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    operação carne fraca

    Crise da carne causou embaraço econômico ao Brasil, diz Temer

    GUSTAVO URIBE
    DE BRASÍLIA

    21/03/2017 09h37 - Atualizado às 14h49

    Com a ameaça de países estrangeiros em barrar a importação da carne brasileira, o presidente Michel Temer afirmou nesta terça-feira (21) que a descoberta de fraudes em frigoríficos nacionais causou um "embaraço econômico" para o país.

    Em discurso a empresários e investidores, o peemedebista avaliou que causaram um "grande alarde" as irregularidades descobertas pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, mas minimizou o seu alcance no mercado brasileiro.

    A estratégia de minimizar as irregularidades e criticar a atuação da Polícia Federal tem sido usada pelo governo peemedebista na tentativa de evitar um impacto maior na compra da proteína animal pelo mercado internacional.

    OPERAÇÃO CARNE FRACA
    PF deflagra ação em grandes frigoríficos

    "Houve um grande alarde nos últimos dias em relação à carne brasileira e, evidentemente, que isso causa, não posso deixar de registra, um embaraço econômico ao país", disse. "Não podemos deixar transitar impunemente um alarde que não alcança a totalidade dos frigoríficos e exportadores brasileiros", acrescentou.

    O presidente defendeu que desvios cometidos por servidores públicos "devem ser apurados" e comemorou a decisão da Coreia do Sul de retomar a compra do frango brasileiro. "Certamente pela pronta resposta das autoridades brasileiras e dos esclarecimentos cabais dos fatos", disse.

    Na tentativa de acalmar o mercado financeiro, o presidente defendeu que nenhum episódio vai tirar o país do rumo do crescimento. "O Brasil tem rumo e não vai se distrair", ressaltou.

    No mesmo evento, o ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, afirmou que o governo acompanha com "preocupação" a crise da carne e também minimizou o episódio, avaliando como "fatos isolados". "Eles estão sendo apurados e circunscritos à sua real dimensão", disse.

    Em reunião no Palácio do Planalto, na noite de segunda-feira (20), presidente defendeu que a equipe ministerial contribua na ofensiva para reduzir os danos da crise da carne e defenda o discurso de que é um "episódio localizado", que não envolve a maioria dos frigoríficos.

    Ele pregou que, em discursos públicos, auxiliares e assessores deem a "real dimensão" do problema e expliquem o esforço feito pela gestão peemedebista. O presidente demonstrou ainda preocupação com a possibilidade de demissões em frigoríficos, agravando o cenário de desemprego.

    vídeo operação Carne Fraca

    Além do impacto na balança comercial, o Palácio do Planalto receia que a crise da carne afete a expectativa do mercado financeiro de recuperação da economia, considerada o principal trunfo da gestão peemedebista diante das denúncias de envolvimento de ministros na Operação Lava Jato.

    A preocupação manifestada pelo presidente é que a economia demore mais para se recuperar. A previsão mais pessimista feita à Folha por integrantes do governo é de que o quadro de crise pode rebaixar a previsão de crescimento de 1,2% para menos de 1%.

    Em discurso, em evento promovido pelo Conselho das Américas, o peemedebista também afirmou que recebeu no final de semana um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    Segundo ele, o americano demonstrou interesse em estreitar as relações comerciais e políticas entre os dois países.

    BASE ALIADA

    Em encontro para debater a reforma da Previdência nesta terça (21), líderes da base aliada também reclamaram do tratamento dado pela Polícia Federal à Operação Carne Fraca.

    Segundo eles, foi dada uma "repercussão exagerada e equivocada" ao episódio, que "colocou em suspeição todo o setor produtivo do país". A maior parte das queixas veio de parlamentares da região Sul.

    No encontro, o Temer evitou fazer críticas à Polícia Federal, mas minimizou o episódio e defendeu que ele é localizado.

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