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    Liberal, novo chefe do BNDES tem sintonia com o setor produtivo

    MARIANA CARNEIRO
    DE SÃO PAULO

    27/05/2017 02h00

    Danilo Verpa - 29.mar.2012/Folhapress
    SAO PAULO, SP, 29.03.2012: Dr. Paulo Rabello de Castro durante reuniao com a coordenacao do Movimento Brasil Eficiente que anunciou nesta sexta-feira, em sua primeira reuniao do ano, a adesao do governador Eduardo Campos (PSB-PE) e do publicitario Nizan Guanaes, que cuidara da comunicacao do movimento. O evento ocorreu na Escola de Economia da FGV. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress, PODER)
    Paulo Rabello de Castro, que deixa o IBGE para presidir o BNDES

    "Convocação é convocação." Dessa forma o economista Paulo Rabello de Castro definiu a sua nomeação para a presidência do BNDES, anunciada nesta sexta (26).

    Homem próximo do presidente Michel Temer, ele ocupará o comando do IBGE até a próxima segunda (29). A mudança de cargo, segundo contou à Folha, foi dada pelo próprio presidente, em telefonema na tarde desta sexta, por volta das 16h.

    "Estava no IBGE, discutindo o Censo agropecuário", afirma, desconversando sobre sondagens prévias.

    De origem liberal, doutor em economia pela Universidade de Chicago (EUA), Rabello de Castro chegou ao IBGE quando Temer assumiu a Presidência da República. Foi um nome escolhido da cota do presidente, sem relação com a equipe da Fazenda.

    Rabello de Castro está sendo alçado ao comando do BNDES em meio à pior crise do governo Temer. O motivo é a delação de Joesley Batista, dono da J&F (que controla a JBS), empresa que recebeu volumosos recursos do banco nas administrações petistas.

    Apesar da crise, disse acreditar que Temer resistirá na Presidência, e ele, no BNDES.

    "Não há percepção de renúncia, senão ele não estaria convocando ninguém."

    Na presidência do banco, o economista terá de lidar com acusações da Polícia Federal e do TCU (Tribunal de Contas da União), que buscam identificar falhas e corrupção nos processos de concessão de empréstimos e de investimentos do banco para a JBS no passado.

    O primeiro desafio é lidar com a insatisfação dos funcionários com a forma como estão sendo feitas as investigações, assim como o que acreditam ser omissão da cúpula do BNDES sobre o assunto.

    Rabello é crítico contumaz das altas taxas de juros e carga tributária brasileiras, em linha com o setor produtivo.

    Mas os que defendem regras de conteúdo local ou a política de "campeões nacionais", dos tempos de Luciano Coutinho no BNDES, não deverão encontrar apoio.

    "Liberal que sou, você sabe bem o que penso sobre selecionar os setores que vão entrar na frente de outros."

    Aos 67, é dono de uma agência de classificação de risco, a SR Rating, e uma consultoria que leva as iniciais de seu nome, a RC Consultores. Ao assumir o IBGE, deixou o comando das duas.

    Antes de chegar ao governo, foi integrante do Lide, grupo que estimula a aproximação de executivos, criado pelo prefeito João Doria.

    No IBGE, viveu duas crises. A primeira quando reduziu à metade o orçamento do Censo Agropecuário, que começa no segundo semestre deste ano.

    Embora sustente que não houve prejuízo à pesquisa, ele ainda brigava por verba orçamentária para terminar o trabalho em 2018.

    A outra foi a mudança nas pesquisas de comércio e serviços, que elevaram o resultado de janeiro e suscitaram boatos sobre manipulação. Paulo Rabello nega: "O IBGE é uma moça casta".

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