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    May promete defender UE após saída britânica do bloco e critica Rússia

    DIOGO BERCITO
    DE MADRI

    14/11/2017 12h39

    Peter Nicholls/Reuters
    A primeira-ministra britânica, Theresa May, durante seu discurso em Londres
    A primeira-ministra britânica, Theresa May, durante seu discurso em Londres

    Em meio ao entrave de suas negociações com a União Europeia, a primeira-ministra britânica, Theresa May, fez um importante aceno na noite de segunda-feira (13) ao prometer defender o bloco econômico mesmo depois de deixá-lo em março de 2019.

    Em um discurso no distrito financeiro de Londres, ela citou a Rússia como principal ameaça: acusou o país de agressão militar no leste da Ucrânia, de violar os espaços aéreos de diversos países europeus e de interferência em eleições recentes.

    Criando notícias falsas e circulando imagens adulteradas via Photoshop, afirmou May, é a maneira russa de "transformar informações em armas". Ela mencionou também a invasão de hackers ao Ministério da Defesa da Dinamarca e ao Parlamento alemão.

    "Vamos agir juntos para proteger nossos interesses e a ordem internacional de que dependem", disse. "O Reino Unido permanecerá incondicionalmente comprometido à manutenção da segurança europeia."

    A fala da primeira-ministra aumentou o tom da crítica em relação à Rússia e coincidiu com o anúncio da visita do chanceler britânico, Boris Johnson, a Moscou até o fim do ano.

    "BREXIT"

    Sinalizar sua intenção de seguir contribuindo à defesa europeia é uma maneira de May conseguir concessões nas complicadas tratativas com a União Europeia, em especial no que diz respeito à economia —que será um de seus campos mais pantanosos.

    O Reino Unido espera dar início já em dezembro às conversas sobre um tratado de livre comércio para quando concluir o "brexit", nome dado à saída britânica do bloco econômico.

    Mas os negociadores europeus já disseram que, se o Reino Unido não fizer nenhuma concessão de peso nas próximas semanas, essas discussões não poderão avançar.

    A defesa pode servir de barganha porque o Reino Unido tem hoje um dos orçamentos de defesa mais altos entre os membros do bloco: 2,1% de seu PIB, quando a media europeia é de 1,4%. O país tem também um dos serviços de inteligência mais eficientes da União Europeia.

    PARLAMENTO

    Em paralelo, o governo de May fez uma importante concessão interna na segunda-feira (13) ao anunciar que o Parlamento poderá votar no acordo do "brexit" antes de que entre em vigor.

    A votação, porém, servirá apenas para a Casa decidir se aprova ou não os termos do acordo de separação. Assim, os parlamentares não terão o poder de impedir o "brexit", apenas de cancelar o acordo de separação.

    Neste caso, o Reino Unido deixaria o bloco sem nenhum tipo de acordo, cenário que preocupa a União Europeia.

    Além dos pontos econômicos, a ideia é que as negociações também incluam os direitos dos cidadãos europeus no Reino Unido e o dos britânicos na Europa.

    O Reino Unido tem vivido uma intensa incerteza política desde o plebiscito que decidiu o "brexit" em 2016. O "sim" venceu com uma margem pequena: apenas 52% dos votos.

    Uma pesquisa divulgada no último dia 7 pelo ORB indicou que 66% dos eleitores desaprovam a maneira com que o governo tem lidado com o "brexit". O levantamento foi feito de 3 a 5 de novembro com 2.044 entrevistas. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

    Em meio a crises políticas, May perdeu ainda dois ministros durante este mês: o secretário de Defesa Michael Fallon e a secretária de Desenvolvimento Internacional Priti Patel. Ambos renunciaram ao cargo com menos de uma semana de diferença.

    Sem a maioria do Parlamento desde as eleições de junho deste ano, o governo conservador depende de uma aliança com um partido irlandês e tem, portanto, uma posição frágil. Analistas especulam que dificilmente May chegará ao fim do mandato, previsto para 2022.

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