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    o brasil que dá certo - inovação

    Tecnologia, tolerância, talentos e tesouros formam cidade inovadora

    BRUNO LEE
    DE SÃO PAULO

    30/06/2017 02h00

    Se uma cidade criativa fosse resultado de uma simples soma aritmética, os termos seriam: tecnologia, tolerância, talentos e tesouros.

    A equação original, cunhada pelo urbanista americano Richard Florida, continha os três primeiros "tês". O último é acréscimo do engenheiro e professor brasileiro Victor Mirshawka, autor de "Cidades Criativas" (DVS, 2017).

    De acordo com Mirshawka, o uso da tecnologia nas cidades não se reduz ao universo digital. Inclui também iniciativas que têm impacto direto no cotidiano da população.

    Ele cita Barcelona, que implementou sistema de captação de lixo por tubos. A medida levou à redução no número de caminhões de coleta, com consequências positivas no trânsito.

    Os itens tolerância e talentos, por sua vez, estão "intimamente ligados". O primeiro, diz o autor, abarca temas como orientação sexual e migração. "Essa mescla, envolvendo várias religiões e costumes, permite diversidade, com resultados em campos como gastronomia e música."

    Já o quesito "talentos" depende de um "excelente sistema educacional", que funciona como um ímã para pessoas com ideias inovadoras.

    "Nesse sentido, a cidade com mais talentos do mundo é Boston (EUA), que tem 350 mil estudantes em instituições como Harvard e MIT. Metade dos alunos são estrangeiros e, obviamente, os americanos ganham com isso."

    Por último, os tesouros, tanto obras humanas (museus e monumentos) quanto da natureza (rio Amazonas e cataratas do Iguaçu).

    Essas atrações, diz Mirshawka, geram "visitabilidade", fator fundamental para as cidades criativas. "A grande questão é como fazer com que as pessoas queiram estar na sua cidade."

    Assim, também é preciso pensar na criação de um calendário de eventos, "desde festa do sorvete até encontros de amantes de carros antigos". Holambra, com seu Festival das Flores, e Barretos, com sua Festa do Peão, são dois exemplos em São Paulo.

    O Brasil conta com cinco membros na Rede de Cidades Criativas da Unesco, escolhidos pela atuação em áreas específicas: Santos (cinema), Florianópolis (gastronomia), Curitiba (design), Salvador (música) e Belém (gastronomia). Ao todo, são 116 lugares eleitos, de 54 países.

    O órgão da ONU destaca a culinária da capital do Pará, por exemplo, pela diversidade de ingredientes, de origem amazônica, e pela capacidade de gerar dezenas de milhares de empregos.

    Para Joanna Martins, diretora-executiva do Instituto Paulo Martins, hoje os chefs estão "começando a se voltar para a pesquisa, para entender os ingredientes de uma forma técnica". "É um intercâmbio entre quem está na floresta e o cozinheiro", diz.

    Além de organizar o festival de gastronomia Ver-o-Peso, o instituto incentiva "esse novo olhar sobre os alimentos, o que tem muito potencial para o desenvolvimento local", afirma Martins. A entidade deve lançar um curso de cozinha paraense.

    Já Curitiba "reconhece o design como agente de transformação urbana", segundo a Unesco. Para Ana Brum, diretora técnica da consultoria Centro Brasil Design, um dos exemplos desse "espírito" são as estações-tubo.

    "Perceberam que não era preciso tornar os ônibus mais velozes. O atraso era gerado na entrada e na saída. No tubo, vários passageiros se movimentam ao mesmo tempo, por portas independentes."

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