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    Governo na economia pode levar à corrupção, diz controlador da Cosan

    BRUNO BOGHOSSIAN
    PAULO GAMA
    ENVIADOS A FOZ DO IGUAÇU (PR)

    21/04/2017 09h46

    Presidente do conselho de administração da Cosan, o empresário Rubens Ometto defendeu a proximidade do setor produtivo com a política, mas afirmou que a participação do governo na economia é "ineficiente" e pode levar à corrupção.

    Ometto foi homenageado na noite desta quinta-feira (20) na cerimônia do prêmio Lide Empresarial, concedido pelo grupo que era, até 2016, comandado pelo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e hoje é liderado pelo ex-ministro Luiz Fernando Furlan.

    No momento em que as relações entre grandes empresas e políticos estão sob investigação, em especial após revelações feitas por delatores da Odebrecht na Lava Jato, o controlador da Cosan afirmou que dificuldades criadas pelo sistema tributário e por outras regras "levam as pessoas a achar convidativo tentar um caminho mais fácil, que pode levar até a corrupção".

    "O governo tem de deixar de querer participar da economia, deixar de querer ser empresário. Ele é ineficiente. Quanto mais o governo está perto do setor privado, mais possibilidade de corrupção existe", declarou.

    O empresário disse ainda que o "grande desastre do último governo foi a tentativa de interagir artificialmente na economia".

    Ometto foi premiado pelo Grupo Doria, controlado pela família do prefeito de São Paulo, que marcou sua campanha eleitoral no ano passado e seus primeiros meses de gestão por uma relação próxima com o setor produtivo. O presidente do conselho da Cosan defendeu o envolvimento do empresariado na política.

    "Nós, empresários, temos de participar da política. Não a política partidária, de ganhar eleições. Mas de estar perto do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Poder Executivo, para fazer uma série de mudanças", declarou.

    REFORMAS

    O controlador da Cosan fez uma defesa enfática do presidente Michel Temer e disse vislumbrar sinais de recuperação da economia.

    "O Brasil passou, nesse ano passado, por uma série de turbulências como impeachment, deficit, inflação, Lava Jato, mas felizmente hoje a gente começa a ver uma luz no fim do túnel", afirmou.

    Para Ometto, não há "ninguém no Brasil com as características e as qualidades de Michel Temer para enfrentar e aprovar" as reformas como a trabalhista e a previdenciária.

    "O Brasil tem sorte porque temos hoje um presidente como é Michel Temer. Mais difícil do que saber o que tem de ser feito é ter a coragem de enfrentar. Ter a capacidade de convencer nosso Congresso e nossos cidadãos a aceitar essas reformas, que são tão necessárias."

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