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    Itamaraty manobra para adiar reunião de chanceleres do Mercosul

    SAMY ADGHIRNI
    DE CARACAS

    06/07/2016 23h01

    O Brasil manobra para adiar a reunião de chanceleres do Mercosul marcada para a próxima segunda-feira (11), segundo a Folha apurou.

    O encontro havia sido convocado para tratar do mal estar envolvendo a transmissão da presidência rotativa do bloco do Uruguai para a Venezuela. Conforme rodízio estabelecido, cabe a Caracas assumir, a partir desta terça (12), a presidência do bloco pelos próximos seis meses.

    Miguel Rojo - 5.jul.2016/AFP
    O ministro das Relações Exteriores, José Serra, participa de entrevista coletiva em Montevidéu
    O ministro das Relações Exteriores, José Serra, participa de entrevista coletiva em Montevidéu

    Mas a grave crise social e econômica no país, amplamente atribuída ao governo chavista, gera resistência de países-membros.

    Segundo o Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, não deve ir à reunião de chanceleres convocada pelo governo uruguaio em Montevidéu. A justificativa é que ele tem viagem prevista à China no início da próxima semana.

    Mas, segundo fontes do governo, a ausência do ministro brasileiro reflete a estratégia do Brasil para tentar remarcar o encontro.

    Em visita ao Uruguai na terça (5), Serra defendeu adiar a transferência da presidência do Mercosul e voltar a tratar do tema em agosto.

    O ministro argumentou que Caracas não cumpriu com suas obrigações de adesão ao mercado comum em matéria de legislação, tarifas e salvaguardas.

    Mas alguns diplomatas avaliam que a posição de Serra é mais uma resistência política, fruto da guinada do Itamaraty sob governo do presidente interino, Michel Temer, do que uma objeção a critérios técnicos e jurídicos.

    O Paraguai é o membro mais radicalmente contrário a uma presidência venezuelana do Mercosul, uma função simbólica, mas que pode ser usada pelo chefe de Estado anfitrião como plataforma de projeção.

    A Argentina se posiciona de forma cada vez mais enfática contra Caracas. O presidente Maurício Macri sugeriu assumir a função no lugar do colega Nicolás Maduro.

    O Uruguai, porém, defende que o cronograma seja mantido. "O certo, juridicamente, é passar a presidência à Venezuela", disse o chanceler Rodolfo Nin Novoa.

    Em busca do apoio uruguaio, Serra levou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à reunião de terça com o presidente Tabaré Vázquez. Mas a falta de consenso sobre como lidar com a crise venezuelana persiste.

    O encontro também serviu para tentar dissipar o mal-estar decorrente das críticas de Vázquez ao afastamento da presidente Dilma Rousseff.

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