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    Para muitos moradores de Chicago, despedida de Obama é algo pessoal

    MONICA DAVEY
    DO "NEW YORK TIMES", EM CHICAGO

    11/01/2017 08h17

    Joshua Lott - 10.jan.2017/AFP
    Barack Obama se emociona ao agradecer à mulher, Michelle, às filhas, Sasha e Malia, e ao vice-presidente Joe Biden em discurso de despedida
    Barack Obama se emociona em discurso de despedida em Chicago nesta terça (10)

    Se as barreiras de metal, as placas de "entrada proibida" e os agentes do Serviço Secreto à espreita atrapalharam algumas pessoas nos últimos oito anos em Hyde Park-Kenwood –o bairro do South Side, em Chicago, onde o presidente dos EUA, Barack Obama, ainda possui uma casa, mas onde ele raramente tem estado–, os moradores não estão reclamando.

    "Tudo isso foi tudo bem, na realidade. A gente se acostuma", disse Adela Cepeda, que, como muitas outras pessoas na quadra da casa de Obama na Greenwood Avenue, o conheceu antes de Obama ser presidente, ou senador, antes mesmo de ele ter sido eleito a qualquer cargo. "Para mim, o triste é que o tempo dele vai acabar. Sua Presidência foi fabulosa para Chicago, de certo modo. Tudo contabilizado, acho que nós viemos em primeiro lugar. Mas tudo que é bom um dia acaba."

    Enquanto Obama se preparava para fazer seu discurso de despedida na terça-feira (10) no centro de convenções McCormick Place, à margem do lago Michigan, habitantes de sua cidade falaram do presidente em tom possessivo, orgulhoso, ansioso ou nostálgico.

    Perto da residência dos Obama, a pouca distância da Universidade de Chicago, algumas pessoas especularam em tom pessimista se seu legado poderá agora ser anulado por seu sucessor, Donald Trump, que recebeu apenas 12% dos votos em Chicago e menos de 10% nos bairros próximos à casa dos Obama.

    David Kasnic - 7.jan.2017/The New York Times
    A plaque about President Barack Obama's first kiss with first lady Michelle Obama outside the site of a former Baskin-Robbins at Dorchester Avenue and 53rd Street in the Hyde Park neighborhood of Chicago, Jan. 7, 2017. People in his hometown sounded possessive, proud and wistful as he prepared to give farewell address Tuesday in a convention center beside Lake Michigan. (David Kasnic/The New York Times)
    Placa indica local do primeiro beijo entre Barack e Michelle Obama em Chicago

    É possível que o período de Chicago sob os holofotes, por mais complicado tenha sido em alguns momentos, também esteja prestes a acabar?

    "Acho que estou triste", comentou o barbeiro Antonio Coye, do salão de cabeleireiros Hyde Park, onde a cadeira preta na qual Obama costumava se sentar para ter seus cabelos aparados hoje está preservada sob uma redoma de vidro. "O que aconteceu foi algo realmente excepcional."

    Os Obama pretendem continuar vivendo em Washington até sua filha menor concluir o colégio, mas muitos moradores de Chicago acham que eles talvez nunca voltem para a casa da Greenwood Avenue. Obama está construindo sua biblioteca presidencial em Chicago, dizem alguns, e isso já é muito bom.

    "Ele não vai voltar, e não deveria –não poderia ir a nenhum lugar sem ser reconhecido", disse Stephanie Crouse, 53, motorista de ônibus escolar que almoçava na cafeteria Valois, de Hyde Park, frequentada por Obama no passado.

    "É como acontece com nossos filhos. Obama fez o que tinha que fazer. Ele fez o que pôde. Agora estamos nos despedindo dele, para que ele se forme e siga adiante na vida, fazendo coisas melhores."

    David Kasnic - 7.jan.2017/The New York Times
    The barber chair President Barack Obama used to sit in to get his hair cut on display under glass at Hyde Park Hair Salon in Chicago, Jan. 7, 2017. People in his hometown sounded possessive, proud and wistful as he prepared to give farewell address Tuesday in a convention center beside Lake Michigan. (David Kasnic/The New York Times)
    Cadeira de barbear em que Barack Obama costumava se senta é protegida por redoma de vidro

    Tradução de CLARA ALLAIN

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