• Mercado

    Friday, 24-Nov-2017 10:58:21 BRST

    Pão de Açúcar expande vendas a granel com cervejas artesanais

    MARA GAMA
    DE SÃO PAULO

    24/10/2017 02h00

    Com a entrada das cervejas artesanais sem casco entre os produtos de uma loja de São Paulo, a rede de supermercados Pão de Acúcar está expandindo suas vendas a granel.

    Menos embalagem supérflua para descartar e menos desperdício são as vantagens do sistema, identificado como tendência de varejo. Em Berlim, Lisboa, Montreal e Paris há mercados "embalagem zero", que aboliram papéis e plásticos que embalam os produtos como forma de evitar a geração de resíduos.

    A experiência dos grãos e temperos vendidos sem embalagem já está sendo feita desde o ano passado em quatro lojas do grupo, duas na capital, uma em Sorocaba (SP) e outra em Santos (SP). São oferecidos dessa forma 40 tipos de produtos entre grãos, sementes, cereais, chocolate, chás, pimentas, amendoins, sal do himalaia e frutas desidratadas.

    O consumidor pode levar para casa os produtos secos em vasilhas trazidas de casa, saquinhos de papel fornecidos pelo supermercado ou vasilhames de vidro reutilizáveis, à venda nas lojas.

    O item mais recente a ser vendido dessa forma no Pão de Açúcar são as cervejas artesanais, que começaram a ser comercializadas em outubro na loja da Vila Mariana (r. Prof. Serafim Orlandi, 299).

    O comprador pode adquirir "growlers" (garrafões retornáveis) de 1 ou 2 litros (a R$ 44,90 e R$ 55,90, respectivamente) ou usar seu próprio garrafão para encher de cervejas das marcas Blondine, Dádiva e Dama Bier.

    Os vasilhames têm de ter bocais compatíveis com a bomba das cervejas, pois o envasilhamento retira o exigênio e injeta gás carbônico no interior das garrafas, para que a bebida mantenha suas características e o frescor por mais tempo.

    Segundo a empresa, ao adquirir as cervejas dessa forma, os clientes economizam até 20%, na comparação com as vendidas em cascos tradicionais. Em garrafas de 300 mililitros, o preço médio é de R$ 20 por unidade. Nas vendidas sem embalagem, o preço do litro vai de R$ 26,90 (Dama) a R$ 47,90 (Dadiva).

    As cervejas especiais e artesanais são mais da metade do total de vendas de cerveja da rede e cresceram 23% em volume e receita de janeiro a agosto.

    PARA AS NOVAS GERAÇÕES

    A empresa espera ter implantado áreas demarcadas para exibição dos produtos a granel em recipientes trasnparentes de 15 lojas da rede, até o fim de 2017, incluindo duas lojas em Recife (PE). O plano de expansão prevê que o sistema vai crescer em 2018 conforme os pontos de venda forem sendo reformados.

    "O granel vem dentro de um pacote de inovações", conta João Mariano, gerente de conceito e identidade do Pão de Açúcar. "Estamos preparando as lojas para as novas gerações", diz.

    Às "novas gerações" é atribuída, pelos estudiosos do consumo, disposição de se engajar em causas ambientais. Deixar de adquirir embalagens que precisam ser depois descartadas faz parte desse comportamento.

    "Quando começamos o desenhar o projeto, pensávamos que o público alvo seriam consumidores das linhas de produtos saudáveis. Hoje percebemos que são preferidos pelos que gostam de cozinhar, porque é possível comprar a quantidade certa, e pelos mais engajados", diz Mariano.

    Reduzir o preço final ao consumidor também está no horizonte das vendas a granel. Bons exemplos são a mostarda em grãos, com 66% de variação, com preço do kilo embalado em R$ 265,00 e em R$ 89,00 o kilo a granel, e as castanhas de caju torradas e salgadas, com redução de 28% no preço: R$ 129,90 o kilo do produto em embalagens tradicionais e R$ 93 o kilo a granel.

    Mariano diz que não há números da economia de embalagem. "O projeto é um laboratório. Estamos aprendendo. E o consumidor precisa acreditar para que dê certo", diz.

    O processo de expansão das vendas a granel esbarra numa dificuldade: "Muitos produtos que gostaríamos de ter, ainda não conseguimos. Nem todos os fornecedores estão aparelhados para mudar a forma de entrega dos produtos e passar a enviar sacas de maior volume", afirma Mariano.

    "Estamos provocando a grande indústria. É uma corrente positiva, que pode trazer resultados bons para todos."

    Edição impressa

    Fale com a Redação - leitor@grupofolha.com.br

    Problemas no aplicativo? - novasplataformas@grupofolha.com.br

    Publicidade

    Folha de S.Paulo 2017