• Opinião

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    editorial

    Corrupção, Rússia, Brasil

    22/06/2017 02h00

    Dificilmente poderia ser maior o contraste entre a popularidade de Michel Temer (PMDB) e a de Vladimir Putin, seu anfitrião na Rússia até esta quarta-feira (21).

    A aprovação ao brasileiro, segundo o Datafolha, não passava de 9% ao final de abril —e é mais que improvável ter havido alguma melhora de lá para cá. Já o presidente russo ostenta taxas estelares, acima de 80%.

    Temer, há pouco mais de um ano no poder, corre risco não desprezível de ser defenestrado. Se permanecer no posto, a reeleição não é hipótese considerada. Putin comanda a Rússia há 18 anos, alternando-se nos papéis de premiê e presidente, e mantém sólido favoritismo para o pleito de 2018.

    Entretanto os dois têm algo em comum: o calcanhar de Aquiles de seus governos é a corrupção.

    Se o peemedebista e seus auxiliares encontram-se a cada dia mais enredados nas delações premiadas da Lava Jato, o autocrata russo tem tido que enfrentar uma série crescente de protestos de rua.

    Os atos são convocados pelo líder oposicionista Alexei Navalni, que mobiliza a população jovem com vídeos, postados na internet, em que acusa dirigentes próximos a Putin de desvios bilionários.

    As manifestações não chegam a arregimentar milhões, mas têm ocorrido com frequência cada vez maior e atingido mais cidades. Na última leva, há menos de duas semanas, chegaram a mais de uma centena de localidades.

    Embora brasileiros nos ressintamos da falta de estabilidade política, muito particularmente nos últimos dois anos, nossa situação no plano institucional é bem melhor do que a dos russos.

    Escândalos de corrupção fazem parte da história de nações que transitaram do patrimonialismo para a democracia. A forma como cada uma lida com o problema dá a medida de seu desenvolvimento.

    Em seu país, Putin consegue evitar qualquer tipo de investigação e reprime manifestações; no Brasil, a polícia, o Ministério Público e a Justiça vão cumprindo seu papel.

    Temer corre o risco de cair como sua antecessora porque por aqui começa a haver algum tipo de "accountability" (prestação de contas e responsabilização, em tradução aproximada), o que não parece ter entrado para o léxico russo nem mesmo como estrangeirismo.

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