• Mercado

    Wednesday, 01-May-2024 05:44:22 -03

    Ainda é cedo para dizer que o Brasil saiu da recessão, afirma IBGE

    NICOLA PAMPLONA
    DO RIO
    MARIANA CARNEIRO
    ENVIADA ESPECIAL AO RIO

    01/06/2017 11h52

    A gerente de contas nacionais do IBGE, Rebeca Palis, avalia que ainda é cedo para falar em saída da recessão, apesar do crescimento de 1% do PIB no primeiro trimestre de 2017 ante o último de 2016, conforme divulgado nesta quinta (1º) pelo instituto.

    "É preciso esperar um pouco para ver o que vai acontecer este ano. A gente teve crescimento no trimestre, mas foi sobre uma base muito deprimida. E, se olharmos no longo prazo, ainda estamos no mesmo nível de 2010, disse ela, quando questionada se o país está saindo da recessão.

    Para especialistas, as duas características que indicam fim da recessão –crescimento em vários setores e em rota sustentável– não estão claramente configuradas no Brasil atualmente.

    PIB - Trimestre X trimestre imediatamente anterior, em %

    Segundo economistas, o PIB pode voltar a recuar no segundo trimestre, principalmente após a deterioração do cenário político, com risco de paralisia de reformas, como a da Previdência.

    A crise no governo, aliada aos dados que começam a sair relativos ao segundo trimestre, elevam o risco de que o PIB volte a cair nos próximos meses.

    "Temos que ver a conjuntura para ter uma avaliação melhor", ponderou Palis, quando questionada sobre possíveis impactos da crise no governo.

    Em termos técnicos, para que uma economia esteja em expansão é preciso que o crescimento esteja espalhado por vários setores e em rota sustentável, pelos critérios do Codace (Comitê de Datação dos Ciclos Econômicos) -que estabelece, oficialmente, o início e o fim das recessões no Brasil.

    No primeiro trimestre, contudo, o crescimento da economia foi concentrado em produtos voltados para exportação, como soja, milho, petróleo e minério de ferro. Mesmo o desempenho da indústria de transformação, que caiu 0,9% sobre o trimestre anterior, só não foi pior pelo aumento das exportações de veículos.

    PIB por setores

    Já o mercado interno continuou em baixa, com queda no consumo das famílias, dos governos e nos investimentos, com forte impacto sobre os setores de serviços e as indústrias de transformação e construção.

    "Ainda não via motivo suficiente para dizer que a recessão tinha acabado. A crise política adicionou um viés extra de baixa nessa análise", diz o economista Paulo Picchetti, da FGV, um dos sete membros do Codace.

    Ele ressalta que foi difícil determinar o início do atual ciclo recessivo e tudo indica que isso se repetirá no processo para registrar seu fim.

    A expectativa do IBGE para o segundo trimestre é de continuidade dos efeitos positivos da safra agrícola, que teve grande importância no desempenho da economia no primeiro trimestre. Mas ainda não é possível dizer como se comportarão os outros fatores.

    PIB

    Fale com a Redação - leitor@grupofolha.com.br

    Problemas no aplicativo? - novasplataformas@grupofolha.com.br

    Publicidade

    Folha de S.Paulo 2024