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    Cifras & Letras

    Livro faz tributo a consultor que mudou empresas no país

    JOANA CUNHA
    DE SÃO PAULO

    14/10/2017 02h00

    Claudio Belli - 1º.mar.2016/Valor/Folhapres
    ORG XMIT: 053501_1.tif SÃO PAULO, SP, BRASIL, 02-12-2009: O professor e consultor, Vicente Falconi, posa pra foto na sala vip da Líder Companhia de Táxi Aéreo, em São Paulo (SP). (Foto: Patrícia Stavis/Folhapress - DINHEIRO)
    O consultor de empresas Vicente Falconi, em São Paulo

    Ao abrir o livro "Vicente Falconi", o leitor imagina que verá um repeteco das histórias de como a Brahma se transformou em um dos maiores sucessos empresariais do país nas mãos dos investidores Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira.

    Com direito a prefácio de Telles, o livro é um tributo a Falconi, o consultor que trouxe às empresas brasileiras os conceitos de eficiência, foco e disciplina inspirados no modelo de gestão de companhias japonesas.

    De fato, não faria sentido contar essa história sem começar pela cervejaria, cujo êxito deve muito à orientação de Falconi. A carreira do engenheiro de Minas Gerais, hoje aos 77 anos, se mistura com a própria evolução das companhias brasileiras em geral.

    O livro conta como, na época do tabelamento de preços, em 1991, Dorothea Werneck, então secretária nacional de Economia, sugeriu a Telles que procurasse os ensinamentos de Falconi se quisesse subir preços. Teria de justificar que a empresa tinha eficiência de custos antes de repassar alta ao consumidor.

    A autora é a veterana Cristiane Correa, que tem no currículo a biografia do empresário Abilio Diniz e o best-seller "Sonho Grande", sobre a trajetória do trio fundador da Ambev. A dedicatória que Correa faz aos pais no novo livro, seus "melhores professores", dá a dimensão da biografia da vez.

    "Professor" foi o nome pelo qual Falconi ficou conhecido na Brahma, quando ensinou conceitos como o "diagrama de Ishikawa", um gráfico em que se discriminam causas e efeitos de um problema numa figura que lembra espinhas de peixe.

    Na escola, "Cabeça" foi o apelido pelo qual o aluno organizado ficou conhecido, tanto pelas boas notas como pelo tamanho do crânio.

    O livro narra seus passos na academia e os estudos no exterior. Tem passagens divertidas, como quando o disciplinado jovem desembarcou nos Estados Unidos em 1961. Sem saber o endereço da universidade, foi conduzido pela polícia, chegando à instituição de viatura.

    A autora descreve o momento em que o engenheiro atou seu laço com o Japão.

    Em 1983, ele ganhou uma bolsa de estudos da OEA (Organização dos Estados Americanos) para viajar ao Oriente. Antes de embarcar para o Japão, Falconi conheceu pelos corredores da UFMG (universidade mineira) o chefe de departamento de metalurgia da Universidade de Tóquio, que acabou ajudando o colega brasileiro a organizar a sua programação no país.

    Lá, visitou siderúrgicas e universidades, viu como funcionava a cultura de uma sociedade arraigada por valores como hierarquia, tradição e disciplina. Encontrou valores que já trazia em seu DNA, repassados pelo pai, como a importância da educação.

    Mas ali era aplicado na prática o alto nível de educação dos operários nas fábricas -para ele, o principal atributo que fazia da indústria japonesa uma das mais poderosas do mundo.

    O caminho de Falconi tangencia também a história do Brasil. Um exemplo é 1989, com a eleição de Fernando Collor à Presidência, em que a abertura do mercado às importações dificultou a vida das empresas nacionais, que ficaram com suas ineficiências muito mais expostas diante da concorrência estrangeira.

    "Ficou evidente a distância que nos separava do resto do planeta, e todo mundo correu para tirar o atraso. Queriam cursos, consultoria, foi uma loucura", afirmou Falconi à autora.

    A influência de Falconi entre empresários cresceu propondo mudanças drásticas.

    Na Sadia, nos anos 1990, depois que ele concluiu que aos funcionários do chão de fábrica faltava educação básica, cerca de 8.500 trabalhadores voltaram a estudar.

    Vicente Falconi - O Que Importa é Resultado
    Cristiane Correa
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    É um livro que vale ser lido não só por quem ocupa postos de liderança nas organizações. De alguma forma, todos os brasileiros já foram tocados pelo desdobramento de metas praticado por ele.

    Convocado para atuar na gestão da crise da energia elétrica no início dos anos 2000, Falconi teve a oportunidade de multiplicar a meta de redução de consumo para 176 milhões de brasileiros, a população do país à época.

    VICENTE FALCONI
    QUANTO: R$ 39,90
    AUTOR: CRISTIANE CORREA
    EDITORA: PRIMEIRA PESSOA

    Edição impressa
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