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    Professor de Direito da USP defende ditadura, e alunos protestam; veja vídeo

    GABRIELA TERENZI
    PAULA REVERBEL
    PEDRO IVO TOMÉ
    DE SÃO PAULO

    01/04/2014 12h09

    Estudantes da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo) interromperam com protestos a leitura de um texto do professor Eduardo Gualazzi, intitulado "Continência a 1964".

    Parte da fala do professor, feita em aula na segunda-feira (31), foi filmada (veja abaixo). Na terça (1º), o vídeo que registrou a manifestação dos alunos tinha mais de 20 mil visualizações no YouTube.

    O registro mostra parte do discurso pró-ditadura do professor: "A história informa que as tiranias vermelhas terminaram afogadas num holocausto de sangue e corrupção total", dizia Gualazzi.

    Nesse momento, estudantes que estavam do lado de fora da sala começam a simular sons de tortura e, em seguida, entram na sala vestindo capuzes sobre a cabeça.

    Veja vídeo

    Assista ao vídeo em tablets e celulares

    O professor, nervoso, tira o capuz de uma das alunas e tenta segurar o braço de outro jovem. Os estudantes seguem entrando no local cantando a música "Opinião", de Zé Keti, um dos hinos da resistência ao regime militar.

    Procurado pela reportagem, Gualazzi disse que se tratava de um assunto interno da faculdade. "Eu dei a minha aula e ponto final."

    "É material de aula. Uma aula normal. Distribuí um material em sala –eu mesmo fiz xerox e distribuí. O assunto está encerrado. [Foi] Como qualquer aula", explicou.

    O professor disse ainda que o tema foi abordado a pedido dos alunos. "Esse é um assunto de sala de aula, não é um assunto público, para entrevistas pela mídia, a mídia não tem nada a ver com isso."

    O diretor da faculdade de direito da USP, José Rogério Cruz e Tucci, chamou o episódio de "abominável". Na opinião de Tucci, faltou "serenidade e prudência" a Gualazzi e aos alunos que invadiram a sala.

    "Ele [Gualazzi] não estava dando [só] a opinião dele, estava fazendo uma apologia ao golpe militar", disse.

    O diretor criticou também os alunos: "Agiram de forma descompensada. Deveriam enfrentar o professor com as palavras, e não com bumbos e pontapés na porta".

    Segundo a estudante do 3º ano do curso Camila Sátolo, 22, uma das organizadores do ato, Gualazzi já vinha anunciando aos alunos que faria uma "aula especial" para o que chamou de aniversário de "50 anos da revolução".

    "No dia em que a gente está fazendo atos de memória pela resistência à ditadura militar, não podemos deixar um professor falar sobre o regime que comprovadamente infringiu os diretos humanos", disse Sátolo.

    O presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, Igor Moreno, diz que não ajudou a organizar o ato, mas endossa a manifestação. "Ele fez um documento, registrado em cartório, com uma série de impropérios que cabem dentro do direito de livre manifestação dele, mas não é um conteúdo adequado para a sala de aula", argumentou.

    Enquanto Gualazzi ministrava sua controversa aula, Tucci e outros professores participavam de um protesto contra a ditadura.

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