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    Museu vira local de romaria para culto ao venezuelano Hugo Chávez

    FLÁVIA MARREIRO
    ENVIADA ESPECIAL A CARACAS

    11/04/2013 03h56

    A praça "Eterno Retorno" é um espaço com bancos e vista privilegiada de Caracas no recém-montado Museu da Revolução, o mausoléu de Hugo Chávez no ponto mais alto da colina que abriga o bairro 23 de Enero.

    "Esse é um espaço para que a gente possa se sentar quando se sentir cansado, para que o comandante supremo nos mande energia", explica ao grupo de 30 visitantes Carmem Ascano, uma diligente guia franzina e de uniforme impecável que é cabo da Milícia Bolivariana.

    "Estou nesta luta para que meus filhos nunca passem o que eu passei. Esse governo trouxe comida, escola gratuita", diz.

    Pouco antes, Carmem explicava que conheceu Chávez pessoalmente. Segundo ela, era possível notar que ele, que citava bastante o filósofo alemão do "eterno retorno" Friedrich Nietzsche, irradiava "uma energia".

    "Ainda irradia. Vocês vão ver quando entrarem no salão", seguiu, indicando o caminho para o principal espaço do museu. É lá que está, no centro, uma imponente estrutura de granito que guarda o caixão do esquerdista --foi impossível embalsamar o corpo, como o governo queria, porque se demorou muito para começar o procedimento.

    A visita segue por 40 minutos num percurso com pinturas a óleo de Chávez, uma linha do tempo e duas salas de fotos de sua trajetória --a internacional tem um painel chamado "de celebridades", que, entre outros, o registra ao lado da modelo Naomi Campbell.

    "Estou vindo três vezes por semana. Hoje vim trazê-lo", diz a professora Yoconda Mieres, 49, apontando para o neto de cinco anos. "Ainda dói muito", chora a moradora do 23 de Enero, o bairro de classe média baixa que é bastião do chavismo.

    O museu é um dos elementos do culto a Chávez, o sincretismo religioso-político que é a tônica da campanha para a votação de domingo para escolher seu substituto no poder.

    Descendo a rua, vê-se um pequeno altar: "Santo Chávez del 23" e em uma loja de artigos esotéricos no centro da cidade a vendedora explica que, desde que Chávez morreu, 150 imagens dele em gesso foram vendidas a seguidores da religião venezuelana que mistura candomblé e espiritismo.

    Enquanto isso, o presidente interino e candidato, Nicolás Maduro, sem o carisma do mentor, tem transformado seus comícios em uma maratona de transmissões televisivas de homenagens a Chávez.

    "Chegou à Venezuela para nos acompanhar a estrela do futebol Diego Armando Maradona", anunciou ele, considerado favorito na disputa, em Falcón, no noroeste do país.

    O ar de Teleton chega ao auge quando sobem ao palco duas crianças para cantar em gênero próximo ao sertanejo uma música para Chávez: "Vives en mi/ porque entregaste tu vida/Latinoamérica está unida/ solo por ti".

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