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    folha, 95 anos

    Editor da Folha cita frases marcantes ao encerrar o Encontro Folha

    DE SÃO PAULO

    19/02/2016 15h26

    O editor-executivo da Folha, Sérgio Dávila, encerrou o Encontro Folha de Jornalismo, evento que comemorou os 95 anos do jornal, completados nesta sexta (19), e discutiu o futuro do jornalismo.

    "Como disse Otavio Frias Filho [diretor de Redação da Folha], o jornalismo vive um profundo paradoxo. Nunca se divulgou nem se leu tanta notícia como hoje. Mas a sustentaçāo econômica da atividade foi abalada pela transformação tecnológica que permitiu que houvesse esse acesso inédito às notícias."

    Dávila agradeceu aos 23 debatedores que, em oito mesas, discutiram a cobertura jornalística no campo internacional, político e econômico. "Sem hipocrisia e graciosamente mostraram coragem e independência ao aceitar nosso convite para debater o futuro do jornalismo."

    Durante o evento, o jornal foi questionado por ter aceitado patrocínio da Odebrecht, empresa envolvida no escândalo da Lava Jato. Dávila respondeu: "A gente gosta de lembrar a divisão Igreja-Estado. O interesse comercial não deve se imiscuir nas prioridades das editorias. E as prioridades da Redação não devem interferir nas do comercial".

    Moacyr Lopes Junior/Folhapress
    Sérgio Dávila durante o Encontro Folha de Jornalismo, no MIS, na comemoração de 95 anos da Folha
    Sérgio Dávila durante o Encontro Folha de Jornalismo, no MIS, na comemoração de 95 anos da Folha

    Em resposta, também no evento, Dávila disse que ninguém tinha recebido para participar do debate e que o fato de a empresa estar sob investigação não significa condenação. "Se fosse assim, ninguém poderia assistir aos filmes nem ir a eventos patrocinados pela Petrobras. E ela patrocina quase todos."

    O editor-executivo da Folha terminou seu discurso em tom bem humorado, destacando as melhores frases de cada mesa. Terminou com a sua preferida, de um dos presentes na plateia que, com um exemplar do jornal nas mãos, dirigiu-se aos debatedores dizendo: "Isso aqui é minha pinga e meu cigarro todo dia" [mostrando o jornal].

    Leia abaixo as aspas mencionadas por Dávila como as mais marcantes das oito mesas:

    "Não se faz revolução com a cultura do passado"
    Leão Serva

    "O único jornalismo [pelo governismo] aceito não é jornalismo, é relações públicas"
    Eugenio Martinez

    "[A lei do direito de resposta] só reforça aquilo que deve ser o principal. A gente tem que apurar o que é verdade e questionar a si mesmo e o seu trabalho. Isso é o que nos leva para frente"
    Tânia Alves

    "Crônica é tudo aquilo que a gente disser que é crônica"
    Luis Fernando Verissimo

    "Nunca poderíamos imaginar que teríamos um secretário do Tesouro doido"
    Samuel Pessôa

    "Ao buscar um médico, ninguém pede um médico cidadão"
    Mayte Carrasco

    "A Lava Jato não é um tsunami, mas é um novo planeta"
    Mario Cesar Carvalho

    "Conspiração é só a partir de um certo nível"
    Josias de Souza

    "Nem todo petista é um petralha, mas todo petralha é um petista"

    "Tucano é um petista limpinho"
    Reinaldo Azevedo

    "Não sei quais jornais o Reinaldo anda lendo"
    Ricardo Melo

    "Isso aqui [mostrando o jornal] é minha pinga e meu cigarro todo dia"
    José Francisco da Silva, que provocou risos na plateia ao se levantar e, na boca do palco, elogiar o trabalho de Josias de Souza

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