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    Israel anuncia restrições a palestinos e aumento da segurança após ataque

    DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

    09/06/2016 10h15 - Atualizado às 21h47

    Após um atentado que culminou na morte. de quatro israelenses por atiradores palestinos em um shopping center de Tel Aviv na véspera, o governo de Israel anunciou nesta quinta (9) uma série de restrições ao movimento de palestinos e enviou centenas de soldados à Cisjordânia.

    O Exército israelense informou, depois de consultas de segurança supervisionadas pelo premiê Binyamin Netanyahu, que revogará cerca de 83 mil permissões emitidas a palestinos da Cisjordânia para visitarem parentes em Israel durante o Ramadã, mês sagrado dos muçulmanos.

    Gil Cohen-Magen/AFP
    Ministro israelense da Defesa, Avigdor Lieberman,visita local do atentado que matou 4 em Tel Aviv
    Ministro israelense da Defesa, Avigdor Lieberman,visita local do atentado que matou 4 em Tel Aviv

    "Não pretendo falar sobre detalhes dos passos que pretendemos dar, mas tenho certeza de que não temos intenção de ficar só nas palavras", disse o ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman.

    Tais medidas, incluindo restrições ao acesso do complexo da mesquita de Aqsa, local sagrado no coração da Cidade Antiga que judeus se referem como Monte do Templo, levaram no passado a uma crescente tensão com palestinos.

    ATENTADO TERRORISTA

    O atentado de quarta no Sarona Market, um complexo turístico e gastronômico de Tel Aviv, deixou quatro mortos –dois homens e duas mulheres, com idades entre 32 e 58 anos– e seis feridos. O local fica perto do Ministério da Defesa da Israel.

    Foi o mais violento na capital comercial e de entretenimento do país desde uma série de ataques de esfaqueadores palestinos em outubro do ano passado.

    Não houve reivindicação imediata pelo atentado, mas a facção radical Hamas e outras organizações palestinas foram rápidos em elogiá-lo.

    Jack Guez/AFP
    Polícia de Israel analisa local do atentado que deixou quatro mortos em Tel Aviv
    Polícia de Israel analisa local do atentado que deixou quatro mortos em Tel Aviv

    Segundo a polícia israelense, os agressores pertenciam à mesma família, estavam na casa dos vinte anos e eram originários de um vilarejo nos arredores de Hebron, na Cisjordânia, ocupada por Israel.

    Eles vestiam ternos e gravatas e fingiam ser clientes do restaurante antes de sacarem armas automáticas e abrirem fogo, deixando todos os presentes em pânico.

    Os dois foram presos, e um deles ficou levemente ferido. Ahmad Mussa Mahmara, pai de um dos terroristas, afirmou que seu filho tem dois tios cumprindo prisão perpétua em Israel.

    "Não esperávamos isso. Meu filho é novo e passou os últimos quatro anos na Jordânia, voltou há cinco meses. Ele não tem filiação política", disse o pai.

    Mahmara foi interrogado na noite desta quarta (8). Soldados fizeram medições da casa da família para que ela seja demolida, segundo as forças militares.

    Após o ataque do Sarona, fogos de artifício foram disparados em partes da Cisjordânia. Em alguns acampamentos de refugiados, pessoas cantaram e agitaram bandeiras.

    De acordo com moradores, as comemorações não tinham relação com a quebra do jejum do Ramadã ao anoitecer e eram uma celebração das mortes, realizadas por moradores de Yatta, um vilarejo próximo a Hebron.

    Mussa Qawasma/Reuters
    Soldados israelenses fazem patrulha próximo à cidade de Heron, na Cisjordânia
    Soldados israelenses fazem patrulha próximo à cidade de Heron, na Cisjordânia

    REAÇÕES

    Sem fazer referências ao ataque em Tel Aviv, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, divulgou um comunicado condenando a violência contra civis.

    "A presidência tem, repetidamente, enfatizado sua posição contra ataques contra civis, independentemente de suas origens ou justificativas", disse no comunicado.

    O coordenador especial das Nações Unidas para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, o Brasil e a União Europeia condenaram os atentados e solidarizaram-se com Israel.

    Os EUA também condenaram o atentado e disseram que apoiam o direito de Israel de defender seus cidadãos, mas pediram que o governo "leve em consideração o impacto das medidas sobre cidadãos palestinos" comuns.

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