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    PMDB promete apoiar ajuste fiscal, mas reclama de falta de influência

    MÁRCIO FALCÃO
    DE BRASÍLIA

    24/02/2015 00h47

    Alan Marques - 23.fev.2015/Folhapress
    Nelson Barbosa (Planejamento), Renan Calheiros, Michel Temer, Joaquim Levy (Fazenda) e Eduardo Cunha em encontro dos ministros com a cúpula do PMDB
    Os ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Joaquim Levy (Fazenda, ambos de azul) com Michel Temer (ao centro) e os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (à dir.), e do Senado, Renan Calheiros

    Em reunião com a equipe econômica, a cúpula do PMDB se comprometeu na noite desta segunda-feira (23) em apoiar o pacote de ajuste fiscal do governo, que altera as legislações trabalhista e previdenciária.

    Os peemedebistas, no entanto, aproveitaram a presença do ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) principalmente para reclamar da falta de espaço para influenciar nas decisões políticas do governo Dilma Rousseff. Com um discurso ensaiado, reclamaram que a legenda só é chamada de última hora para apagar incêndios. As críticas foram disparadas principalmente pelos senadores peemedebistas.

    Diante das queixas, Mercadante fez uma espécie de mea culpa e reconheceu que é preciso repensar a coalizão.

    Sem aval das centrais sindicais e com resistências em sua base no Congresso, o Planalto quer preservar a essência do pacote que muda regras para concessão de seguro-desemprego, abono salarial, pensão por morte e seguro-defeso para pescadores artesanais. A economia prevista é de R$ 18 bilhões neste ano.

    O encontro entre os ministro Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central), os sete ministros do PMDB, os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), além de líderes do partido, ocorreu no Palácio do Jaburu, residência do vice-presidente Michel Temer.

    Num aceno ao partido, a equipe econômica passou mais de quatro horas tratando do pacote. Os ministros fizeram uma apresentação e depois abriram para as perguntas dos peemedebistas.

    Alan Marques - 23.fev.2015/Folhapress
    Manifestantes protestam contra ao ajuste fiscal em encontro de ministros com o PMDB
    Manifestantes protestam contra ao ajuste fiscal em encontro de ministros com o PMDB

    CORREÇÃO DE RUMO

    Levy saiu em defesa do ajuste alegando que a economia brasileira precisa de uma correção de rumo, diante dos problemas nas contas públicas e no desgaste da credibilidade do país.

    Ele argumentou ainda que o cenário internacional mostra que países que não passaram por adequações semelhantes foram levado a crises.

    Participantes disseram ainda que o presidente da Câmara teria dito que as medidas são necessárias e que não iria se opor a elas. Procurado pela Folha, Cunha disse que o "governo vai contar com a boa vontade do PMDB", mas que haverá uma discussão política.

    Alguns líderes colocaram que o governo precisará, agora, convencer o comando do partido.

    A ministra Kátia Abreu (Agricultura) afirmou que a cúpula do PMDB se comprometeu em apoiar o ajuste. Ela afirmou que não acertaram os termos do apoio, mas será na "forma que o ajuste fiscal exige".

    Segundo ela, o ministro da Fazenda deixou um cenário positivo para os próximos anos. "Mais uma vez o PMDB vai apoiar as medidas do governo. O PMDB assumiu o compromisso de apoiar as medidas porque se são boas para o Brasil, são boas para o PMDB."

    Kátia Abreu minimizou as queixas do partido. "Não eram reclamações, mas só observações", disse.

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