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    Ministério Público pede bloqueio de R$ 3,8 bi de dono de frigorífico JBS

    CAMILA MATTOSO
    JULIO WIZIACK
    DE BRASÍLIA

    06/02/2017 21h22

    Jorge Araújo/Folhapress
    Movimentação de agentes federais em frente à casa de Joesley Batista, do grupo JBS, em São Paulo
    Agentes federais em frente à casa de Joesley Batista, do grupo JBS, em São Paulo

    O Ministério Público Federal (MPF) pediu nesta segunda-feira (6) à Justiça Federal o bloqueio de até R$ 3,8 bilhões de Joesley Batista, dono da J&F, empresa que controla a JBS e marcas como Friboi, Seara, Topper e Havaianas, e de José Carlos Grubisich Filho, presidente da Eldorado Celulose, que também pertence à J&F.

    Para chegar a esse montante, o MPF solicitou o empenho de ações de Joesley Batista na J&F, bens particulares, recursos em conta corrente e aplicações. Também houve o pedido de afastamento de Joesley Batista e de Grubisich das empresas.

    Segundo o MPF, a medida é uma punição contra o grupo por ter descumprido um acordo fechado em outubro de 2016.

    Alvo de três investigações da Polícia Federal (Greenfield, Sépsis e Cui Bono), a J&F se comprometeu com a Procuradoria a indenizar os fundos de pensão Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa Econômica Federal), que adquiriram participação minoritária na Eldorado.

    No final do ano passado, a Eldorado fechou um contrato de fornecimento de madeira com a sua concorrente Eucalipto Brasil, que teria novamente prejudicado os fundos.

    Segundo o MPF, o contrato foi uma manobra para "comprar o silêncio" de Mario Celso Lopes, que saberia de "ilícitos ocorridos na criação da empresa Florestal".

    Lopes ajudou a fundar a Eldorado junto com Joesley Batista. Em 2012, ele aceitou vender sua participação para a J&F e assinou um termo de não concorrência por dez anos. Na sequência, Lopes montou a Eucalipto Brasil e o caso foi parar na Justiça. Terminou em novembro de 2015 com um acordo entre as partes.

    Um ano depois, a Eldorado fechou um contrato de R$ 190 milhões com a Eucalipto Brasil que, ainda segundo o MPF, favorecia a empresa de Lopes e não passou pelo conselho de administração da Eldorado, que tem representantes dos fundos de pensão.

    O MPF diz que as novas denúncias foram apresentadas por Max Pantoja da Costa, conselheiro da Funcef.

    A compra de ações da Eldorado pelos fundos de pensão está sendo investigada pela Secretaria de Previdência Complementar (Previc). O órgão abriu novos processos em janeiro deste ano.

    Segundo a PF, o negócio teria sido feito muito acima do valor de mercado, causando prejuízo aos fundos.

    Para compensá-los, em outubro, o MPF fechou o acordo com a J&F, liberando 30% de suas ações que estavam bloqueadas pela Justiça.

    A companhia também se comprometeu a colaborar com as investigações.

    OUTRO LADO

    Por meio de sua assessoria, a J&F informou que foi surpreendida com o pedido do MPF e que irá recorrer ao procurador e ao juiz responsável pelo caso.

    A empresa considera que o pedido teve como base "denúncias estapafúrdias, infundadas e com caráter de interesses pessoais de Max Mauran Pantoja da Costa [conselheiro da Funcef)."

    A J&F nega as "alegações irresponsáveis" feitas por Pantoja e afirma que todas as decisões da Eldorado "são públicas e foram tomadas pelo conselho de administração [da companhia].

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