicadores mostram que o setor vai continuar desaquecido.

    Investimento em novatas - Investimentos feitos por fundos de capital de risco

    O potencial de investimento (medido pelo valor que o investidor prevê para o período) caiu de R$ 2,9 bilhões no biênio 2015/2016 para R$ 1,7 bilhão no período 2016/2017, de acordo com a Anjos do Brasil, organização de apoio ao investimento-anjo (feito por pessoas físicas em start-ups).

    A instabilidade política e os juros altos são alguns dos fatores apontados por investidores para a queda.

    Com o cenário desfavorável, fica mais difícil convencer quem tem dinheiro a optar por esse tipo de investimento, de altíssimo risco (mesmo com promessa de ganhos elevados caso haja sucesso).

    Investimento em novatas - Valor aplicado por investidores-anjo

    Investimento em novatas - Potencial de investimento-anjo no biênio, em R$ bilhões

    Newton Campos, coordenador do Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getulio Vargas, diz que a aposta nesse tipo de empresa inovadora é fundamental para o ganho de competitividade do país.

    A situação do Brasil não ficou fora da pauta quando a start-up InstaCarro, que desenvolve sistema de leilão on-line para venda de carros usados de clientes para revendedores, foi buscar investimentos para crescer.

    A empresa conseguiu levantar US$ 3,5 milhões em dezembro do ano passado.

    Seu presidente, Diego Fischer, 33, afirma que a companhia está perto de fechar outra injeção de capital, agora de US$ 7 milhões.

    Fischer diz que o maior valor do segundo aporte e as reviravoltas políticas do país fizeram a busca ser mais difícil neste ano. "O investidor externo não entende todo o contexto, ele quer saber se o Brasil pode mergulhar em uma situação ainda pior."

    OPORTUNIDADES

    Porém, há quem também veja este momento com otimismo. Anderson Thees, cofundador do fundo Redpoint eventures, afirma que a crise se tornou uma oportunidade para encontrar bons projetos.

    Segundo ele, há vantagens como maiores chances de conseguir mão de obra qualificada e preços mais atrativos nas negociações.

    "Você tem grandes chances de ter sucesso na crise com empresas que trabalham com inovação e oferecem serviços que proporcionam eficiência", diz Pedro Sirotsky Melzer, diretor do fundo e.Bricks Ventures.

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