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    o impeachment

    Não é dever da oposição apontar saída para a crise, avaliam Alckmin e Aécio

    PATRÍCIA BRITTO
    DO RECIFE

    10/08/2015 16h14

    Dois dos principais nomes do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) e o governador Geraldo Alckmin (SP) procuraram afastar, nesta segunda-feira (10), a responsabilidade da oposição para encontrar saídas para as crises política e econômica enfrentadas pelo governo da presidente Dilma Rousseff.

    "Não cabe ao PSDB escolher qual o melhor desfecho para essa crise, até porque as alternativas que estão colocadas não dependem do PSDB. Seja a continuidade da presidente, seja a discussão na Câmara dos Deputados sobre o impeachment, seja a questão do TSE", disse Aécio após cerimônia em homenagem a Eduardo Campos, no Recife.

    "A oposição não governa. Os erros que hoje estão ocorrendo são por conta do governo, não pode responsabilizar os outros pelos seus problemas. A primeira questão para você resolver um problema é você reconhecer o problema", afirmou Alckmin, rebatendo a declaração da presidente Dilma de que haveria um "vale-tudo" para tentar atingir o governo.

    Os tucanos criticaram a atitude do governo de não reconhecer os erros e de "terceirizar" as responsabilidades para solucionar a crise política.

    "Percebemos que quanto mais o governo insiste na terceirização de responsabilidades, como nós assistimos no último programa eleitoral do PT, mais ele se distancia da verdade", afirmou Aécio. "O que nós precisamos é passar a limpo essa roubalheira e o país crescer", disse Alckmin.

    Eles evitaram, contudo, passar a imagem de que estariam atuando nos bastidores para provocar a queda de Dilma.

    "Essa questão de impeachment não está colocada neste momento, não há nenhuma proposta hoje de impeachment no Congresso Nacional. O que precisa agora é investigar, investigar e investigar e cumprir a Constituição", afirmou Alckmin. "Só existirá nova eleição se anular a eleição passada, isso hoje não é discutido."

    DIVISÃO

    Conforme a Folha mostrou neste domingo (9), o PSDB está dividido internamente sobre qual saída defender para a crise. Enquanto o grupo ligado a Aécio defende a saída da presidente Dilma e do vice, Michel Temer, com a convocação de novas eleições, a ala do senador José Serra quer a saída apenas da petista, com a possibilidade de o senador se tornar ministro de Temer.

    Já o grupo de Alckmin não deseja mudanças, para que ele possa pleitear a candidatura à Presidência em 2018.

    Segundo Aécio, é o próprio governo quem cria dificuldades para continuar no comando do país. "Eu vejo esse governo criando maiores dificuldades porque não teve até hoje a capacidade de fazer o mea-culpa, de reconhecer que errou, que levou o Brasil para um caminho equivocado. Enquanto isso não houver, mais distante esse governo vai estar de ele próprio conseguir superar a crise", afirmou.

    O senador tucano defendeu ainda que a oposição precisa atuar como "guardiã" das instituições que investigam os escândalos de corrupção no país.

    "Nós, enquanto oposição, temos que garantir esse funcionamento, seja dos tribunais de Contas e Eleitoral, seja do Ministério Público e Polícia Federal. O PSDB é guardião das nossas instituições e caberá ao governo, não à oposição, superar a crise que ele próprio criou", afirmou o senador tucano.

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