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    Guia da Micro, Pequena e Média Empresas (MPME)

    Mercado de franquias abre espaço para empreendedores criativos

    DANTE FERRASOLI
    DE SÃO PAULO

    22/10/2017 02h00

    Divulgação
    Unidade da rede de franquias Café Cultura em Florianópolis; franqueadora tem dez lojas em SC
    Unidade da rede de franquias Café Cultura em Florianópolis; franqueadora tem dez lojas em SC

    Visto como "difícil" para quem é mais criativo, por ter muitas regras e procedimentos pré-estabelecidos, o mercado de franquias está em transformação. Ficou mais atraente para o empreendedor de perfil mais inquieto.

    Hoje, há mais flexibilidade nesse ambiente de negócios, diz Juarez Leão, diretor institucional da ABF (Associação Brasileira de Franchising). "Há uma mudança. As franqueadoras mais modernas têm sido mais flexíveis, permitindo que os franqueados exerçam seu empreendedorismo, ajudando a franqueadora a transformar o negócio em algo melhor", afirma.

    Ele pondera que algumas regras devem, de fato, ser estritamente seguidas. "Já vi gente que queria mudar o logotipo da empresa. Não dá."

    Gustavo Raposo, à frente da rede Café Cultura, que tem dez lojas em Santa Catarina, ilustra essa mudança.

    "Se o cara faz um negócio que funciona, não tem motivo para a gente dizer que não pode só por que a regra diz que não", diz. Ele dá o exemplo de uma franqueada que sugeriu instaurar no cardápio um café com leite de amêndoas que sabia produzir. Hoje, o uso do produto é liberado para toda a rede.

    Raposo veio de start-up, ambiente aberto a mudanças e inovações. Montou em 2007 uma empresa de precisão agrícola. Dois anos mais tarde, recebeu aporte de um fundo de investimentos e, em 2014, vendeu a companhia para um grupo sueco.

    Segundo Raposo, a experiência com todo o ciclo da start-up -fundação, aporte e venda-, o ajudou a inovar em outra frente. Aplicou lições de gestão aprendidas naquele período ao mercado de franquias.

    "Quando você abre uma start-up, você sabe de algo específico, mas não sabe nada de gestão. Muitas vezes o franqueado, até mesmo o franqueador, também não tem uma gestão apurada. É uma semelhança", afirma.

    "Com o fundo [que investiu na empresa dele], aprendi lições de governança e controle que hoje aplico na minha vida, inclusive para educar franqueados", completa.

    Nede Losina/UOL
    Funcionário trabalha em fábrica da iGui, em Gravataí (RS)
    Funcionário trabalha em fábrica da iGui, em Gravataí (RS)

    NA CRISE

    "O que era problema virou a nosso favor." É assim que Jaime Silva, franqueado em Guarulhos (SP) da marca de piscinas iGui, define uma inovação sua que o ajudou a passar por uma fase difícil.

    Em 2015, ápice da crise hídrica do sistema Cantareira, não era fácil vender piscinas. Silva passou a oferecer uma espécie de brinde a clientes: caso comprassem uma piscina, a água era por conta dele, que a levava, em caminhões-pipa, de outras fontes que não o Cantareira.

    Segundo Silva, o modelo, que perdurou por dez meses, causou um aumento de 70% nas vendas da sua loja em relação ao ano anterior, mesmo em meio à crise hídrica.

    "O mercado exige a inovação. Isso chamou a atenção das pessoas, você mexe com o emocional delas quando fala de ecologia", afirma.

    Ele informou a franqueadora sobre sua solução e outros franqueados adotaram o brinde. A ideia deu a Silva o prêmio da ABF de melhor franqueado em 2016.

    NICHO

    Thiago España, sócio da agência de intercâmbio World Study, dá liberdade total para que seus 45 parceiros espalhados pelo país toquem a rotina de cada unidade. "Foi uma decisão difícil, tivemos de abrir mão de padronizações, mas precisamos que nosso franqueado seja muito bom com os alunos dele. Se for proibido de pensar, não consegue", afirma.

    O franqueado pode fazer campanhas e escolher público-alvo sem ter de dizer uma palavra à franqueadora.

    Foi o que fez Paulo Bello, que tem uma agência da World Study em São Paulo. Ele descobriu um novo mercado a explorar no começo deste ano, ao atender um aluno interessado na Coreia do Sul e no K-Pop, estilo musical típico do país. Percebeu que muita gente consome essa cultura. "Comecei a procurar influenciadores, encontrei uma blogueira que era voltada para esse público e a contratei para uma campanha", conta o empresário.

    O sucesso foi imediato. "Quase derrubou o nosso site. O pessoal da TI entrou em contato comigo para saber o que estava acontecendo", relembra España.

    A partir da demanda e da repercussão, Bello já realizou a viagem de um grupo à Coreia do Sul em julho e organiza uma segunda turma para janeiro. "A procura está absurda. Recebemos uma avalanche diária de contatos."
    A ação reverberou nas outras unidades da agência.

    "Quando o franqueado faz uma ação assim, abre portas para outras unidades, que se beneficiam também. Tem aluno do Brasil todo viajando com o meu grupo, mas quem fecha as vendas são os franqueados locais", diz Bello.

    "Se a gente fosse uma franqueadora engessadona, nem faríamos isso", diz España.

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