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    o brasil que dá certo - economia criativa

    Festivais independentes de música completam 20 anos de história

    BRUNO LEE
    DE SÃO PAULO

    25/08/2017 02h00

    Criados fora do eixo Rio-São Paulo com o objetivo inicial de servir de vitrine para bandas locais, festivais que sustentam a bandeira da independência chegam a duas décadas de história ainda relevantes, com bom público e grandes nomes no palco.

    Abril Pro Rock (25 edições), do Recife, Goiânia Noise Festival (23) e Bananada (19), da capital de Goiás, fazem parte dessa "frente da longevidade". Em comparação, eventos com estrutura maior não duraram metade disso.

    Dedicados à música, esses festivais também têm em comum o fato de pertencer à economia criativa, guarda-chuva que abriga setores movidos pela inventividade.

    Para os organizadores, o fator independência ajuda a explicar esses números.

    "Ser independente é saber que há altos e baixos, mas que é preciso continuar fazendo, independentemente das condições e da situação", diz Fabrício Nobre, um dos responsáveis pelo Bananada.

    Para Paulo André Pires, fundador do Abril Pro Rock, independência significa ter autonomia na escolha de quem vai tocar.

    "A essência desses festivais é que ninguém interfere na programação. Eu já sofri pressão de governo, de patrocinador e de político. A gente jamais escalou uma banda por causa disso", diz.

    "Prefiro acabar com o festival do que ceder a um patrocinador privado que pede axé ou sertanejo com cara de rock, aqueles cantores com o braço tatuado", acrescenta.

    Os três festivais contaram com patrocínio público e privado nas edições deste ano. Em média, esses aportes bancaram dois terços dos eventos, dizem os organizadores.

    A CONTA DO INGRESSO

    No entanto, não há como contar com essas fontes para todas as edições.

    "No 20° Goiânia Noise não tivemos esses apoios e conseguimos trazer os americanos do Biohazard [veteranos da cena que mescla metal e hardcore] e Mundo Livre S/A", diz Leo Razuk, um dos responsáveis pelo evento.

    O público é um importante patrocinador. "A gente precisa vender ingresso."

    "Todos os festivais são assim, todos dependem da bilheteria. O Abril Pro Rock jamais conseguiu abrir os portões com tudo pago", afirma Paulo André, que também é presidente da FBA (Festivais Brasileiros Associados).

    Assim, ao longo da trajetória dos eventos, a matemática financeira passou a ser um desafio na hora de montar a escalação, já que é preciso garantir "headliners" (atrações principais) que consigam atrair público.

    Segundo Razuk, do Goiânia Noise, até poucos anos atrás a plateia aguardava o "novo" -especialidade desses festivais. "Hoje não é mais assim, o pessoal quer ver atrações já conhecidas."

    Só que, dentro da proposta do Noise, "de surpreender o público", "há uma grande dificuldade para encontrar headliners de rock". "As bandas novas não conseguem segurar esse papel. A gente pena às vezes", diz Razuk.

    Em 2009, o Abri Pro Rock teve que aumentar o preço do ingresso -R$ 100 naquele ano, sendo que foi vendido a R$ 70 em 2017- para pagar a vinda dos ingleses do Motörhead. A banda tinha como líder o lendário Lemmy Kilmister (1945-2015). O cachê foi o mais alto da história do evento: R$ 240 mil.

    Para Nobre, do Bananada, "as coisas avançaram". Hoje, o festival tem um palco só de música eletrônica. "Queremos mostrar uma contemporaneidade."

    Entre as principais atrações do festival goiano neste ano estavam Karol Conka, Liniker e os Caramelows e Mano Brown em show solo.

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