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    o impeachment

    Denúncia do MPF contra Cunha freia manobra por pedido de impeachment

    RANIER BRAGON
    GUSTAVO URIBE
    DÉBORA ÁLVARES
    DE BRASÍLIA

    30/08/2015 02h00

    Os primeiros desdobramentos políticos da denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), colocaram um freio nas articulações para dar prosseguimento a um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

    Para dar início à manobra, os entusiastas da medida –entre eles o próprio peemedebista, que nega publicamente– aguardavam um sinal favorável à articulação de dois personagens: o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG).

    Os sinais emitidos por ambos nos últimos dias, porém, foram em sentido contrário. Segundo a Folha apurou, Temer se mostrou refratário às primeiras sondagens e, de acordo com aliados, não quer neste momento passar a imagem de conspirador e golpista mesmo nos bastidores.

    Alan Marques/Folhapress
    O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, comanda sessão de votação
    O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, comanda sessão de votação

    Após manter um silêncio cauteloso, Aécio declarou na quinta (27) que Cunha perde as condições de presidir a Câmara se virar réu na Lava Jato, o que estremeceu a aliança informal entre o peemedebista e o PSDB na Casa.

    Em viagem a Nova York, Cunha manifestou a deputados tucanos descontentamento com a fala de Aécio. Recebeu a garantia de que o senador iria a público na sexta (28) amenizar o tom da declaração, o que não ocorreu.

    Por meio de interlocutores, Aécio informou a Cunha que, apesar da garantia, não haveria como recuar publicamente da declaração, mas que evitará repeti-la daqui para frente.

    As sondagens a Temer e Aécio foram decididas em jantar promovido por Cunha, na última terça (25), com aliados e líderes dos principais partidos de oposição.

    No encontro, houve um compromisso de todos de que os próximos passos pró-impeachment seriam dados em sigilo. Foi dito, segundo relatos, que não dá para derrubar a presidente Dilma se cada estratégia definida a quatro paredes aparecer publicada em jornais no dia seguinte.

    No jantar, aliados de Cunha que articulam uma frente suprapartidária pelo impeachment contabilizaram o apoio atual de ao menos 200 deputados pelo afastamento.

    Como presidente da Câmara dos Deputados, é o peemedebista quem decide se dá ou não prosseguimento a pedido de impeachment contra a presidente.

    Em estratégia articulada com aliados tanto governistas como oposicionistas, Cunha indeferiria um dos pedido apresentados à Câmara dos Deputados. Um recurso seria então levado ao plenário, o qual daria a palavra final. O objetivo seria dar um caráter coletivo à ação.

    Nesse caso, o pedido seguiria o trâmite com o voto de pelo menos 257 dos 513 deputados. Dilma só seria afastada caso a Câmara, após análise de uma comissão especial, resolvesse abrir o processo de impedimento –com os votos de, no mínimo, 342 dos 513 deputados federais.

    Uma das principais apostas da oposição para embasar o pedido é a análise que o TCU (Tribunal de Contas da União) faz sobre a contabilidade de Dilma relativa a 2014.

    A expectativa dessas legendas é a de que o TCU recomende a rejeição das contas devido às chamadas "pedaladas fiscais", manobras feitas pelo governo para fechar artificialmente suas contas.

    Dentro do PMDB, contudo, existe a avaliação de que, se a oposição aderir ao "fora Cunha", o que consideram uma "questão de tempo", a tese de impeachment perderá forças.

    O presidente da Câmara é acusado pela Procuradoria-Geral da República de receber propina de US$ 5 milhões do esquema de corrupção da Petrobras. Ele tem até o dia 10 para apresentar sua defesa no STF (Supremo Tribunal Federal). A corte decidirá se rejeita a denúncia ou se a aceita, o que tornaria Cunha réu no processo.

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