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    editorial

    Dúvidas no ensino médio

    15/07/2017 02h00

    Leo Caldas/Folhapress
    Rua Artur Xavier, s/n, Socorro. - Jaboatao dos guararapes, PE - Pernambuco, BRA - Brazil Escola de Referencia em Ensino Medio Poeta Mauro Mota, jornada Semi-Integral - Alunos do ensino medio em sala de aula estudando em dupla. Editoria: FSP-AGENCIA Bureau/Redaaoo: SAO. (Foto: Leo Caldas/Folhapress)- ***EXCLUSIVO FOLHA****
    Alunos estudam em sala de aula da escola Poeta Mauro Mota, em Jaboatão dos Guararapes (PE)

    Conforme se estipulou em 2009, o ensino médio deve ser universalizado e convertido no patamar mínimo de escolarização dos brasileiros. Entretanto nessa etapa se concentram gargalos crônicos da educação nacional, como deficiências de qualidade e evasão elevada.

    Foi com o objetivo de tornar a escola mais atraente e compatível com o cotidiano dos adolescentes que o governo sancionou, em fevereiro, reforma que flexibiliza uma grade curricular hoje engessada por nada menos que 13 disciplinas obrigatórias —e, para especialistas, o principal fator a motivar o desalento estudantil.

    Propõe-se que os alunos escolham uma entre cinco áreas de concentração —linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas ou ensino técnico—, à qual dedicarão 40% de seu tempo.

    As mudanças passam a vigorar dois anos após a definição da Base Nacional Comum Curricular, que preencherá os 60% restantes da carga horária, a ser ampliada.

    A ideia foi considerada positiva pelo 58% dos alunos paulistanos do 8º ano do ensino fundamental ao 3º do médio, segundo pesquisa Datafolha de novembro. Já os pais se dividiram, com taxas de aprovação e rejeição na casa dos 40%.

    Parece razoável imaginar que as dúvidas digam respeito a considerações de ordem prática —quanto à maturidade dos estudantes, que terão de tomar decisões cruciais, ou às condições das escolas de oferecer todas as opções previstas.

    A este propósito, um trabalho recém-publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada lista lacunas relevantes da reforma.

    Em um exemplo, não há prazo previsto para que se atinja a meta de ensino integral de sete horas diárias; sabe-se apenas que até 2022 a carga terá de ser ampliada de quatro para cinco horas.

    Estipula-se, ainda, que ao longo de dez anos a União contribuirá para a implantação da integralidade nas redes estaduais, sem clareza quanto ao volume de recursos ou à cobrança de resultados.

    Não se sabe, ademais, se e como a nova carga horária será aplicada nos cursos noturnos, que abrigam mais de um quinto dos alunos do ensino médio —parcela que, em geral, tem pior desempenho escolar e está mais sujeita à desistência.

    Trata-se de questões a serem esclarecidas para que a reforma, louvável em sua concepção, não se torne mais uma política pública a empacar por falta de planejamento. Resultado de trabalho árduo, essa oportunidade preciosa não pode ser desperdiçada.

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