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    o brasil que dá certo - inovação

    Universidades estimulam a inovação com currículo flexível

    EVERTON LOPES BATISTA
    DE SÃO PAULO

    30/06/2017 02h00

    Universidades no Brasil começam agora a incorporar ações voltadas para a realidade da indústria 4.0 na formação de engenheiros, como mudanças no currículo que colocam o aluno em contato com as inovações por mais tempo e flexibilizam o cardápio de matérias que o estudante pode cursar.

    Os cursos de engenharia da Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo) passaram, há quatro anos, por uma reforma curricular que abriu espaço para mais disciplinas optativas.

    "A ideia é que o aluno possa construir um currículo de acordo com o seu interesse", diz Eduardo de Senzi Zancul, professor do curso de engenharia de produção e vice-coordenador do InovaLab@POLI, um laboratório de inovação e empreendedorismo que no último dia 20 ingressou na rede global Design Factory de laboratórios de inovação.

    Eduardo Anizelli/Folhapress
    Prédio da Poli-USP, na cidade Universitária, em São Paulo
    Prédio da Poli-USP, na cidade Universitária, em São Paulo

    O InovaLab é onde a disciplina de inovação é ministrada para grupos de alunos de vários cursos.

    "Se formarmos o aluno para trabalhar com uma tecnologia específica, em poucos anos esse conhecimento estará obsoleto. Temos que formar um profissional que encontra novas soluções, que sabe tomar decisão com base nos dados e que consegue se comunicar com diferentes áreas", afirma Zancul.

    Além do InovaLab, a USP abriga o Ocean, laboratório construído em parceria com a Samsung que oferece para os alunos da instituição cursos de conhecimento técnico de curta duração sobre temas como programação de aplicativos e realidade virtual.

    Em, 2018 a USP deve inaugurar a Fábrica do Futuro, um ambiente que simula uma fábrica de skate dentro da universidade, com bancadas flexíveis para reconfiguração rápida do local de acordo com a demanda da produção e monitoramento de consumo de energia por equipamento, entre outros itens com cara de indústria 4.0.

    "Ela será um ambiente de teste de novas tecnologias", diz Zancul.

    Outras universidades, como a Faap (Fundação Armando Alvares Penteado), de São Paulo, e a UVA (Universidade Veiga de Almeida), do Rio, também investem em laboratórios multidisciplinares e em currículos menos rígidos.

    Na Faap, cursos de engenharia mecânica e elétrica passaram por mudanças curriculares no segundo semestre do ano passado. Uma delas foi a inclusão da disciplina de design thinking, que utiliza métodos de profissionais de criação para alavancar a inovação na engenharia e outras áreas.

    "Queremos que o aluno pense fora da caixa", diz Regis Pasini, coordenador do curso de engenharia mecânica da Faap. "O engenheiro terá que ser um profissional transformador e, muitas vezes, deixar para trás as antigas metodologias lineares."

    Já na UVA, os laboratórios com tecnologias como impressão 3D e realidade virtual foram projetados para servir a todos os cursos.

    "Os alunos começam a percorrer caminhos próprios na formação e a universidade deve fornecer a base para isso", afirma Carlos Eduardo Nunes-Ferreira, pró-reitor da graduação da UVA.

    TRANSIÇÃO

    Para Johannes Klingberg, diretor executivo da Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha (VDI, na sigla em alemão), as universidades estão ainda na fase de reestruturar os currículos, mas essa transição é complexa.

    "As tecnologias mudam muito rapidamente e as universidades estão carentes de saber o que a indústria deseja", afirma ele. "Se antigamente os currículos mudavam a cada 20 anos, hoje essas transformações precisam ser contínuas".

    Visando a aproximação entre indústria e instituições de ensino, a VDI iniciou, neste mês, uma série de encontros bimestrais entre universidades e empresas para a discussão das necessidades da formação de engenheiros nesse novo contexto.

    Do primeiro encontro, que aconteceu na Poli-USP no último dia 13, participaram sete universidades e diversas empresas como Mercedes, Bosch e Volkswagen.

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