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    operação carne fraca

    China intensifica inspeções de carne brasileira após a proibição dos EUA

    DA REUTERS

    04/07/2017 08h57 - Atualizado às 10h06

    Edson Silva/Folhapress
    BARRETOS, SP, BRASIL, 25-11-2008: Funcionários trabalham na linha de produção do frigorífico Minerva, em Barretos, interior de São Paulo. (Foto: Edson Silva/Folhapress, Folha Ribeirao
    Funcionário em frigorífico em SP

    A autoridade que fiscaliza qualidade na China intensificou as inspeções de carnes importadas do Brasil após uma recente proibição dos Estados Unidos a alguns produtos brasileiros de carne bovina.

    O gigante asiático adotará medidas se encontrar problemas de segurança alimentar em carnes importadas do Brasil e notificará o público em tempo hábil, informou a Administração Geral de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena em comunicado.

    O Brasil é o principal fornecedor de carne bovina importada e frango para a China.

    Os EUA suspenderam as importações de carne in natura brasileira no fim do mês passado, após um elevado percentual dos embarques não passar em testes de segurança. Um dos principais problemas foram abcessos nas carnes, que os produtores brasileiros atribuíram à vacinação do gado contra febre aftosa.

    A Administração Geral de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena chinesa disse que o Ministério da Agricultura do Brasil garantiu na semana passada que os problemas encontrados nas exportações aos EUA "são apenas reações dos animais às vacinas" e não representam nenhum risco à segurança dos alimentos.

    antes do bloqueio - Exportações brasileiras de carne "in natura" para os EUA, em US$ milhões

    A China destruiu ou devolveu mais de 350 toneladas de carne brasileira em maio, incluindo pés de frango, coxas de frango e carne bovina, segundo uma lista publicada no site da agência. Alguns não passaram pela inspeção e quarentena, enquanto outros não estavam com a rotulagem adequada.

    O país asiático vai tomar as medidas necessárias se encontrar riscos à segurança alimentar nas importações de carne brasileira e irá notificar o público no momento adequado, disse a agência.

    A China somente permite importações de carne bovina sem ossos de gados com menos de 30 meses de idade do Brasil, enquanto os EUA permitiam mais tipos de carne brasileira em seu mercado, segundo o órgão.

    O Brasil não é grande exportador para o mercado americano, mas a chancela dos EUA dava ao país, maior exportador global, possibilidade de conseguir entrar em mercados importantes para a carne in natura, como Japão e Coreia do Sul.

    De janeiro a maio, as exportações de carne bovina in natura do Brasil para os EUA somaram 4,68 mil toneladas, o equivalente a US$ 18,9 milhões, de acordo com dados da Abiec. As exportações totais do Brasil de carne bovina, incluindo produto industrializado, estão estimadas em cerca de 1,5 milhão de toneladas/ano.

    O Brasil, que sempre foi um exportador relevante de carne industrializada aos EUA, conseguiu um acordo para exportar o produto in natura apenas no segundo semestre do ano passado, após vários anos de negociação.

    Os EUA prometeram agora liberar o produto brasileiro assim que o país corrigir erros apontados pelo Departamento de Agricultura americano em questões de sanitárias e outras relacionadas à saúde animal.

    CARNE FRACA

    A China chegou a suspender brevemente as importações de todos produtos de carne do Brasil em março, após a Polícia Federal brasileira acusar fiscais de receber propinas para autorizar a venda de carnes estragadas ou com salmonela.

    Mas os chineses rapidamente retiraram as sanções após autoridades brasileiras terem esclarecido detalhes sobre a investigação policial.

    Desde então, a agência de supervisão chinesa disse que tem encontrado problemas de rotulagem em algumas importações de carne do Brasil, além de alguns casos de certificados sanitários que não cumprem exigências chinesas.

    DESTINOS DA CARNE 'IN NATURA' BRASILEIRA - Venda de janeiro a maio de 2017, em US$ milhões

    EFEITO PEQUENO

    Para a analista da Agrifatto Lygia Pimentel, depois de tantos escândalos no setor neste ano, como a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que inclusive levou a uma maior fiscalização pelos EUA, o Brasil tem mais um problema para lidar.

    "Não é um problema de saúde pública, mas como já se gerou estresse com a operação... infelizmente é um ano difícil para o Brasil."

    De qualquer forma, ela não acredita em grande efeitos relevantes para o mercado pecuário brasileiro, cujos preços já estão pressionados pela crise na JBS e uma sobreoferta de animais para abate. Isso porque os EUA não são grandes importadores do produto brasileiro.

    Grande companhias que estavam habilitadas a exportar para os EUA, como Minerva, têm a alternativa de atender os clientes americanos a partir de outras unidades, o que minimiza o prejuízo corporativo.

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