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    General Belham tem responsabilidade na morte de Rubens Paiva, diz CNV

    MATHEUS LEITÃO
    DE BRASÍLIA

    09/09/2014 15h51

    O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, afirmou nesta terça-feira (9) que o general reformado do Exército José Antonio Nogueira Belham, 79, tem responsabilidade na morte do ex-deputado federal Rubens Paiva durante a ditadura militar (1964-1985).

    "Belham não só era o comandante do Doi-Codi [centro de repressão do Exército] no Rio de Janeiro. Portanto, haveria aí uma responsabilidade objetiva, como ele estava no momento da morte de Rubens Paiva. Essa é a convicção da comissão", disse Dallari.

    O militar alega estar de férias quando Rubens Paiva foi preso e morto. Todavia, documento que ele próprio apresentou em sua defesa mostra que o militar recebeu diárias para uma missão sigilosa em alguns dias de janeiro de 1971, incluindo o dia 20. Paiva foi morto no dia seguinte daquele ano.

    Divulgação/Exército
    O general reformado José Antonio Nogueira Belham
    O general reformado José Antonio Nogueira Belham

    Dallari comentou a participação do militar após o depoimento de Belham à Comissão, fechado para a imprensa, realizado nesta terça em Brasília. "Hoje ele teve oportunidade de contestar essa afirmação, mas escolheu ficar calado. A orientação dos advogados é ficar em silencio. Para a comissão permanece essa inconsistência no depoimento dele".

    O nome de Belham apareceu na investigação do caso Rubens Paiva acidentalmente. Em novembro de 2012, documentos foram encontrados na casa de um coronel reformado do Exército, morto em um assalto, em Porto Alegre (RS).

    Os papéis foram repassados à Justiça e à Comissão da Verdade. Entre eles constava um termo do Exército que confirma a apreensão de objetos pessoais de Rubens Paiva no Doi-Codi.

    No termo havia uma menção a Belham, pista de que ele teve acesso aos objetos. Com as investigações, surgiram as provas testemunhais e o documento sobre a interrupção de suas férias. "São elementos de que ele esteve presente no dia da morte de Paiva e poderia nos dar a informação sobre o que ocorreu com o corpo", afirmou Dallari.

    Editoria de Arte/Folhapress

    ARAGUAIA

    Um segundo depoimento realizado nesta terça na comissão tratou da Guerrilha do Araguaia (1972-1974). O advogado da União no Amapá, Carlos Orlando Fonseca de Souza, à época recrutado pelo serviço militar obrigatório, serviu por menos de um ano na região.

    Carlos Orlando afirmou não ter visto tortura, mas deu a sua versão sobre a morte da guerrilheira comunista Helenira Rezende, morta em uma troca de tiros com um grupo de militares do Exército em setembro 1972.

    Segundo o ex-militar, ela teria recebido um tiro na perna, o que a levou à morte por hemorragia. O ex-militar afirmou ter visto o corpo de Helenira somente três dias depois.

    As informações contrastam com dados históricos que levam em conta que ela teria sido morta após ser torturada por três dias depois desse confronto com os militares. Ao final do depoimento de Carlos Orlando, Dallari afirmou que o fato "não se confirma com as informações que temos da época". O depoimento será analisado pela Comissão.

    A Guerrilha do Araguaia (1972-1974) foi implantada pelo PC do B com o objetivo de formar, com a infiltração gradual de militantes armados e integrados à comunidade local, uma área militarizada na região que hoje abrange o norte do Tocantins e o sudeste do Pará.

    O plano foi descoberto e a guerrilha foi dizimada pelo Exército em três operações entre 1972 e 1974. Carlos Orlando participou de ao menos uma delas.

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