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    Regime sírio enforcou até 13 mil oponentes em prisão, diz ONG

    DE SÃO PAULO

    07/02/2017 09h30

    O regime sírio enforcou até 13 mil oponentes em uma prisão durante os primeiros cinco anos de guerra, segundo um relatório publicado pela Anistia Internacional.

    A política de extermínio teria sido realizada de maneira secreta e sob ordens do alto escalão. Outros milhares teriam morrido por tortura ou fome durante o período.

    Divulgação/Anistia Internacional
    Syria: Human slaughterhouse: Mass hangings and extermination at Saydnaya Prison, Syria
    Foto aérea da prisão Saydnaya, na Síria

    O relatório, assinado por Nicolette Waldman, foi redigido a partir de 84 entrevistas, incluindo guardas que trabalhavam na prisão de Saydnaya, onde os enforcamentos teriam ocorrido. O local está a 30 quilômetros da capital, Damasco.

    Os guardas disseram que uma ou duas vezes por semana entre 20 e 50 pessoas eram enforcadas após julgamentos simulados. A causa da morte era forjada em um hospital militar, em geral registrada como problema respiratório ou insuficiência cardíaca.

    Segundo o texto, as vítimas "permaneciam vendadas" e "elas não sabiam quando ou como iam morrer até que a corda fosse colocada nos seus pescoços".

    A partir dos relatos, a Anistia Internacional estimou o total de enforcamentos entre 5.000 e 13 mil. A ação é um crime de guerra e contra a humanidade.

    Os corpos eram sistematicamente deixados em fossas comuns na periferia de Damasco entre a meia-noite e o amanhecer, às terças-feiras, por cinco anos, de acordo com a Anistia Internacional.

    O texto menciona apenas os primeiros cinco anos porque os informantes teriam deixado a prisão após esse período. Há suspeita, no entanto, de que os enforcamentos não foram interrompidos.

    HISTÓRICO

    O conflito sírio foi iniciado em março de 2011 e, desde então, ao menos 400 mil pessoas foram mortas. Quase metade da população do país foi deslocada, com milhões refugiando-se em países vizinhos e na Europa.

    Já foram feitas outras denúncias de execuções sistemáticas na Síria ligadas ao alto mando, com documentação de um fotógrafo que havia trabalhado na polícia.

    O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, baseado em Londres, afirmou também em maio do ano passado que ao menos 60 mil pessoas morreram após tortura ou más condições em prisões desde o início da guerra.

    ASSAD

    Paralelamente à acusação da Anistia Internacional, o ditador sírio, Bashar al-Assad, afirmou que a política americana em relação ao Estado Islâmico (EI) é promissora.

    Assad disse, segundo a agência de notícias estatal Sana, que o fato de o presidente Donald Trump priorizar o combate à organização terrorista é um bom sinal, mas que será preciso esperar para ver os primeiros passos dados por ele.

    Trump indicou, anteriormente, ter a intenção de cortar o apoio americano a rebeldes sírios moderados e auxiliar o regime sírio a combater o EI, uma das metas de seu mandato.

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