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    Com 'efeito Trump', jovens estão mais dispostos a pagar por notícias

    DE SÃO PAULO

    25/10/2017 18h27

    Saul Loeb/AFP
    US President Donald Trump speaks about his tax reform proposal prior to meeting with winners of the National Minority Enterprise Development Week Awards Program in the Oval Office of the White House in Washington, DC, October 24, 2017. / AFP PHOTO / SAUL LOEB ORG XMIT: SAL006
    O fenômeno se reflete nas assinaturas de jornais tradicionais dos Estados Unidos

    Em meio à guerra declarada entre o presidente Donald Trump e a imprensa, mais jovens americanos estão pagando para ler notícias na internet, aponta relatório do Reuters Institute.

    A taxa de pessoas entre 18 e 24 anos que assinam notícias on-line subiu de 4%, em 2016, para 18%, neste ano. Na faixa etária entre 25 e 34 anos, a porcentagem foi de 8% para 20%.

    Esses dois grupos representam cerca de 30% do mercado no país.

    O aumento contraria o senso comum de que os jovens não estariam preparados para despender dinheiro com jornalismo, diz o estudo.

    O fenômeno se reflete nas assinaturas de jornais tradicionais dos Estados Unidos: o "New York Times" ampliou em cerca de 500 mil as assinaturas digitais nos seis meses seguintes à eleição de Trump. No "Wall Street Journal", a alta foi de 200 mil.

    Mais de um quarto dos americanos ouvidos pela pesquisa apontam o apoio ao jornalismo como um motivo central para suas assinaturas.

    "Esse aumento vem de pessoas de esquerda e de jovens, que querem mostrar de forma efetiva seu apoio aos esforços da mídia em fiscalizar o presidente e suas políticas", diz o relatório.

    Entre os entrevistados que se dizem de esquerda, a taxa de assinantes de notícias on-line subiu de 15% para 29%.

    CENÁRIO NACIONAL

    No Brasil, a porcentagem de pessoas que pagam por notícias permaneceu estável neste ano: em 22%, considerando apenas a população urbana do país.

    Com o ambiente de polarização política, a taxa de brasileiros que acreditam que a mídia é livre de influência política caiu de 36%, em 2016, para 30%, neste ano.

    Ainda assim, o nível de confiança na imprensa segue alto (60%).

    O relatório também aponta o aumento do Whatsapp como uma ferramenta de distribuição de notícias.

    O Brasil é colocado como exemplo do fenômeno: no país, o uso de redes sociais, como o Facebook, para esse fim caiu 6 pontos percentuais, embora siga alto (66%). O uso do Whatsapp, por sua vez, subiu 7 pontos percentuais, para 46%.

    "Isso pode ser um sinal de saturação do mercado, ou pode estar relacionado a mudanças nos algoritmos do Facebook em 2016, com uma maior prioridade de amigos e família. Outra explicação para a desaceleração é que as pessoas estão passando menos tempo em redes sociais e mais em aplicativos de mensagens", aponta o estudo.

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