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    Previdência

    Após repercussão negativa, Temer tenta salvar reforma da Previdência

    GUSTAVO URIBE
    TALITA FERNANDES
    DE BRASÍLIA

    07/11/2017 19h24

    Com a repercussão negativa, o presidente Michel Temer realizou nesta terça-feira (7) esforço concentrado para para tentar reduzir o impacto de discurso no qual admitiu que a reforma previdenciária pode ser derrotada.

    O peemedebista escalou integrantes de sua equipe ministerial para entrarem em contato com integrantes do mercado financeiro e para irem a público para dizer que acreditam ainda na aprovação da proposta.

    Na segunda-feira (6), o presidente reconheceu que a reforma previdenciária pode não ser votada, mas defendeu que isso não inviabilizará o governo federal. Ele disse que continuará a defender a aprovação da iniciativa, mesmo que a população e a imprensa sejam contra.

    O reconhecimento de que a proposta pode ser derrotada causou apreensão em empresários e investidores, para os quais o presidente "jogou a toalha" e desistiu da mudança nas aposentadorias.

    Em vídeo, divulgado nas redes sociais, o peemedebista afirmou que está colocando toda a sua energia na aprovação da proposta e que passou esta terça discutindo o tema com os presidentes do Congresso Nacional.

    "O governo cumpriu com o seu dever e remeteu ao Congresso Nacional a reforma previdenciária. E, naturalmente, tenho conversado muito sobre isso", disse.

    Mais cedo, contudo, o presidente evitou se alongar e citou apenas de maneira indireta a reforma previdenciária em discurso inicial feito em reunião com senadores governistas.

    "Para finalizar, o apelo de que nós insistíssemos um pouco na sequência das reformas fundamentais para o país", disse.

    Segundo relatos, no decorrer da reunião, o peemedebista tratou do assunto, mas sem reconhecer enfaticamente que a proposta pode ser derrotada.

    No mesmo encontro, o presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse que se a reforma não tivesse tido tanta incompreensão, ela já teria sido aprovada.

    "Mais uma vez, vão vender para a população que o senhor [Michel Temer] vai ser o culpado de tudo que não vai acontecer", disse.

    Em São Paulo, o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) afirmou que não vai recuar na reforma, discurso semelhante ao do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), em vídeo divulgado nas redes sociais.

    Em Brasília, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou não ter visto com tanto "pessimismo" o discurso do presidente.

    "O governo precisa chamar seus líderes, os presidentes dos partidos, individualmente, e tentar mais uma conversa mostrando qual o impacto da não realização da reforma já em 2018", disse.

    NOVA PROPOSTA

    No encontro desta terça-feira (7), senadores governistas defenderam que o governo federal envie ao Congresso Nacional um novo projeto para reforma previdenciária.

    Durante a reunião, o peemedebista ouviu posição unânime entre os presentes de que não há chances de o Congresso Nacional aprovar a reforma no formato atual.

    Os governistas defenderam uma proposta mais flexível e enxuta, que mantenha pelo menos a fixação da idade mínima.

    Eles lembraram que, caso a iniciativa seja aprovada neste ano na Câmara dos Deputados, será apreciada no Senado Federal só no mês de março, poucos meses antes do início da campanha eleitoral.

    Segundo relatos de presentes, o presidente voltou a defender a aprovação de uma proposta possível e disse que o país será derrotado caso uma mudança nas aposentadorias não seja feita.

    O líder do PSDB, Paulo Bauer (SC), chegou a propor um novo modelo para que as mudanças que forem aprovadas agora passem a valer apenas para aqueles que ainda não entraram no mercado de trabalho.

    Ele brincou que, pelo projeto atual, os senadores teriam de votar a Previdência Social em pleno feriado de Carnaval, devido ao calendário apertado.

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