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    Brasil quer discutir acordos 'urgentes' com Argentina logo após eleição

    MARIANA CARNEIRO
    DE BUENOS AIRES
    SYLVIA COLOMBO
    ENVIADA ESPECIAL A BUENOS AIRES

    19/11/2015 02h00

    O governo brasileiro espera o nome do vencedor da eleição presidencial argentina, no próximo domingo (22), para começar a tratar de temas considerados "urgentes" com o vizinho. O segundo turno é disputado entre o governista Daniel Scioli e o oposicionista Mauricio Macri, e as pesquisas dão ao segundo vantagem de seis a oito pontos.

    O primeiro assunto deve ser a proposta de abertura comercial de Mercosul e União Europeia. Encarado pelo Brasil como chance de elevar exportações num momento difícil para a economia doméstica, o acordo com os europeus já tem a proposta pronta.

    Antes de deixar o governo, funcionários de Cristina Kirchner deram sinal verde para a oferta do grupo, que engloba a facilitação do comércio para 87% dos produtos negociados com a UE.

    A negociação poderá esticar esse número até 90% e não poderá ficar abaixo dos 84% rejeitados em 2004, quando os dois blocos fracassaram em entrar em acordo pela última vez.

    Pedro Ladeira - 17.jul.2015/Folhapress
    Dilma Rousseff condecora Cristina Kirchner com a Ordem do Cruzeiro do Sul, no Itamaraty
    Dilma Rousseff condecora Cristina Kirchner com a Ordem do Cruzeiro do Sul, no Itamaraty

    A Folha apurou que as equipes dos dois presidenciáveis têm informações sobre o acordo, mas não acesso a detalhes do documento conjunto, principalmente os representantes da oposição.

    A ideia de duas velocidades para a negociação ""ventilada por Brasil e Uruguai para contemplar o atraso argentino"" foi sepultada, e o objetivo é entregar as propostas de maneira conjunta até o fim deste ano.

    A expectativa é que a conversa com a UE leve pelo menos um ano, pois precisa ser aprovada por cada um dos 27 países do bloco.

    O segundo assunto dos sócios que entrará em discussão depois da eleição será o acordo automotivo.

    Prorrogado pela segunda vez em junho deste ano, o tratado que regula o comércio de veículos, principal produto na balança comercial entre os dois países, caducou.

    O calendário eleitoral na Argentina levou à prorrogação automática do acordo atual. Autoridades brasileiras não viam sentido em negociar um tratado de longo prazo com um governo prestes a sair do poder.

    A expectativa, portanto, é que até o fim do primeiro trimestre de 2016 equipes técnicas dos dois países comecem a conversar sobre este acordo, que vence em junho do ano que vem.

    PROTECIONISMO

    Tanto Scioli quanto Macri já enviaram emissários para conversar com autoridades brasileiras e ambos prometem recuperar a desgastada relação entre os dois países.

    O esfriamento ocorreu durante os mandatos das presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, quando o Brasil se viu colocado de escanteio diante da preferência dos argentinos por acordos (e financiamentos) provenientes de Rússia e China.

    As restrições às importações levantadas pela Argentina azedaram de vez o clima.

    Segundo o ex-embaixador argentino no Brasil Juan Pablo Lohlé, levantar as barreiras seria a primeira medida concreta para a reaproximação entre os dois países. "Para melhorar a relação não basta tirar fotos, é preciso tomar decisões", diz ele.

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