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    opinião

    Em feriados, equilíbrio entre diversão e trabalho é possível

    ANA MARIA ROSSI
    ESPECIAL PARA A FOLHA

    13/03/2017 02h00

    Para muitos profissionais, conciliar trabalho e lazer, sobretudo durante feriados e outros períodos de festas, é missão quase impossível. Segundo dados da Isma-BR (filial brasileira da associação mundial de combate ao estresse, da sigla em inglês), 72% dos trabalhadores brasileiros sofrem com consequências negativas do estresse no ofício.

    Esse equilíbrio se torna muito difícil quando a jornada de trabalho é cada vez mais longa, acontece durante as festas e é acompanhada por uma grande pressão por resultados.

    A necessidade de trabalhar enquanto os outros se divertem pode gerar inúmeras reações físicas, como dores musculares, distúrbios do sono, e emocionais, a exemplo da frustração, angústia e raiva. São sintomas que interferem no desempenho e na motivação, e afetam a vida pessoal.

    Eduardo Knapp/Folhapress
    Foliões em bloco de Daniela Mercury em São Paulo
    Foliões em bloco de Daniela Mercury em São Paulo

    E há consequências diretas para os negócios, que perdem com a queda da produtividade, e da saúde do empreendedor, que pode adoecer e faltar ou desempenhar sua função com menos vigor.

    Então, como trabalhar enquanto os outros se divertem? Basta desenvolver mecanismos de autocontrole. Esses recursos devem ser trabalhados ao longo de toda a vida e são tão valiosos quanto o aperfeiçoamento técnico.

    O desenvolvimento da resiliência, capacidade de não esmorecer frente às dificuldades do dia a dia, deve ser prioridade do empreendedor que quer lidar melhor com as demandas físicas e emocionais.

    Pessoas com baixa tolerância à frustração, características agressivas e espírito competitivo podem ter mais dificuldade para aprimorar esse importante recurso.

    Mas, para atingir e manter alto o desempenho sem prejuízos à sua saúde, a dica é assimilar um conceito dos atletas de elite: recuperar a energia é tão importante quanto usá-la. E garantir momentos para recuperá-la requer planejamento.

    É preciso encaixar na agenda atitudes simples e contínuas, como exercícios regulares, se alimentar bem e usar técnicas para relaxar —como atenção plena—, além de manter hábitos de sono saudáveis. Dessa forma, o alto rendimento não trará maiores prejuízos à saúde.

    Já do ponto de vista mental, cultivar o otimismo é uma opção eficaz, já que alivia o estresse, aumenta a autoestima e beneficia a saúde.

    É preciso entender que a postura mental da pessoa afeta diretamente sua saúde dentro e fora do trabalho.

    Percepções negativas suprimem a imunidade do corpo e, sim, nos tornam mais suscetíveis ao adoecimento. Mas como focar em pensamentos positivos quando se está pressionado pelas demandas, nervoso por trabalhar quando os outros folgam e sendo guiado por sensações passageiras de frustração?

    É sempre melhor olhar o mundo por um lado positivo: em vez de pensar sobre situações e questões que lhe frustram ou estão fora de seu controle, avalie a situação, reflita sobre os fatos e reestruture o pensamento de forma mais neutra, deixando de lado o juízo de valor negativo.

    O objetivo não é se dissociar dos fatos, mas usar outras lentes para filtrar a realidade, sem que a raiva ou a frustração ocupem espaço.

    Essa reflexão fria possibilita que as pessoas se sintam mais no controle da sua vida.

    Este pode ser o momento apropriado para corrigir distorções na maneira de pensar e nos comportamentos antigos e garantir um 2017 em boa forma física e mental.

    Por isso, invista no seu maior patrimônio: a saúde. Essa é uma responsabilidade pessoal e intransferível.

    ANA MARIA ROSSI é presidente da Isma-BR e membro da divisão de saúde ocupacional da Associação Mundial de Psiquiatria

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