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    folha, 95 anos

    Repórter venezuelano tira 'férias prolongadas' por pressão chavista

    FERNANDA MENA
    DE SÃO PAULO

    26/02/2016 02h00

    Especialista em cobertura eleitoral, o repórter venezuelano Eugenio Martinez perdeu, após 17 anos, o refúgio que encontrou no jornal "El Universal" para publicar suas investigações e análises críticas ao governo chavista. "Estou em férias prolongadas."

    Para Martinez, a hegemonia comunicacional promovida por Hugo Chávez (1954-2013), que passou a "controlar a maioria dos meios de comunicação ao provocar sua venda, seja por pressões econômicas, seja por pressões legais", só não ocorreu na era Lula porque as instituições brasileiras são mais fortes.

    *

    Folha - Há semelhanças na relação entre o governo e a mídia no Brasil e na Venezuela?
    O enfrentamento entre poder e mídia foi semelhante nos governos chavista e lulista. Ambos viram a grande imprensa como inimiga. No Brasil, a mídia crítica ganhou a alcunha de PIG (Partido da Imprensa Golpista). Na Venezuela, distinguiu-se "mídia boa" e "mídia má". A diferença é que as instituições brasileiras eram mais fortes e conseguiram reequilibrar essa confrontação. Na Venezuela, sucumbiram à pressão.

    O que ocorreu com o diário "El Universal"?
    É o jornal mais antigo da Venezuela, 105 anos. Sempre esteve nas mãos da família Mata, até que foi vendido em 2014. Essa venda se deu por causa da pouca rentabilidade e pelas pressões contra os donos por parte do governo, sobretudo devido à dupla nacionalidade: venezuelanos e norte-americanos. Esse sempre foi um ponto de conflito importante para Chávez.

    O jornal manteve a linha crítica a um custo alto: perdeu anunciantes e acesso a dólares preferenciais para comprar papel. Tudo colaborou para sua venda.

    A quem pertence hoje?
    Até agora, não se sabe. É informação confidencial. Uma série de modificações provocou, por exemplo, a saída de toda a equipe do caderno de economia. Em política, passaram a pressionar as pessoas a pedir demissão.

    Em 2015, ano das eleições parlamentares, meus textos passaram a ser censurados. Em novembro, disse que não poderíamos seguir trabalhando daquela maneira. E o chefe da Redação sugeriu que eu tirasse todas as férias vencidas que tinha. Desde então, estou em férias prolongadas.

    QUANDO A IMPRENSA É VISTA COMO OPOSIÇÃO

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