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    Em 3 anos, valor de projetos da Petrobras fica R$ 109 bilhões menor

    NICOLA PAMPLONA
    DO RIO

    13/11/2016 02h00

    Divulgação
    Vista aérea da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco
    Vista aérea da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco

    A Petrobras cortou, entre o fim de 2014 e setembro deste ano, o valor de seus projetos em R$ 109,1 bilhões, fato que deve levar a empresa a fechar o terceiro ano seguido com prejuízo em 2016.

    Os cortes foram provocados pela revisão das projeções de receita de diversos projetos, determinada pelas variações do câmbio e do preço do petróleo, pelo aumento do risco-país, pelo adiamento da entrada em operação e pela adoção de cálculos mais realistas que os feitos pelas gestões anteriores.

    O resultado imediato desses cortes é o não pagamento de dividendos aos investidores, já que são fator determinante nos prejuízos que a empresa tem acumulado.

    Em 2016, quando reduziu o valor dos ativos em R$ 16,8 bilhões, a companhia acumula prejuízo de R$ 16,5 bilhões, que dificilmente será revertido no quarto trimestre.

    Se não fossem os itens extraordinários (baixas e provisões), ela teria tido ganhado R$ 600 milhões.

    "A baixa foi muito acima do esperado, mas, do ponto de vista prático, a direção da empresa mostra que está arrumando a casa e limpando o balanço", diz o analista de investimento Pedro Galdi, da Upside Investor.

    Conhecida como "impairment", a reavaliação no valor dos ativos é geralmente feita uma vez por ano, para adequar as projeções de receita que uma empresa terá com seus projetos à variação de indicadores econômicos e de mercado.

    NA MIRA DA LAVA JATO

    No caso da Petrobras, essa análise sofreu forte impacto da superavaliação de projetos que depois se tornaram alvo da Operação Lava Jato.

    No balanço de 2014, ela reduziu o valor dos ativos em R$ 44,6 bilhões, principalmente pela revisão das premissas que levaram à aprovação de projetos que não saíram do papel ou não serão concluídos como esperado, como as refinarias do Maranhão, do Ceará e Abreu e Lima e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

    Um ano depois, houve nova baixa, de R$ 44,345 bilhões, agora com forte influência dos efeitos da queda do preço do petróleo no valor dos projetos de exploração e produção.

    Em 2016, os campos de petróleo continuam liderando a lista das maiores baixas, com R$ 5,9 bilhões. Há ainda projetos recorrentes nas reavaliações de ativos da empresa, como a refinaria Abreu e Lima (R$ 2,5 bilhões) e o Comperj (R$ 1,2 bilhão).

    DIVIDENDOS

    O diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, disse na sexta-feira (11) que a empresa não espera novas baixas dessa magnitude ainda em 2016. Mas também não quis adiantar expectativas com relação a pagamento de dividendos.

    Para analistas do banco BTG Pactual, o prejuízo acumulado no ano "reduz fortemente" essa possibilidade.

    A última vez em que a companhia distribuiu dividendos para o seus acionistas foi em abril de 2014. Com 28,7% do capital da Petrobras, a União é a maior beneficiada pelos dividendos da companhia.

    Cortes

    Perda de valor dos ativos desde 2014

    Campos de petróleo no Brasil
    R$ 43,85 bi de perdas

    Foram impactados pela queda do preço do petróleo e pela revisão de risco-país e câmbio

    Comperj
    R$ 28,3 bilhões de perdas

    Passou por problemas no planejamento do projeto, aumento do risco-país e adiamento das operações

    Refinaria Abreu e Lima
    R$ 11,67 bi de perdas

    Enfrentou problemas no planejamento do projeto, aumento do risco-país e adiamento das operações

    Complexo Petroquímico Suape
    R$ 5,77 bi de perdas

    Foi afetado por revisão das condições de mercado e aumento do risco-país

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